DILEMA II
Moeda
russa perde mais 9,2% do seu
valor de um dia para o outroMOSCOU - O preço
oficial do rublo ficou fixado
ontem pelo Banco Central da
Rússia em 20,82 rublos por
dólar, uma baixa de 9,2% em
relação ao dia anterior (18,9
rublos), anunciou a agência
Interfax. A bolsa de Moscou
fechou por sua vez em ligeira
queda, com o índice RTS cerrando
fechando a 62,61 pontos, uma
redução de 1,05% com um volume
de negócios muito escasso (US$
1,17 milhão). O mercado operou
incerto na ausência de solução
ao impasse político em torno da
indicação de Viktor
Chernomyrdin ao cargo de
primeiro-ministro e de nomeação
da nova direção do Banco
Central.
A taxa oficial
do rublo é a utilizada nos
contratos de
comérciointernacionais. Desde a
desvalorização de fato do rublo
a 17 de agosto passado, a moeda
russa perdeu aproximadamente 70%
de seu valor. As reservas em ouro
e em divisas do Banco Central da
Rússia (BCR) se elevam
atualmente a US$ 11 bilhões,
disse ontem o porta-voz do
governo, Igor Chabdurassulov. Em
28 de agosto se elevavam a US$
12,7 bilhões.
O confronto
entre o governo russo e o Banco
Central se aprofundou ontem
depois que ambas as partes se
acusaram de manejar
incorretamente a crescente crise
econômica. Ao mesmo tempo, o
governo disse que o orçamento
federal deverá ser revisto para
o resto deste ano e para o
próximo devido à comoção
financeira.
Boris Fyodorov,
o vice-primeiro-ministro interino
e titular da arrecadação
tributária, disse que o Banco
Central deveria terminar com os
jogos com a cotação do rublo.
"À taxa de hoje (ontem), o
Banco Central poderia adquirir
facilmente todos os rublos em
circulação", afirmou.
Tanto o governo
como o Banco Central acham que o
rublo caiu demais. A moeda era
cotado a 6,2 por dólar antes do
começo da crise, há menos de um
mês. Contudo, nem o governo nem
o Banco Central anunciaram
qualquer plano para conter a
queda do rublo, que está à
mercê do mercado.
O presidente do
Banco Central, Sergei Dubinin,
que apresentou anteontem sua
renúncia, censurou energicamente
o governo por considerar que não
havia aplicado um programa
significativo para conter a
crise. "Sob a minha
direção, o Banco Central não
emitiu dinheiro inútil",
disse Dubinin. "Contudo, as
políticas monetárias não podem
compensar eternamente as
debilidades na arrecadação de
impostos e no manejo da dívida
nacional