-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

BALANÇA COMERCIAL
União quer reverter déficit na balança em 99

BRASILIA - A Camex (Câmara de Comércio Exterior) espera que a balança comercial não registre déficit em 99, dentro da estratégia do governo de reduzir a dependência do País em relação ao capital externo. Ontem, depois de seis meses de atraso, o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou o Programa Especial de Exportação. "O objetivo é reduzir o déficit comercial", afirmou o secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), José Roberto Mendonça de Barros, referindo-se à estratégia de diminuição dessa dependência.

"Se possível, acabar com o déficit no ano que vem". Segundo Mendonça de Barros, o governo não definiu meta exata para o resultado da balança comercial de 99. "Quando se está no meio da confusão, não se faz projeção", afirmou. Para este ano, o mesmo Mendonça de Barros previa déficit de cerca de US$ 4 bilhões - a metade do registrado em 97.

Nos 12 meses terminados em agosto, entretanto, o resultado negativo chega a US$ 6,8 bilhões. O déficit acumulado no ano é de US$ 3,028 bilhões. Para este ano, a previsão do próprio titular da Camex é que as exportações aumentem apenas 6%, quando a expectativa anterior era de crescimento de 11%. Apesar desses fatos e das incertezas sobre o comportamento da balança comercial nos próximos anos, o governo ainda mantém a meta de atingir o volume de US$ 100 bilhões em exportações em 2002 - o último ano do eventual segundo mandato de FHC.

"Essa meta é mobilizadora, difícil, porém viável", afirmou. Para ele, há quatro argumentos para reforçar a meta: 1) A participação do Brasil no comércio mundial é pequena, de cerca de 0,8% do total de exportações; 2) As exportações brasileiras são diversificadas; 3) Os principais setores produtivos já iniciaram seus processos de reestruturação; 4) Mesmo com o crescimento da economia mundial restrito em 99, há possibilidade de iniciativas dos países mais desenvolvidos no sentido de não permitir o agravamento da crise.

LONGO PRAZO - Medida que dará resultados apenas em médio e longo prazos, o Programa Especial de Exportações beneficiará 58 setores produtivos, incluídos por causa do potencial de aumento de embarques e de competitividade no mercado interno. A idéia é facilitar o contato entre cada um dos setores produtivos com as áreas governamentais que podem colaborar com a ampliação de mercado, com a redução de custos de produção e com o aumento da produtividade. O anúncio do programa veio acompanhado por duas outras medidas.

Uma delas é a aprovação do seguro de crédito de exportação em dólares, que poderá dar maior garantia aos exportadores. A outra é a criação do Simplex, um sistema simplificado para os embarques que somem até US$ 10 mil, ou seja, para estimular os pequenos empresários a exportar. De acordo com duas circulares divulgadas ontem pelo Banco Central, esses pequenos exportadores poderão utilizar um boleto simplificado e não precisarão apresentar a documentação da operação ao BC. Esses embarques poderão ainda ser pagos com cartão de crédito. O BC também autorizou os produtores brasileiros a atender encomendas feitas do exterior e remetê-las por meio do correio. Até agora, essa prática era permitida apenas no caso da importação.

INDÚSTRIA - O mesmo cenário parece se repetir para a indústria automobilística. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), João Carlos Pinheiro Neto as exportações do setor (inclusive partes e motores) deverá alcançar US$ 5,5 bilhões de dólares até o final do ano. Disse o dirigente que esses resultados serão atingidos a despeito da maior agressividade dos países asiáticos e dos efeitos da crise sobre dois mercados recentes do Brasil: a Venezuela e a Rússia. Ressaltou que o Brasil hoje exporta motores para os Estados Unidos, e automóveis para mercados consolidados como o europeu o australiano.


     

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