RELATÓRIO
Palestinos
torturam tanto quanto israelensesPARIS - A Anistia
International publicou ontem em
Paris um informe
"consternador" sobre os
direitos humanos
"sistematicamente
atropelados" nos últimos
cinco anos por Israel e pela
Autoridade Palestina em nome da
"segurança".
Uso
"constante" da tortura,
"assassinatos de civis"
e "detenções sem
processo" são citados pelo
relatório publicado por ocasião
do quinto aniversário - 13 de
setembro de 1993 - do acordo de
paz de Oslo entre Israel e os
palestinos:
- Mais de
10.000 palestinos foram detidos
pelas forças de segurança
israelenses, tendo sido
freqüentemente torturados
durante interrogatórios.
- Recorrer à
tortura e à detenção
administrativa sem julgamento
são atos que vêm sendo aceitos
e legitimados pela Corte Suprema
de Israel.
- Uma comissão
investigadora aprovou um
princípio segundo o qual as
forças de segurança sentem-se
autorizadas a matar suspeitos de
atividades 'terroristas' em
qualquer lugar do mundo.
- Desde 1994,
centenas de palestinos opostos ao
processo de paz foram detidos sem
acusação formal nem julgamento
nos territórios sob jurisdição
da Autoridade Palestina.
- O aparato
judicial da Autoridade Palestina
foi praticamente marginalizado e
centenas de pessoas foram
vítimas de processos inócuos e
de tortura enquanto 20 pessoas
morreram na cadeia.
Segundo o
informe, a tortura praticada pela
Autoridade Palestina é exercida
com "freqüência"
contra os suspeitos de
"colaboração" com
Israel e que mais de 200 detidos
não foram indiciados nem mesmo
julgados.
A Anistia foi
particularmente severa com
Israel, a que acusa de
"praticar assassinatos
políticos há mais de 30
anos" em nome da segurança.
"Nos territóorios sob a
Autoridade Palestina, as
pressões externas para eliminar
as fontes do 'terrorismo' deram
lugar, com freqüência, com o
apoio manifesto dos Estados
Unidos, de Israel e de até mesmo
terceiro países, a ondas de
violações de direitos
humanos".