-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

DILEMA II
Moeda russa perde mais 9,2% do seu valor de um dia para o outro

MOSCOU - O preço oficial do rublo ficou fixado ontem pelo Banco Central da Rússia em 20,82 rublos por dólar, uma baixa de 9,2% em relação ao dia anterior (18,9 rublos), anunciou a agência Interfax. A bolsa de Moscou fechou por sua vez em ligeira queda, com o índice RTS cerrando fechando a 62,61 pontos, uma redução de 1,05% com um volume de negócios muito escasso (US$ 1,17 milhão). O mercado operou incerto na ausência de solução ao impasse político em torno da indicação de Viktor Chernomyrdin ao cargo de primeiro-ministro e de nomeação da nova direção do Banco Central.

A taxa oficial do rublo é a utilizada nos contratos de comérciointernacionais. Desde a desvalorização de fato do rublo a 17 de agosto passado, a moeda russa perdeu aproximadamente 70% de seu valor. As reservas em ouro e em divisas do Banco Central da Rússia (BCR) se elevam atualmente a US$ 11 bilhões, disse ontem o porta-voz do governo, Igor Chabdurassulov. Em 28 de agosto se elevavam a US$ 12,7 bilhões.

O confronto entre o governo russo e o Banco Central se aprofundou ontem depois que ambas as partes se acusaram de manejar incorretamente a crescente crise econômica. Ao mesmo tempo, o governo disse que o orçamento federal deverá ser revisto para o resto deste ano e para o próximo devido à comoção financeira.

Boris Fyodorov, o vice-primeiro-ministro interino e titular da arrecadação tributária, disse que o Banco Central deveria terminar com os jogos com a cotação do rublo. "À taxa de hoje (ontem), o Banco Central poderia adquirir facilmente todos os rublos em circulação", afirmou.

Tanto o governo como o Banco Central acham que o rublo caiu demais. A moeda era cotado a 6,2 por dólar antes do começo da crise, há menos de um mês. Contudo, nem o governo nem o Banco Central anunciaram qualquer plano para conter a queda do rublo, que está à mercê do mercado.

O presidente do Banco Central, Sergei Dubinin, que apresentou anteontem sua renúncia, censurou energicamente o governo por considerar que não havia aplicado um programa significativo para conter a crise. "Sob a minha direção, o Banco Central não emitiu dinheiro inútil", disse Dubinin. "Contudo, as políticas monetárias não podem compensar eternamente as debilidades na arrecadação de impostos e no manejo da dívida nacional


     

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