- - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

URBANISMO
Moradores culpam obra do metrô por rachaduras em residências

Moradores da Avenida Sul, na Imbiribeira, denunciaram, ontem, que seis casas localizadas perto da linha do trem estão com problemas de rachaduras por conta do serviço de bate-estaca, iniciado há um mês e meio dentro das obras de ampliação do metrô. Eles pediram providências, em reunião com representantes do Metrorec, da Odebrecht (empresa responsável pelas obras no trecho) e da Empresa de Urbanização do Recife (URB) e receberam a resposta de que, se constatada a denúncia, o serviço será paralisado até que se resolva a questão.

Uma das residências atingidas é a do agricultor Celso Manoel da Silva, de 74 anos. Ele diz que construiu o imóvel, de dois quartos, duas salas, cozinha e banheiro, há 25 anos, e jamais teve problemas de rachaduras. "Isso só aconteceu depois que começaram o bate-estaca. Eles precisam me tirar daqui, pois eu não vou morar nessa casa toda lascada, porque ela pode cair em cima de mim", reclama.

O promotor de vendas Sérgio Brito é proprietário de outro imóvel, na Avenida Sul, que estaria sendo prejudicado com a obra do metrô. "O telhado está caindo e já apareceu a primeira rachadura. Meu filho nasceu há poucos dias e tivemos de levá-lo para a casa da avó. Queremos ser indenizados logo, para sair daqui", apelou. José Clementino da Silva Filho também está com medo das rachaduras. "Outro dia cheguei em casa e minha mulher, grávida de três meses, estava chorando. Eu tinha começado uma reforma e a casa está muito insegura. Precisamos sair logo daqui", disse José Clementino.

O problema de rachaduras pode aumentar, pois um outro bate-estaca deve entrar em funcionamento na próxima sexta-feira, numa área onde muitas casas são de taipa. A maioria das residências em questão estão na lista dos imóveis a serem desapropriados, outras não.

VISTORIAS - O coordenador de obras do Metrorec, Laedson Bezerra, garantiu que o trabalho permanecerá sendo vistoriado diariamente. "Se os técnicos constatarem que o bate-estaca está provocando rachaduras vamos parar a obra e remover as famílias", assegurou. "Muitos problemas vão surgir ao longo da obra, mas todos terão solução".


     

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