- - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

EDUCAÇÃO
MEC confirma mau uso de recursos

O coordenador-geral do Projeto Nordeste II, em Brasília, Antônio Emílio Cedrin, disse que Pernambuco tem procurado corrigir as falhas apontadas nos relatórios elaborados pelo Ministério da Educação, no que diz respeito à má qualidade das reformas executadas com recursos do programa. Ele confirmou, no entanto, que, na época em que as supervisões foram realizadas, o desempenho do Estado havia sido realmente insatisfatório. "No momento da avaliação, foram verificadas muitos serviços deficientes, mas acredito que o Estado vai melhorar seu desempenho em relação às obras de recuperação da rede física", afirmou.

Emílio Cedrin esteve, ontem, no Recife, acompanhando a visita do ministro da Educação, Paulo Renato. Na opinião do coordenador, os problemas ocorridos em Pernambuco podem ser explicados, em parte, pelo grande volume de reformas executadas com dinheiro do Nordeste II. "O Estado não estava acostumado a realizar uma quantidade tão grande de obras de uma só vez. Isso deve ter pesado na hora da execução do programa", ponderou.

Cauteloso em relação às denúncias de superfaturamento, Emílio Cedrin comentou o assunto com o senador Carlos Wilson (PSDB), durante almoço oferecido ao ministro da Educação. Segundo o senador, o coordenador do Projeto Nordeste II teria dito que, se forem confirmadas todas as denúncias apontadas no relatório, o Ministério da Educação vai solicitar ao Estado a devolução do dinheiro investido e mal utilizado. "Ele disse que não queria fazer pré-julgamentos, mas que todas as falhas e irregularidades serão devidamente apuradas", afirmou Carlos Wilson.

RELATÓRIO - O resultado das supervisões mensais, realizadas por três engenheiros contratados pelo MEC, apontam uma série de falhas na execução das reformas das escolas públicas em Pernambuco: obras com material de baixa qualidade, serviços pagos e não executados, levantamento deficiente das necessidades das escolas, obras com preço do metro quadrado superior ao estabelecido em convênio e fiscalização precária por parte da Secretaria Estadual de Educação - gerenciadora do programa.

Os relatórios foram encomendados pelo Banco Mundial, principal financiador do programa, que prevê a melhoria do ensino fundamental em todos os estados do Nordeste. Dos 736 milhões previstos no projeto, Pernambuco foi beneficiado com R$ 112 milhões. Além da recuperação física, o Nordeste II também contempla a capacitação de professores, aquisição de material didático e gestão educacional.


     

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