EFEITOS DA CRISE V
Alta
de juros já repercute no
comércioA Credicard, maior rede
administradora de cartão de
crédito do país, com 47% do
mercado, afirma que a partir do
próximo mês as taxas dos juros
para os faturas em atraso devem
subir. Segundo o departamento de
comunicação da empresa, em São
Paulo, por enquanto os valores
permanecem inalterados.
O departamento
explica que as faturas que estão
vencendo este mês não sofrerão
acréscimo algum, uma vez que
são financiadas por dinheiro
conseguido junto ao mercado no
mês passado. Já para as contas
a serem quitadas em outubro,
cujos financiamentos estão sendo
obtidos pela Credicard agora em
setembro, as taxas serão
maiores.
O departamento
porém não soube adiantar em
torno de quanto ficará o
aumento. A empresa trabalha com
várias datas de vencimento das
faturas, para as quais estipula
taxas diferentes. A média é de
aproximadamente 11,03% ao mês.
O presidente da
Câmara de Dirigentes Lojistas
(CDL), Eduardo Catão, prevê que
até a próxima sexta-feira
deverá haver aumento dos juros
nas financeiras. Até ontem a CDL
não registrou aumentos.
Com o anúncio
de subida das taxas, a
orientação do mercado é para
que o consumidor não atrase o
pagamento da fatura do cartão de
crédito. "Deve-se evitar
ainda estourar o limite dos
cheques especiais, que também
passarão a ter juros
maiores", destaca Samuel
Emery Lopes, consultor da
Finacap, empresa que presta
consultoria na área financeira.
"O certo
é se pagar a vista ou então, se
for possível esperar, não
comprar agora. Um custo a mais,
proveniente dos juros altos, pode
comprometer qualquer
orçamento". Ele explica que
a saída é aguardar pelo menos
30 dias para ver como se comporta
o mercado internacional. "Se
a turbulência passar, é
provável que os juros voltem a
cair como vinha acontecendo desde
o início do ano".
O comércio do
Recife começa a acreditar no
início de uma recessão. Com as
medidas anunciadas, ontem, pelo
Governo Federal a expectativa é
que o crescimento do Brasil ou
zere ou fique, no máximo, em
0,5%. Essa diminuição do
movimento econômico tem um
impacto direto sobre o setor que,
por sua vez, já prevê um Natal
magro.
De acordo com o
consultor Josué Mussalém,
inicialmente, o Governo
trabalhava com a idéia de ter um
segundo semestre com crescimento
em torno de 2% a 3%, fazendo com
a taxa média anual ficasse em
1,5%. Agora, essas perspectivas
não deverão se realizar e, ao
que tudo indica, a recessão
deverá ocorrer a partir de 1999.
"Além disso,
constantemente, estão ocorrendo
situações de deflação, o que
também pode sinalizar uma
recessão econômica",
apresentou Mussalém.
A tendência de
que, após a eleição, venha
surgir um novo pacote econômico
não é descartada pelo
consultor. No entanto, o
empresário ainda acredita que as
vendas deste final de ano não
serão piores do que as do ano
passado. Já Mussalém prevê que
a situação irá se agravar
ainda mais, caso o Governo do
Estado não pague o 13º salário
aos servidores estaduais.
"Quem vai sofrer com tudo
isso é o consumidor",
desabafou Eduardo Catão.