EFEITOS DA CRISE III
Governo
admite que novo pacote pode
causar ainda mais recessãoBRASÍLIA - A
perspectiva de uma recessão
aparece no cenário do governo
como possível efeito colateral
das medidas anunciadas nos
últimos dias para conter a fuga
de dólares e garantir a
estabilidade do real. "A
redução do crescimento no curto
prazo pode ser a condição
necessária para permitir o
crescimento sustentado a médio
prazo", avaliou ontem à
noite o ministro do Planejamento,
Paulo Paiva. "Ninguém
conduz uma política econômica
para provocar a recessão,
ninguém aumenta deliberadamente
o desemprego, mas as medidas
podem ter esse efeito: é muito
cedo para dizer que sim ou que
não (haverá recessão)",
completou.
Até agora, as
medidas anunciadas pelo governo
diante do agravamento da crise
financeira - aumento dos juros e
cortes nos gastos- contribuem
para reduzir o ritmo de
crescimento. Antes do agravamento
da crise, a previsão de
crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto) neste ano estava
próxima de 1% e a taxa de
desemprego passava de 8% dos
trabalhadores nas seis principais
regiões metropolitanas do país.
A taxa de
crescimento da economia vai
depender agora do resultado das
medidas anunciadas pelo governo e
do comportamento dos juros daqui
para a frente. Não há
previsões oficiais sobre o custo
da alta de juros sobre os gastos
públicos nem um roteiro definido
para a queda das taxas.
"Depende da reação do
mercado", resumiu Paiva.