EFEITOS DA CRISE VI
Bancos
aumentam taxas e encarecem
créditoOs bancos estão
aumentando as taxas para
empréstimos, repassando o
aumento dos juros no mercado
interbancário, em função da
elevação, de 19% para 29,75%,
no custo do dinheiro que o Banco
Central empresta aos bancos na
chamada linha de assistência
financeira. A taxa praticada nos
empréstimos interbancários
subiu, sinalizando que os bancos
querem esperar definições na
política econômica sobre juros
e câmbio. Na sexta-feira, a taxa
média praticada foi de 2,12% ao
mês, contra 3,15% ontem.
"É
conseqüência imediata da
mudança nos juros do redesconto,
que mexe na oferta e procura de
dinheiro entre os bancos, e
conseqüentemente, na política
de juros de cada instituição
para os clientes", explicou
Domingos Tedim, superintendente
do Excell Econômico para
Pernambuco, Paraíba, e Rio
Grande do Norte, onde a taxa de
Crédito Direto ao Consumidor
(CDC) está em 4,9%. Os CDB de 30
dias pagam entre 2,34% e 2,47%, a
maior variação do momento.
O Excell
suspendeu ontem as operações de
empréstimos de leasing, muito
comuns na compra de carros novos
e equipamentos médicos e de
informática, que estavam em
2,65% ao mês. As operações
serão feitas sob consulta
imediata à mesa de operações
do banco. "Nós suspendemos
também a flexibilidade que
tinham os gerentes de agência
para negociarem taxas. Agora, só
consultando caso a caso",
explicou Tedim.
As taxa do
Bandepe bateram os 8% ao mês no
crédito direto, 9% no cheque
especial de pessoa jurídica, e
9,5% a.m. para pessoa física.
Subiram também, no Bandepe, as
taxas pagas a investidores,
através do CDB. Na sexta,
pagava-se entre 17% e 18% ao ano,
e ontem, 22% ao ano.
"Quem
puder adiar compras à crédito,
deve esperar. Quem fizer dívidas
neste momento vai sofrer com
juros altos demais, devido à
instabilidade mundial no setor
financeiro", avisa o
analista financeiro do Bandepe,
Luíz de França Neto.