EFEITOS DA CRISE IV
Montadoras
já prevêem uma nova alta de
jurosSÃO PAULO - Os
bancos ligados às montadoras
devem elevar novamente os juros e
reduzir os prazos de
financiamento dos carros. "O
dinheiro está cada vez mais
escasso e caro. Se a situação
não se alterar até o final da
próxima semana, uma nova alta
das taxas é inevitável",
diz Marcos Vinicius Moya,
presidente da Anef (associação
das instituições financeiras
das montadoras) e diretor do
Banco Volkswagen.
Na semana
passada, o bancos ligados às
fábricas passaram a operar com
taxas entre 2,7% e 3,3% ao mês,
o que representou alta entre 0,5
e 0,8 ponto percentual. A partir
da semana que vem, prevê Moya,
os juros cobrados do consumidor
podem estar entre 3,7% e 4% ao
mês, taxas que já estão sendo
oferecidas pelos bancos
independentes (não ligados às
fábricas). "Vamos ter de
repassar esse custo", diz.
O juro cobrado
nas operações de empréstimo
entre bancos chegou hoje a 45% ao
ano para um prazo de até 24
meses, explica Moya. Na semana
passada, a taxa era de 35%, ou
seja, dez pontos percentuais a
menos. Além de aumentar os
juros, os bancos das montadoras
já prevêem nova redução do
prazo máximo de financiamento de
36 meses para 24 meses. No
início da semana passada, o teto
chegava a 50 meses. Segundo Moya,
está cada vez mais arriscado
emprestar por prazos longos.
"É difícil captar recursos
por períodos longos. O mercado
quer fazer negócios por três
meses no máximo."
A nova
redução dos prazos de
financiamento romperia o acordo
feito entre as montadoras e o
governo para permitir a redução
de cinco pontos percentuais do
IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) dos carros.
Aumentar as facilidades de
crédito para o consumidor foi um
dos compromissos assumidos pela
indústria automobilística em
troca do imposto menor. Na
quinta-feira, representantes das
fábricas, das concessionárias e
do governo se reúnem em
Brasília para fazer um balanço
do acordo.