DILEMA
Yeltsin
anuncia hoje se mantém
indicaçãoMOSCOU - O
presidente da Rússia, Boris
Yeltsin, se reuniu ontem com seus
principais assessores em sua
residência de campo, para
discutir se vai ou não insistir
na indicação de Viktor
Chernomyrdin como
primeiro-ministro, após ser
rejeitado, pela segunda vez, pelo
Parlamento, ou se oferece um
candidato de consenso.
Yeltsin disse
que Chernomyrdin é seu candidato
único para liderar um novo
governo capaz de enfrentar a pior
crise econômica que afeta o
país desde o colapso da União
Soviética, em 1991. No entanto,
a Duma Estatal, ou Câmara Baixa
do Parlamento, rejeitou no
domingo, de forma arrasadora, o
nome de Chernomirdin pela segunda
vez. Yeltsin analisa com seus
assessores se insiste uma vez
mais com Chernomirdin, na
terceira e final rodada de
votações.
"Hoje
(ontem), começou a contagem
regressiva para uma posição de
compromisso com outro
candidato", disse Konstantin
Titov, membro da Câmara Alta do
Parlamento à agência de
notícias Itar-Tass. Os
comunistas e seus aliados dizem
que têm nove candidatos a
oferecer, entre eles o popular
prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov.
Já o partido Yabloko, de
tendência liberal, disse
anteontem que o novo
primeiro-ministro poderia ser o
atual chanceler Yevgeny Primakov.
Outros nomes
foram sugeridos por facções da
Duma. Entre eles, Yevgeny
Primakov, ministro de Relações
Exteriores. Primakov afirmou, no
entanto, que não pretende se
tornar primeiro-ministro. O
líder ultranacionalista Vladimir
Zhirinovsky, no entanto, acha que
Yeltsin insistirá em
Chernomyrdin, que foi
primeiro-ministro por cinco anos,
antes de ser destituído em
março pelo próprio Yeltsin.
Yeltsin encontrou-se com
Chernomyrdin, mas não se sabe
qual o assunto discutido na
reunião.
MEDIDAS -
Viktor Chernomyrdin anunciou
ontem uma série de medidas
econômicas para controlar os
gastos governamentais e lutar
contra os especuladores que
estão se beneficiando com a
atual crise financeira, informou
a agência de notícias Interfax.
Durante uma
sessão de emergência do
gabinete, o primeiro-ministro
designado anunciou os primeiros
passos concretos para deter a
crise financeira russa desde que
retornou ao cargo através de uma
decisão do presidente Boris
Yeltsin.
Duas medidas
para aumentar a entrada de
capital nos cofres públicos
irão permitir que a empresa
exploradora de gás Gazprom e
mais 14 companhias petrolíferas
russas paguem seus impostos em
divisas, assim como serão
cobradas em divisas os direitos
alfandegários. Isso daria um fim
aos esforços iniciados em
janeiro de 1994 para manter o
rublo, a moeda do país, como
única divisa com curso legal na
Rússia.
A terceira
medida ordena que as cinqüênta
maiores companhias russas
transfiram sua contabilidade de
impostos para o Banco Central
(tesouro federal), o banco de
créditos estatal Sberbank e o de
comércio exterior Vneshtorgbank
como forma de exercer maior
controle sobre o processo de
cobrança de impostos. O governo
indicou que a partir de amanhã
irá iniciar uma campanha para
impedir que os intermediários
aumentem os preços depois da
recente queda do rublo.