COMDEX
Saída
contra spam pode ser a educaçãopor GILVANDRO FILHO
gil@jc.com.br
SÃO PAULO -
Capitaneados pelo Comitê Gestor,
representantes dos principais
provedores de acesso à Internet
do país preparam-se para detonar
uma agressiva campanha
educacional anti-spam. A meta é
reduzir o volume de mensagens
não solicitadas que abarrotam as
caixas postais do usuário de
e-mails. O principal alvo são as
empresas comerciais que obtém,
muitas vezes de forma ilegítima,
listas de e-mails e expedem
mensagens publicitárias sem a
autorização do usuário final.
A primeira
reunião para discussão do
assunto ocorreu em meio ao Comdex
98, realizado na semana passada
no Palácio do Anhembi, na
capital paulista. O primeiro ato
dessa luta anti-spam, no entanto,
deve acontecer amanhã (dia 10),
durante nova reunião do Comitê
Gestor.
Na discussão
preliminar chegou-se ao consenso
de que uma ação educativa
funcionará melhor do que a
adoção de medidas repressivas.
Muitos provedores já estão
barrando entrada de spammers
notórios e negando conectividade
a "suspeitos". Esta
posição chegou a ser defendida
por Gustavo Santos, do provedor
NewBit, mas foi derrubada em
favor da tese de uma campanha de
esclarecimento do internauta,
lança por Eric Sanz, da
Associação Nacional de
Provedores de Internet (ANPI).
Para Raphael
Mandarino Neto, presidente da
Sucesu nacional, a imposição de
regras e a punição com multas
não resolvem o problema. "O
spam comercial não é mais grave
do que o spam pessoal, praticado
por gente que muitas vezes nem
sabe que está cometendo o spam.
A saída, portanto, é mostrar a
realidade e chamar à
razão", acredita Mandarino,
para quem os provedores não
podem negar acesso a um spammer.
"O IP, como a telefonia, é
um bem público. Estamos no
início do jogo, no começo da
Internet. É hora de mostrar de
como fazer bom uso desse
serviço", completa.
A posição da
Sucesu é corroborada pela
Associação Brasileira de
Provedores de Acesso à Internet
(Abranet). Seu presidente,
Antônio Tavares, acredita que o
spammer é resultado de um
processo cultural e como tal deve
ser combatido com a única arma
eficaz que seria a
conscientização. "Se você
começa a cria regras e mais
regras acaba estimulando a
ação".
Fábio Marinho,
representante dos provedores no
Comitê Gestor, lembra, porém,
que muitas empresas brasileiras
fazem spam sem, necessariamente,
objetivos criminosos.
"Muitos provedores estão
entregando aos novos usuários
contrato onde consta um código
de ética sobre o que deve ou
não se fazer na usando a
estrutura da Internet",
disse Marinho.