BALANÇA COMERCIAL III
Medidas
de ajuste fiscal são apontadas
como insuficientes As medidas anunciadas
ontem pelo Governo Federal não
deverão, sozinhas, conter um
ataque especulativo ao Real.
Dentro de mais alguns dias,
provavelmente após as
eleições, a União deverá
tomar medidas mais duras. A
opinião é do economista
Alexandre Rands, que considerou
tímidas as metas de superávit
estabelecidas para 98 e 99 de R$
5 bilhões e R$ 8 bilhões,
respectivamente. Estes valores
ficam em torno de 1% do Produto
Interno Bruto (PIB) nacional.
"Esta meta para o próximo
ano já era prometida para 98,
mas não foi cumprida devido ao
ano eleitoral", completa
Rands.
"Se o
Governo não conseguir convencer
o mercado de que está disposto a
tomar medidas mais efetivas, um
ataque a moeda pode acontecer
antes mesmo das eleições",
prevê Rands. O economista
acrescenta que entre as
alternativas para a proteção do
Real e estabilidade econômica
está um "controle mais
sério" das despesas
efetuadas por estados e
municípios. "Poderá vir
também um aumento de
impostos", acredita.
Já o
secretário de planejamento de
Pernambuco, João Recena,
considerou "recessivas"
as medidas. "O ajuste adotou
medidas que trazem menos impactos
negativos para a imagem do
Governo Federal e temos dúvidas
sobre a eficácia, já que é
difícil conseguir o equilíbrio
das finanças, quando não se
mexe nas principais obras,
salários e dívidas", falou
Recena.
Os empresários
pernambucanos receberam as
medidas sem surpresas. De acordo
com João Sandoval, presidente do
Simmepe, o governo precisa adotar
medidas que "selecionem
melhor as importações".
"Não posso dizer que este
anúncio seja suficiente para
resolver os problemas, mas espero
que o governo não deixe de
adotar outras medidas antes que
seja tarde", reflete o
empresário.
"As
medidas podem ter um impacto ruim
na economia, pois vão
desacelerar o crescimento e
impedir o surgimento de novos
empregos", avalia o
presidente em exercício da
Fiepe, Jorge Corte Real. Segundo
ele, um aspecto que merece ser
observado é a limitação em 80%
dos gastos previstos.
"Questiono como o governo
vai limitar estes gastos sem
paralisar obras e
convênio", ressalta.