ONDA
DE TERRORISMO
Atentado
com moto-bomba em MacauMACAU - A
explosão de uma
motocicleta-bomba em Macau feriu
ontem 10 jornalistas e quatro
policiais atraídos ao local por
outra explosão ocorrida minutos
antes. A segunda explosão
aconteceu por volta das 2h20
(horário local), cerca de 20
minutos depois que vários
policiais e repórteres chegaram
apressadamente ao local após a
explosão de um carro-bomba.
A polícia
informou numa entrevista coletiva
que a segunda bomba, um artefato
caseiro plantado numa
motocicleta, "muito
provavelmente" foi ativada
por controle remoto.
"Acreditamos
que o ataque teve dois alvos: a
polícia e a imprensa",
disse o porta-voz da Polícia do
Judiciário João Manhão. Ele
afirmou que o ataque tinha como
objetivo "amedrontar a
imprensa e a polícia", já
que a polícia está tendo cada
vez mais sucesso em sua
repressão a criminosos e a
imprensa está divulgando livre e
abertamente casos criminosos e
ações policiais.
O incidente,
descrito por Manhão como
"um ato de covardia",
foi o último de uma série de
atentados a bomba no encrave
português, e o primeiro a ferir
jornalistas.
Todos os 14
feridos sofreram cortes nos
rostos, braços e pernas
provocados por estilhaços de
metal, mas um porta-voz
hospitalar disse que os
ferimentos não eram sérios.
Manhão afirmou que dois jovens
foram vistos fugindo do local
logo depois da segunda explosão.
Imagens da
televisão de Hong Kong mostraram
dois policiais sendo jogados ao
chão pela segunda explosão
enquanto examinavam os destroços
do carro que continha a primeira
bomba. Seguindo-se a um forte
barulho, câmeras viraram-se
rapidamente para mostrar uma
motocicleta em chamas logo em
frente do carro explodido.
Todos os 10
jornalistas eram chineses e
trabalhavam para estações de
televisão e jornais de Hong Kong
e Macau. Dos quatro policiais
feridos na explosão, dois eram
oficiais.
Macau, um
paraíso de jogatina, deve voltar
à soberania chinesa em dezembro
de 1999 depois de 400 anos de
administração portuguesa. Mas
tem sido abalada nos últimos
anos por uma luta pelo poder
protagonizada por gangues que
disputam o controle dos
lucrativos negócios legais e
ilegais vinculados ao jogo.