-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

BALANÇA COMERCIAL IV
Estado fica sem benefícios do programa de exportação

O Programa Especial de Exportações vai trazer poucos benefícios para Pernambuco, pois atende principalmente às pequenas operações. O problema é que a pauta pernambucana é baseada em açúcar e álcool, e para o consultor Aloísio Sotero, da DataNet Agricommodities, as vendas de açúcar do Nordeste só poderão ser estimuladas com a oferta de subsídio que compense a desvalorização cambial dos países que são os principais concorrentes do produto, como aconteceu na Tailândia e Austrália.

A desvalorização cambial da Tailândia e da Austrália foi em média de 25% a 30%, segundo o consultor. "Com isso, o açúcar brasileiro perdeu a competitividade", disse Sotero. O consultor defende a criação de um câmbio verde que seria aplicado à atividade atingida pela desvalorização cambial de outros países concorrentes.

A segunda medida que poderia estimular as exportações de açúcar de Pernambuco, de acordo com Sotero, seriam a implantação de linhas de financiamento com taxa de juros compatíveis aos patamares do mercado internacional. Os juros no mercado externo estão em média a 6,5%, muito mais baixos que os praticados no Brasil, que são de 19% conforme a TBC (Taxa Básica do Banco Central).

A exportação de açúcar, segundo o consultor, representa mais de 50% das vendas para o exterior de vários Estados nordestinos. Em Pernambuco, o açúcar é responsável historicamente por 55% da pauta de exportação, mas no primeiro semestre deste ano o produto participou com 73% das vendas para o exterior feita pelo Estado.

A queda das exportações de açúcar no Nordeste deve ficar em torno de 35% este ano, numa previsão feita pela DataNet Agricommodities. Isso resulta da quebra de 15% da safra devido ao fenômeno climático El Niño, que provocou uma estiagem que atingiu a Zona da Mata.

O outro fato que irá contribuir para a queda de exportações do produto é a crise da Rússia, informou Sotero, o principal comprador do açúcar nordestino. Mais de 30% do açúcar pernambucano exportado na última safra foi vendido para a ex-União Soviética.

 
     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes