-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE III
Governo admite que novo pacote pode causar ainda mais recessão

BRASÍLIA - A perspectiva de uma recessão aparece no cenário do governo como possível efeito colateral das medidas anunciadas nos últimos dias para conter a fuga de dólares e garantir a estabilidade do real. "A redução do crescimento no curto prazo pode ser a condição necessária para permitir o crescimento sustentado a médio prazo", avaliou ontem à noite o ministro do Planejamento, Paulo Paiva. "Ninguém conduz uma política econômica para provocar a recessão, ninguém aumenta deliberadamente o desemprego, mas as medidas podem ter esse efeito: é muito cedo para dizer que sim ou que não (haverá recessão)", completou.

Até agora, as medidas anunciadas pelo governo diante do agravamento da crise financeira - aumento dos juros e cortes nos gastos- contribuem para reduzir o ritmo de crescimento. Antes do agravamento da crise, a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano estava próxima de 1% e a taxa de desemprego passava de 8% dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do país.

A taxa de crescimento da economia vai depender agora do resultado das medidas anunciadas pelo governo e do comportamento dos juros daqui para a frente. Não há previsões oficiais sobre o custo da alta de juros sobre os gastos públicos nem um roteiro definido para a queda das taxas. "Depende da reação do mercado", resumiu Paiva.


     

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