- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

COMDEX
Saída contra spam pode ser a educação

por GILVANDRO FILHO
gil@jc.com.br

SÃO PAULO - Capitaneados pelo Comitê Gestor, representantes dos principais provedores de acesso à Internet do país preparam-se para detonar uma agressiva campanha educacional anti-spam. A meta é reduzir o volume de mensagens não solicitadas que abarrotam as caixas postais do usuário de e-mails. O principal alvo são as empresas comerciais que obtém, muitas vezes de forma ilegítima, listas de e-mails e expedem mensagens publicitárias sem a autorização do usuário final.

A primeira reunião para discussão do assunto ocorreu em meio ao Comdex 98, realizado na semana passada no Palácio do Anhembi, na capital paulista. O primeiro ato dessa luta anti-spam, no entanto, deve acontecer amanhã (dia 10), durante nova reunião do Comitê Gestor.

Na discussão preliminar chegou-se ao consenso de que uma ação educativa funcionará melhor do que a adoção de medidas repressivas. Muitos provedores já estão barrando entrada de spammers notórios e negando conectividade a "suspeitos". Esta posição chegou a ser defendida por Gustavo Santos, do provedor NewBit, mas foi derrubada em favor da tese de uma campanha de esclarecimento do internauta, lança por Eric Sanz, da Associação Nacional de Provedores de Internet (ANPI).

Para Raphael Mandarino Neto, presidente da Sucesu nacional, a imposição de regras e a punição com multas não resolvem o problema. "O spam comercial não é mais grave do que o spam pessoal, praticado por gente que muitas vezes nem sabe que está cometendo o spam. A saída, portanto, é mostrar a realidade e chamar à razão", acredita Mandarino, para quem os provedores não podem negar acesso a um spammer. "O IP, como a telefonia, é um bem público. Estamos no início do jogo, no começo da Internet. É hora de mostrar de como fazer bom uso desse serviço", completa.

A posição da Sucesu é corroborada pela Associação Brasileira de Provedores de Acesso à Internet (Abranet). Seu presidente, Antônio Tavares, acredita que o spammer é resultado de um processo cultural e como tal deve ser combatido com a única arma eficaz que seria a conscientização. "Se você começa a cria regras e mais regras acaba estimulando a ação".

Fábio Marinho, representante dos provedores no Comitê Gestor, lembra, porém, que muitas empresas brasileiras fazem spam sem, necessariamente, objetivos criminosos. "Muitos provedores estão entregando aos novos usuários contrato onde consta um código de ética sobre o que deve ou não se fazer na usando a estrutura da Internet", disse Marinho.


 

 

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