EDUCAÇÃO
MEC
confirma mau uso de recursosO coordenador-geral do
Projeto Nordeste II, em
Brasília, Antônio Emílio
Cedrin, disse que Pernambuco tem
procurado corrigir as falhas
apontadas nos relatórios
elaborados pelo Ministério da
Educação, no que diz respeito
à má qualidade das reformas
executadas com recursos do
programa. Ele confirmou, no
entanto, que, na época em que as
supervisões foram realizadas, o
desempenho do Estado havia sido
realmente insatisfatório.
"No momento da avaliação,
foram verificadas muitos
serviços deficientes, mas
acredito que o Estado vai
melhorar seu desempenho em
relação às obras de
recuperação da rede
física", afirmou.
Emílio Cedrin
esteve, ontem, no Recife,
acompanhando a visita do ministro
da Educação, Paulo Renato. Na
opinião do coordenador, os
problemas ocorridos em Pernambuco
podem ser explicados, em parte,
pelo grande volume de reformas
executadas com dinheiro do
Nordeste II. "O Estado não
estava acostumado a realizar uma
quantidade tão grande de obras
de uma só vez. Isso deve ter
pesado na hora da execução do
programa", ponderou.
Cauteloso em
relação às denúncias de
superfaturamento, Emílio Cedrin
comentou o assunto com o senador
Carlos Wilson (PSDB), durante
almoço oferecido ao ministro da
Educação. Segundo o senador, o
coordenador do Projeto Nordeste
II teria dito que, se forem
confirmadas todas as denúncias
apontadas no relatório, o
Ministério da Educação vai
solicitar ao Estado a devolução
do dinheiro investido e mal
utilizado. "Ele disse que
não queria fazer
pré-julgamentos, mas que todas
as falhas e irregularidades
serão devidamente
apuradas", afirmou Carlos
Wilson.
RELATÓRIO -
O resultado das supervisões
mensais, realizadas por três
engenheiros contratados pelo MEC,
apontam uma série de falhas na
execução das reformas das
escolas públicas em Pernambuco:
obras com material de baixa
qualidade, serviços pagos e não
executados, levantamento
deficiente das necessidades das
escolas, obras com preço do
metro quadrado superior ao
estabelecido em convênio e
fiscalização precária por
parte da Secretaria Estadual de
Educação - gerenciadora do
programa.
Os relatórios
foram encomendados pelo Banco
Mundial, principal financiador do
programa, que prevê a melhoria
do ensino fundamental em todos os
estados do Nordeste. Dos 736
milhões previstos no projeto,
Pernambuco foi beneficiado com R$
112 milhões. Além da
recuperação física, o Nordeste
II também contempla a
capacitação de professores,
aquisição de material didático
e gestão educacional.