-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

BALANÇA COMERCIAL III
Medidas de ajuste fiscal são apontadas como insuficientes

As medidas anunciadas ontem pelo Governo Federal não deverão, sozinhas, conter um ataque especulativo ao Real. Dentro de mais alguns dias, provavelmente após as eleições, a União deverá tomar medidas mais duras. A opinião é do economista Alexandre Rands, que considerou tímidas as metas de superávit estabelecidas para 98 e 99 de R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões, respectivamente. Estes valores ficam em torno de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. "Esta meta para o próximo ano já era prometida para 98, mas não foi cumprida devido ao ano eleitoral", completa Rands.

"Se o Governo não conseguir convencer o mercado de que está disposto a tomar medidas mais efetivas, um ataque a moeda pode acontecer antes mesmo das eleições", prevê Rands. O economista acrescenta que entre as alternativas para a proteção do Real e estabilidade econômica está um "controle mais sério" das despesas efetuadas por estados e municípios. "Poderá vir também um aumento de impostos", acredita.

Já o secretário de planejamento de Pernambuco, João Recena, considerou "recessivas" as medidas. "O ajuste adotou medidas que trazem menos impactos negativos para a imagem do Governo Federal e temos dúvidas sobre a eficácia, já que é difícil conseguir o equilíbrio das finanças, quando não se mexe nas principais obras, salários e dívidas", falou Recena.

Os empresários pernambucanos receberam as medidas sem surpresas. De acordo com João Sandoval, presidente do Simmepe, o governo precisa adotar medidas que "selecionem melhor as importações". "Não posso dizer que este anúncio seja suficiente para resolver os problemas, mas espero que o governo não deixe de adotar outras medidas antes que seja tarde", reflete o empresário.

"As medidas podem ter um impacto ruim na economia, pois vão desacelerar o crescimento e impedir o surgimento de novos empregos", avalia o presidente em exercício da Fiepe, Jorge Corte Real. Segundo ele, um aspecto que merece ser observado é a limitação em 80% dos gastos previstos. "Questiono como o governo vai limitar estes gastos sem paralisar obras e convênio", ressalta.


     

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