-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE V
Alta de juros já repercute no comércio

A Credicard, maior rede administradora de cartão de crédito do país, com 47% do mercado, afirma que a partir do próximo mês as taxas dos juros para os faturas em atraso devem subir. Segundo o departamento de comunicação da empresa, em São Paulo, por enquanto os valores permanecem inalterados.

O departamento explica que as faturas que estão vencendo este mês não sofrerão acréscimo algum, uma vez que são financiadas por dinheiro conseguido junto ao mercado no mês passado. Já para as contas a serem quitadas em outubro, cujos financiamentos estão sendo obtidos pela Credicard agora em setembro, as taxas serão maiores.

O departamento porém não soube adiantar em torno de quanto ficará o aumento. A empresa trabalha com várias datas de vencimento das faturas, para as quais estipula taxas diferentes. A média é de aproximadamente 11,03% ao mês.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Eduardo Catão, prevê que até a próxima sexta-feira deverá haver aumento dos juros nas financeiras. Até ontem a CDL não registrou aumentos.

Com o anúncio de subida das taxas, a orientação do mercado é para que o consumidor não atrase o pagamento da fatura do cartão de crédito. "Deve-se evitar ainda estourar o limite dos cheques especiais, que também passarão a ter juros maiores", destaca Samuel Emery Lopes, consultor da Finacap, empresa que presta consultoria na área financeira.

"O certo é se pagar a vista ou então, se for possível esperar, não comprar agora. Um custo a mais, proveniente dos juros altos, pode comprometer qualquer orçamento". Ele explica que a saída é aguardar pelo menos 30 dias para ver como se comporta o mercado internacional. "Se a turbulência passar, é provável que os juros voltem a cair como vinha acontecendo desde o início do ano".

O comércio do Recife começa a acreditar no início de uma recessão. Com as medidas anunciadas, ontem, pelo Governo Federal a expectativa é que o crescimento do Brasil ou zere ou fique, no máximo, em 0,5%. Essa diminuição do movimento econômico tem um impacto direto sobre o setor que, por sua vez, já prevê um Natal magro.

De acordo com o consultor Josué Mussalém, inicialmente, o Governo trabalhava com a idéia de ter um segundo semestre com crescimento em torno de 2% a 3%, fazendo com a taxa média anual ficasse em 1,5%. Agora, essas perspectivas não deverão se realizar e, ao que tudo indica, a recessão deverá ocorrer a partir de 1999. "Além disso, constantemente, estão ocorrendo situações de deflação, o que também pode sinalizar uma recessão econômica", apresentou Mussalém.

A tendência de que, após a eleição, venha surgir um novo pacote econômico não é descartada pelo consultor. No entanto, o empresário ainda acredita que as vendas deste final de ano não serão piores do que as do ano passado. Já Mussalém prevê que a situação irá se agravar ainda mais, caso o Governo do Estado não pague o 13º salário aos servidores estaduais. "Quem vai sofrer com tudo isso é o consumidor", desabafou Eduardo Catão.


     

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