MARKETING
Geomarketing
é nova arma das empresaspor CARLOS ANDRÉ
CARVALHO
O mercado
massificado está com seus dias
contados. A globalização da
economia vem fazendo com que as
empresas não só busquem novos
consumidores em diferentes
regiões, mas exige também um
foco maior em mercados
específicos. Pelo menos é o que
garantem os consultores de
marketing mais antenados com as
transformações do mundo
moderno. Dentro desse novo
panorama, o marketing começa a
ganhar novas ferramentas para
tornar as empresas mais
competitivas. Uma delas é o
geomarketing - ou marketing
geográfico -, o uso integrado de
banco de dados com mapas digitais
como suporte à tomada de
decisões empresariais.
Através do
marketing geográfico, um
empresário, para abrir um novo
negócio poderá saber onde
moram, qual o nível de renda e
de escolaridade de seus clientes
e outras informações, para, a
partir daí, direcionar suas
campanhas de marketing. Se um
empresário, por exemplo, quer
abrir um ponto-de-venda em um
determinado bairro da cidade, o
geomarketing vai ajudá-lo a
fazer a análise de vias de
acesso, saber a densidade
populacional e a traçar o perfil
sócio-econômico da área.
"Com isso,
pode-se, ainda, fidelizar
clientes porque vai se saber a
área de influência primária e
secundária da loja. E também
traçar estratégias
diferenciadas para cada tipo de
consumidor", explica o
diretor da Bússola Brasil,
empresa especializada neste
serviço, Fernando Sodré. O
geomarketing da Bússola Brasil
é feito através do cruzamento
do mapa cartográfico digital da
cidade, que traz os logradouros,
com o mapa espacial do IBGE
(Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), que
não identifica as ruas, mas as
áreas.
MAPA - A
empresa dispõe, ainda, de
mailing list, database marketing,
segmentação de mercado e
estratégias. A Bússola Brasil
tem também mapeamento postal do
Recife com CEPs (Código de
Endereçamento Postal) de cinco
dígitos. Isso faz com que ela
possa delimitar uma área menor
que um bairro, aumentando as
chances de atingir o target com
mais eficácia. "A gente
consegue classificar melhor os
clientes pela localização por
bairro", lembra Sodré.
"Boa Viagem, por exemplo, é
dividida em sete CEPs de cinco
dígitos. Quer dizer que a gente
conseguiu separar o bairro em
sete áreas distintas. Isso é
importante para uma empresa que
quer montar um ponto de
venda", esclarece.
Várias
empresas locais já estão
lançando mão do marketing
geográfico. Uma delas é a
Bandeirantes Outdoor, que utiliza
o serviço para visualizar melhor
os espaços publicitários - para
outdoors e luminosos - no mapa da
cidade. Através do marketing
geográfico a empresa está
conseguindo saber como estão
distribuídos suas tabuletas e
cruzar essas informações com a
condição sócio-econômica das
pessoas que moram e transitam nas
proximidades.
O Banco do
Brasil tem usado o marketing
geográfico em várias cidades do
País para manter e conquistar
clientes. O BB faz isso através
do estudo do mercado,
localização das agências,
endereços dos clientes e a
localização dos bancos
concorrentes. O trabalho de
geomarketing dirigido a bancos
também pode ajudar essas
instituições financeiras a
definir das suas agências quais,
do ponto de vista da
conveniência geográfica, devem
ser fechadas.
Os custos da
prestação de serviços de
geomarketing variam. Pelo
serviço, uma empresa com até
cinco mil clientes desembolsaria
R$ 1,5 mil. Pela licença, os
custos são de aproximadamente R$
500,00 mensais, com contrato de
12 meses renovável.
Como o
marketing geográfico, que está
ser tornando uma ferramenta
indispensável para as empresas,
é feito com base no
geoprocessamento, o tema foi
amplamente discutido no 1º
Congresso e Exposição de
Geotecnologia do Nordeste,
realizado no Recife, no mês
passado.