-...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 06 de setembro de 1998

ESTUDO
Tradicional medicina chinesa ensina como "ouvir o corpo"

por LENEIDE DUARTE
Da agência Globo

Saber escutar o seu próprio corpo. Este é o principal ensinamento da Medicina Tradicional Chinesa, que o médico francês Jean-Marc Eyssalet difunde por todo o mundo. "Devemos aprender a pôr ordem nessa escuta para a qual não é preciso nem palavras, nem imagens, nem conhecimentos a priori", diz Eyssalet.

O médico ensina que na cultura chinesa não existe separação entre corpo e espírito (ou psique). A primeira coisa a fazer, pois, é escutar seu corpo, sua vida, seu psiquismo, muitas vezes sem compreender, mas sem ter medo. Depois, com todos os elementos e a ajuda exterior, deve-se aprender a pôr ordem, a compreender, a escolher uma opção, uma direção proposta por um tipo de conhecimento, por um especialista ou por um amigo.

Segundo diz, o pensamento ocidental tem a pretensão de dizer toda a verdade, mas só explora parte da verdade. "Muitas vezes, o pensamento científico ocidental é arrogante e rejeita o que é diferente. Mas há outros povos que dizem coisas importantes para a humanidade", garante.

ESTUDOS - Com a autoridade de quem estudou os textos canônicos taoístas que servem de base à medicina tradicional chinesa, Eyssalet - que dá seminários na França, em Israel e no Canadá - explica que os chineses nunca especularam de onde vinham nem para onde iam as coisas nem o que elas eram. "A única preocupação deles era ver como elas se desfaziam e se refaziam, se desconstruíam e se reconstruíam a cada momento, segundo alternâncias de ciclos, de ritmos, isto é, segundo os ciclos de energia, sejam o dia e a noite, sejam os meses, os anos ou as estações", explica. Na visão chinesa, o movimento e a função sempre prevaleceram sobre o objeto, isto é, sobre o corpo.

Ele ensina que o corpo é tudo o que o indivíduo sente e vive através das sensações como o tato e a visão. "O corpo é a síntese do filme de sua vida, ao qual você soma o que sente dentro de si mesmo. Era essa energia, esse ritmo, que interessava aos chineses antigos, que elaboraram os fundamentos da medicina tradicional", diz.

Por isso, em vez de irem dissecar os corpos mortos, isto é, já transformados, os chineses deram prioridade à observação do ser vivo em seu corpo, através de seu pulso, seu rosto e sua pele. "A pele é, ao mesmo tempo, a superfície que comunica e a superfície de proteção. É por isso que os grandes eixos rítmicos, os meridianos, são situados sobre a pele. Eles permitem o reajuste do diálogo entre o interior e o exterior. É por isso que se fala em regular, ao invés de tratar. A descrição do corpo energético é um fantástico presente dos chineses à humanidade", diz.

Ele garante que a MTC pode, pela acupuntura e outras técnicas, harmonizar o corpo e tratar as doenças menos graves. "Com a medicina chinesa podem-se prevenir as situações que tornam possível doenças como o câncer. É preciso equilibrar as energias do corpo antes que todos os tipos de desordens se organizem e com a poluição, os alimentos inadequados e fatores genéticos nos levem a desenvolver um câncer. Um olhar mais abrangente em relação à vida, não nos limitaria às vacinas", conclui.


     

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