- - .................................................-Jornal do Commercio - Recife, 06 de setembro de 1998

ESCONDERIJO
O que as mulheres guardam no porta-luvas dos seus veículos?

Dizem os homens que não existe nada mais perigoso do que colocar a mão dentro da bolsa de uma mulher. De lá podem sair cobras, sapos e uma dezena de coisas inúteis. Pura maldade. Na verdade, as mulheres são mais precavidas e costumam guardar o que consideram necessário naquele momento, para depois (quando nada mais cabe na bolsa) fazer a triagem. Se em algumas ocasiões, a bolsa feminina chega a beirar o caos, o que elas escondem no porta-luvas do carro?

A diretora da 10ª Junta de Conciliação e Julgamento do Tribunal Regional do Trabalho, Heloísa Helena Vilachan, admite: o porta-luvas do seu carro, um Vitara, já ultrapassou o nível de tolerância. Ao abri-lo para que a reportagem de VEÍCULOS pudesse conferir, a surpresa: "Tinha esse filme aqui? Não sabia", disse a advogada, enquanto retirava do porta-objetos do carro papel higiênico, bilhete de zona azul, dois gravadores portáteis, um CD de Cake, agenda cultural do Recife (do mês de junho), caixa de fósforo, palitos de comida chinesa, caneta, chaves, viva-voz, lenço de papel, pilhas e um bonequinho de plástico. "Vou aproveitar a oportunidade e jogar algumas coisas fora", disse Helena.

Dividindo o tempo entre a Prefeitura de Paulista, onde trabalha como secretária de Saúde, a agência de publicidade de sua propriedade e a campanha política do irmão, o automóvel da publicitária Bianca Russell é como um terceiro escritório: cheio de papéis e pastas. No porta-luvas, um item indispensável para enfrentar o corre-corre de mais de 12 horas diárias: o perfume francês Paloma Picasso. "Posso sair sem o documento do carro, mas sem meu perfume nunca", brinca ela. Os brincos, escova de cabelo e batom são outros acessórios femininos que ganham lugar no porta-objetos. "Também não esqueço do manual do proprietário", ressalta. "Na verdade, a mala do meu carro é pior do que o porta-luvas. Lá eu jogo tudo", fala a publicitária.

"Guardo aqui todos os panfletos que recebo nos sinais de trânsito", diz a estudante Ana Paula Barroso Lins. Tal a bagunça que é o porta-luvas do seu carro, que ela confessa: "Não permito que estranhos abram. Eles podem morrer sufocados com a avalanche".


     

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