URBANISMO
Moradores
culpam obra do metrô por
rachaduras em residênciasMoradores da Avenida
Sul, na Imbiribeira, denunciaram,
ontem, que seis casas localizadas
perto da linha do trem estão com
problemas de rachaduras por conta
do serviço de bate-estaca,
iniciado há um mês e meio
dentro das obras de ampliação
do metrô. Eles pediram
providências, em reunião com
representantes do Metrorec, da
Odebrecht (empresa responsável
pelas obras no trecho) e da
Empresa de Urbanização do
Recife (URB) e receberam a
resposta de que, se constatada a
denúncia, o serviço será
paralisado até que se resolva a
questão.
Uma das
residências atingidas é a do
agricultor Celso Manoel da Silva,
de 74 anos. Ele diz que construiu
o imóvel, de dois quartos, duas
salas, cozinha e banheiro, há 25
anos, e jamais teve problemas de
rachaduras. "Isso só
aconteceu depois que começaram o
bate-estaca. Eles precisam me
tirar daqui, pois eu não vou
morar nessa casa toda lascada,
porque ela pode cair em cima de
mim", reclama.
O promotor de
vendas Sérgio Brito é
proprietário de outro imóvel,
na Avenida Sul, que estaria sendo
prejudicado com a obra do metrô.
"O telhado está caindo e
já apareceu a primeira
rachadura. Meu filho nasceu há
poucos dias e tivemos de levá-lo
para a casa da avó. Queremos ser
indenizados logo, para sair
daqui", apelou. José
Clementino da Silva Filho também
está com medo das rachaduras.
"Outro dia cheguei em casa e
minha mulher, grávida de três
meses, estava chorando. Eu tinha
começado uma reforma e a casa
está muito insegura. Precisamos
sair logo daqui", disse
José Clementino.
O problema de
rachaduras pode aumentar, pois um
outro bate-estaca deve entrar em
funcionamento na próxima
sexta-feira, numa área onde
muitas casas são de taipa. A
maioria das residências em
questão estão na lista dos
imóveis a serem desapropriados,
outras não.
VISTORIAS -
O coordenador de obras do
Metrorec, Laedson Bezerra,
garantiu que o trabalho
permanecerá sendo vistoriado
diariamente. "Se os
técnicos constatarem que o
bate-estaca está provocando
rachaduras vamos parar a obra e
remover as famílias",
assegurou. "Muitos problemas
vão surgir ao longo da obra, mas
todos terão solução".