BALANÇA COMERCIAL II
Indústrias
garantem aumento das
exportaçõesBRASÍLIA - As
exportações brasileiras de
produtos manufaturados vão
crescer nos próximos anos e para
isso não será necessária
qualquer modificação da
política cambial em vigor,
disseram ontem no Palácio do
Planalto dirigentes das
associações das indústrias de
bens de capital,
automobilística, aerospacial e
de móveis, durante encontro com
jornalistas organizado pela
Câmara de Comércio Exterior
(Camex).
Durante a
reunião, os representantes da
indústria admitiram que em vez
de mudanças na política cambial
preferem a manutenção das
regras do jogo e um esforço
adicional para se reduzir as
ineficiências decorrentes do
excesso de burocracia e da má
qualidade da infra-estrutura.
Houve consenso, também, quanto
à necessidade de uma reforma
tributária
"inteligente".
Os setores
industriais representados no
encontro, no Palácio do
Planalto, informaram contar com
planos de expansão de
exportação ambiciosos, a partir
de investimentos já feitos ou em
curso. As indústrias de móveis
e de laminados de madeira, por
exemplo, pretendem dobrar sua
produção nos próximos três
anos, segundo os dirigentes da
Associação Brasileira da
Indústria de Mobiliário
(Abimóvel) e da Associação
Brasileira da Indústria de
Painéis de Madeira (Abipa),
respectivamente Nestor Bérgamo e
Flávio Luz.
De acordo com
Bérgamo, as exportações de
móveis brasileiros, hoje situada
ao redor de US$ 400 milhões
deverá alcançar US$ 2,5
bilhões até 2002, para um
mercado global hoje na casa de
US$ 52 bilhões. Segundo ele, o
programa de exportação do setor
mobiliário é consistente, na
medida em que se apóia não só
em investimentos em maquinaria,
mas também em qualidade e
design.
Flávio Luz
disse que o setor que representa
- painéis de madeira e
compensados - está investindo R$
1 bilhão para aumentar e
melhorar a qualidade a
produção. Sobre o setor, disse
Mendonça de Barros tratar-se de
exemplo em que a modernização
se preocupa com a questão da
cadeia produtiva: "o ideal
é este, que a placa ande pouco
como placa, para ser exportada
como móvel, agregando valor ao
produto final".
Para o
vice-presidente da Associação
Brasileira de Máquinas e
Equipamentos (Abimaq), Mário
Mugnaini Júnior, o segmento da
indústria que representa
aprendeu a sobreviver no mundo
mais competitivo da
liberalização comercial.
"É injusto ainda estarmos
pagando impostos para
exportar", disse, explicando
que ainda existem resíduos
tributários na cadeia
impositiva.