-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

DILEMA
Yeltsin anuncia hoje se mantém indicação

MOSCOU - O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, se reuniu ontem com seus principais assessores em sua residência de campo, para discutir se vai ou não insistir na indicação de Viktor Chernomyrdin como primeiro-ministro, após ser rejeitado, pela segunda vez, pelo Parlamento, ou se oferece um candidato de consenso.

Yeltsin disse que Chernomyrdin é seu candidato único para liderar um novo governo capaz de enfrentar a pior crise econômica que afeta o país desde o colapso da União Soviética, em 1991. No entanto, a Duma Estatal, ou Câmara Baixa do Parlamento, rejeitou no domingo, de forma arrasadora, o nome de Chernomirdin pela segunda vez. Yeltsin analisa com seus assessores se insiste uma vez mais com Chernomirdin, na terceira e final rodada de votações.

"Hoje (ontem), começou a contagem regressiva para uma posição de compromisso com outro candidato", disse Konstantin Titov, membro da Câmara Alta do Parlamento à agência de notícias Itar-Tass. Os comunistas e seus aliados dizem que têm nove candidatos a oferecer, entre eles o popular prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov. Já o partido Yabloko, de tendência liberal, disse anteontem que o novo primeiro-ministro poderia ser o atual chanceler Yevgeny Primakov.

Outros nomes foram sugeridos por facções da Duma. Entre eles, Yevgeny Primakov, ministro de Relações Exteriores. Primakov afirmou, no entanto, que não pretende se tornar primeiro-ministro. O líder ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, no entanto, acha que Yeltsin insistirá em Chernomyrdin, que foi primeiro-ministro por cinco anos, antes de ser destituído em março pelo próprio Yeltsin. Yeltsin encontrou-se com Chernomyrdin, mas não se sabe qual o assunto discutido na reunião.

MEDIDAS - Viktor Chernomyrdin anunciou ontem uma série de medidas econômicas para controlar os gastos governamentais e lutar contra os especuladores que estão se beneficiando com a atual crise financeira, informou a agência de notícias Interfax.

Durante uma sessão de emergência do gabinete, o primeiro-ministro designado anunciou os primeiros passos concretos para deter a crise financeira russa desde que retornou ao cargo através de uma decisão do presidente Boris Yeltsin.

Duas medidas para aumentar a entrada de capital nos cofres públicos irão permitir que a empresa exploradora de gás Gazprom e mais 14 companhias petrolíferas russas paguem seus impostos em divisas, assim como serão cobradas em divisas os direitos alfandegários. Isso daria um fim aos esforços iniciados em janeiro de 1994 para manter o rublo, a moeda do país, como única divisa com curso legal na Rússia.

A terceira medida ordena que as cinqüênta maiores companhias russas transfiram sua contabilidade de impostos para o Banco Central (tesouro federal), o banco de créditos estatal Sberbank e o de comércio exterior Vneshtorgbank como forma de exercer maior controle sobre o processo de cobrança de impostos. O governo indicou que a partir de amanhã irá iniciar uma campanha para impedir que os intermediários aumentem os preços depois da recente queda do rublo.


     

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