ESTUDO
Tradicional
medicina chinesa ensina como
"ouvir o corpo"por LENEIDE DUARTE
Da agência Globo
Saber escutar o
seu próprio corpo. Este é o
principal ensinamento da Medicina
Tradicional Chinesa, que o
médico francês Jean-Marc
Eyssalet difunde por todo o
mundo. "Devemos aprender a
pôr ordem nessa escuta para a
qual não é preciso nem
palavras, nem imagens, nem
conhecimentos a priori", diz
Eyssalet.
O médico
ensina que na cultura chinesa
não existe separação entre
corpo e espírito (ou psique). A
primeira coisa a fazer, pois, é
escutar seu corpo, sua vida, seu
psiquismo, muitas vezes sem
compreender, mas sem ter medo.
Depois, com todos os elementos e
a ajuda exterior, deve-se
aprender a pôr ordem, a
compreender, a escolher uma
opção, uma direção proposta
por um tipo de conhecimento, por
um especialista ou por um amigo.
Segundo diz, o
pensamento ocidental tem a
pretensão de dizer toda a
verdade, mas só explora parte da
verdade. "Muitas vezes, o
pensamento científico ocidental
é arrogante e rejeita o que é
diferente. Mas há outros povos
que dizem coisas importantes para
a humanidade", garante.
ESTUDOS -
Com a autoridade de quem estudou
os textos canônicos taoístas
que servem de base à medicina
tradicional chinesa, Eyssalet -
que dá seminários na França,
em Israel e no Canadá - explica
que os chineses nunca especularam
de onde vinham nem para onde iam
as coisas nem o que elas eram.
"A única preocupação
deles era ver como elas se
desfaziam e se refaziam, se
desconstruíam e se reconstruíam
a cada momento, segundo
alternâncias de ciclos, de
ritmos, isto é, segundo os
ciclos de energia, sejam o dia e
a noite, sejam os meses, os anos
ou as estações", explica.
Na visão chinesa, o movimento e
a função sempre prevaleceram
sobre o objeto, isto é, sobre o
corpo.
Ele ensina que
o corpo é tudo o que o
indivíduo sente e vive através
das sensações como o tato e a
visão. "O corpo é a
síntese do filme de sua vida, ao
qual você soma o que sente
dentro de si mesmo. Era essa
energia, esse ritmo, que
interessava aos chineses antigos,
que elaboraram os fundamentos da
medicina tradicional", diz.
Por isso, em
vez de irem dissecar os corpos
mortos, isto é, já
transformados, os chineses deram
prioridade à observação do ser
vivo em seu corpo, através de
seu pulso, seu rosto e sua pele.
"A pele é, ao mesmo tempo,
a superfície que comunica e a
superfície de proteção. É por
isso que os grandes eixos
rítmicos, os meridianos, são
situados sobre a pele. Eles
permitem o reajuste do diálogo
entre o interior e o exterior. É
por isso que se fala em regular,
ao invés de tratar. A
descrição do corpo energético
é um fantástico presente dos
chineses à humanidade",
diz.
Ele garante que
a MTC pode, pela acupuntura e
outras técnicas, harmonizar o
corpo e tratar as doenças menos
graves. "Com a medicina
chinesa podem-se prevenir as
situações que tornam possível
doenças como o câncer. É
preciso equilibrar as energias do
corpo antes que todos os tipos de
desordens se organizem e com a
poluição, os alimentos
inadequados e fatores genéticos
nos levem a desenvolver um
câncer. Um olhar mais abrangente
em relação à vida, não nos
limitaria às vacinas",
conclui.