ESCONDERIJO
O que as
mulheres guardam no porta-luvas
dos seus veículos?Dizem os homens que não
existe nada mais perigoso do que
colocar a mão dentro da bolsa de
uma mulher. De lá podem sair
cobras, sapos e uma dezena de
coisas inúteis. Pura maldade. Na
verdade, as mulheres são mais
precavidas e costumam guardar o
que consideram necessário
naquele momento, para depois
(quando nada mais cabe na bolsa)
fazer a triagem. Se em algumas
ocasiões, a bolsa feminina chega
a beirar o caos, o que elas
escondem no porta-luvas do carro?
A diretora da
10ª Junta de Conciliação e
Julgamento do Tribunal Regional
do Trabalho, Heloísa Helena
Vilachan, admite: o porta-luvas
do seu carro, um Vitara, já
ultrapassou o nível de
tolerância. Ao abri-lo para que
a reportagem de VEÍCULOS pudesse
conferir, a surpresa: "Tinha
esse filme aqui? Não
sabia", disse a advogada,
enquanto retirava do
porta-objetos do carro papel
higiênico, bilhete de zona azul,
dois gravadores portáteis, um CD
de Cake, agenda cultural do
Recife (do mês de junho), caixa
de fósforo, palitos de comida
chinesa, caneta, chaves,
viva-voz, lenço de papel, pilhas
e um bonequinho de plástico.
"Vou aproveitar a
oportunidade e jogar algumas
coisas fora", disse Helena.
Dividindo o
tempo entre a Prefeitura de
Paulista, onde trabalha como
secretária de Saúde, a agência
de publicidade de sua propriedade
e a campanha política do irmão,
o automóvel da publicitária
Bianca Russell é como um
terceiro escritório: cheio de
papéis e pastas. No porta-luvas,
um item indispensável para
enfrentar o corre-corre de mais
de 12 horas diárias: o perfume
francês Paloma Picasso.
"Posso sair sem o documento
do carro, mas sem meu perfume
nunca", brinca ela. Os
brincos, escova de cabelo e batom
são outros acessórios femininos
que ganham lugar no
porta-objetos. "Também não
esqueço do manual do
proprietário", ressalta.
"Na verdade, a mala do meu
carro é pior do que o
porta-luvas. Lá eu jogo
tudo", fala a publicitária.
"Guardo
aqui todos os panfletos que
recebo nos sinais de
trânsito", diz a estudante
Ana Paula Barroso Lins. Tal a
bagunça que é o porta-luvas do
seu carro, que ela confessa:
"Não permito que estranhos
abram. Eles podem morrer
sufocados com a avalanche".