BALANÇA COMERCIAL IV
Estado
fica sem benefícios do programa
de exportaçãoO Programa Especial de
Exportações vai trazer poucos
benefícios para Pernambuco, pois
atende principalmente às
pequenas operações. O problema
é que a pauta pernambucana é
baseada em açúcar e álcool, e
para o consultor Aloísio Sotero,
da DataNet Agricommodities, as
vendas de açúcar do Nordeste
só poderão ser estimuladas com
a oferta de subsídio que
compense a desvalorização
cambial dos países que são os
principais concorrentes do
produto, como aconteceu na
Tailândia e Austrália.
A
desvalorização cambial da
Tailândia e da Austrália foi em
média de 25% a 30%, segundo o
consultor. "Com isso, o
açúcar brasileiro perdeu a
competitividade", disse
Sotero. O consultor defende a
criação de um câmbio verde que
seria aplicado à atividade
atingida pela desvalorização
cambial de outros países
concorrentes.
A segunda
medida que poderia estimular as
exportações de açúcar de
Pernambuco, de acordo com Sotero,
seriam a implantação de linhas
de financiamento com taxa de
juros compatíveis aos patamares
do mercado internacional. Os
juros no mercado externo estão
em média a 6,5%, muito mais
baixos que os praticados no
Brasil, que são de 19% conforme
a TBC (Taxa Básica do Banco
Central).
A exportação
de açúcar, segundo o consultor,
representa mais de 50% das vendas
para o exterior de vários
Estados nordestinos. Em
Pernambuco, o açúcar é
responsável historicamente por
55% da pauta de exportação, mas
no primeiro semestre deste ano o
produto participou com 73% das
vendas para o exterior feita pelo
Estado.
A queda das
exportações de açúcar no
Nordeste deve ficar em torno de
35% este ano, numa previsão
feita pela DataNet
Agricommodities. Isso resulta da
quebra de 15% da safra devido ao
fenômeno climático El Niño,
que provocou uma estiagem que
atingiu a Zona da Mata.
O outro fato
que irá contribuir para a queda
de exportações do produto é a
crise da Rússia, informou
Sotero, o principal comprador do
açúcar nordestino. Mais de 30%
do açúcar pernambucano
exportado na última safra foi
vendido para a ex-União
Soviética.