TRAGÉDIA II
Identificar
corpos carbonizados será
difícil, diz peritoCAMPINAS (SP) - A
identificação dos 53 corpos das
vítimas do acidente na
Anhanguera, que estão no
Instituto Médico Legal de
Campinas, será bastante
difícil, pois a maioria está
carbonizada. A previsão é do
médico legista Fortunato Badan
Palhares, que coordena uma equipe
de oito profissionais
encarregados do caso.
"Dos 10
corpos que até agora
verificamos, nove estão em
situação bastante ruim e será
difícil a identificação até
pela arcada dentária",
disse Badan Palhares. O perito
afirmou que o exame de DNA será
o último recurso utilizado para
identificar os corpos. "Tudo
vai depender da vontade da
família e também de apoio
financeiro e de instituições,
por ser bastante caro",
acrescentou.
O prefeito de
Anápolis, Adhemar Santillo
(PMDB), cancelou o velório
coletivo dos romeiros, porque
parte das vítimas não poderá
ser identificada, num período
inferior a dez dias. O velório
estava marcado para o Ginásio
Internacional de Anápolis,
Goiânia.
O motorista
Luiz Carlos Sales, 43, que
dividia a direção de um dos
ônibus dos romeiros de Anápolis
(GO) envolvidos no acidente da
Via Anhangüera, escapou da morte
graças à ajuda de um
passageiro. Sales dormia no
bagageiro do segundo ônibus que
pegou fogo. Ele disse que teria
morrido caso um passageiro não
tomasse a decisão de abrir o
compartimento à procura de uma
marreta para quebrar os vidros do
ônibus. "Percebi que o
ônibus tinha saído da pista
porque ele começou a
balançar."
O inferno na
Rodovia Anhangüera durou mais de
duas horas, mas para quem não
conseguiu escapar dos ônibus em
chamas ele foi rápido e
doloroso. "Tudo aconteceu
muito rápido. Eu vi um casal
morrer junto com os dois filhos.
Foi horrível demais ver as
pessoas naquela agonia, sendo
consumidas pelo fogo",
contou, emocionada, Otacília
Rosa Gonçalves, que estava no
segundo ônibus. Os carros que
passavam iam parando e as pessoas
tentavam, em meio ao desespero,
ajudar os passageiros a sair dos
ônibus.