-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

BALANÇA COMERCIAL II
Indústrias garantem aumento das exportações

BRASÍLIA - As exportações brasileiras de produtos manufaturados vão crescer nos próximos anos e para isso não será necessária qualquer modificação da política cambial em vigor, disseram ontem no Palácio do Planalto dirigentes das associações das indústrias de bens de capital, automobilística, aerospacial e de móveis, durante encontro com jornalistas organizado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Durante a reunião, os representantes da indústria admitiram que em vez de mudanças na política cambial preferem a manutenção das regras do jogo e um esforço adicional para se reduzir as ineficiências decorrentes do excesso de burocracia e da má qualidade da infra-estrutura. Houve consenso, também, quanto à necessidade de uma reforma tributária "inteligente".

Os setores industriais representados no encontro, no Palácio do Planalto, informaram contar com planos de expansão de exportação ambiciosos, a partir de investimentos já feitos ou em curso. As indústrias de móveis e de laminados de madeira, por exemplo, pretendem dobrar sua produção nos próximos três anos, segundo os dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Mobiliário (Abimóvel) e da Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa), respectivamente Nestor Bérgamo e Flávio Luz.

De acordo com Bérgamo, as exportações de móveis brasileiros, hoje situada ao redor de US$ 400 milhões deverá alcançar US$ 2,5 bilhões até 2002, para um mercado global hoje na casa de US$ 52 bilhões. Segundo ele, o programa de exportação do setor mobiliário é consistente, na medida em que se apóia não só em investimentos em maquinaria, mas também em qualidade e design.

Flávio Luz disse que o setor que representa - painéis de madeira e compensados - está investindo R$ 1 bilhão para aumentar e melhorar a qualidade a produção. Sobre o setor, disse Mendonça de Barros tratar-se de exemplo em que a modernização se preocupa com a questão da cadeia produtiva: "o ideal é este, que a placa ande pouco como placa, para ser exportada como móvel, agregando valor ao produto final".

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Mugnaini Júnior, o segmento da indústria que representa aprendeu a sobreviver no mundo mais competitivo da liberalização comercial. "É injusto ainda estarmos pagando impostos para exportar", disse, explicando que ainda existem resíduos tributários na cadeia impositiva.


     

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