- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

ONDA DE TERRORISMO
Atentado com moto-bomba em Macau

MACAU - A explosão de uma motocicleta-bomba em Macau feriu ontem 10 jornalistas e quatro policiais atraídos ao local por outra explosão ocorrida minutos antes. A segunda explosão aconteceu por volta das 2h20 (horário local), cerca de 20 minutos depois que vários policiais e repórteres chegaram apressadamente ao local após a explosão de um carro-bomba.

A polícia informou numa entrevista coletiva que a segunda bomba, um artefato caseiro plantado numa motocicleta, "muito provavelmente" foi ativada por controle remoto.

"Acreditamos que o ataque teve dois alvos: a polícia e a imprensa", disse o porta-voz da Polícia do Judiciário João Manhão. Ele afirmou que o ataque tinha como objetivo "amedrontar a imprensa e a polícia", já que a polícia está tendo cada vez mais sucesso em sua repressão a criminosos e a imprensa está divulgando livre e abertamente casos criminosos e ações policiais.

O incidente, descrito por Manhão como "um ato de covardia", foi o último de uma série de atentados a bomba no encrave português, e o primeiro a ferir jornalistas.

Todos os 14 feridos sofreram cortes nos rostos, braços e pernas provocados por estilhaços de metal, mas um porta-voz hospitalar disse que os ferimentos não eram sérios. Manhão afirmou que dois jovens foram vistos fugindo do local logo depois da segunda explosão.

Imagens da televisão de Hong Kong mostraram dois policiais sendo jogados ao chão pela segunda explosão enquanto examinavam os destroços do carro que continha a primeira bomba. Seguindo-se a um forte barulho, câmeras viraram-se rapidamente para mostrar uma motocicleta em chamas logo em frente do carro explodido.

Todos os 10 jornalistas eram chineses e trabalhavam para estações de televisão e jornais de Hong Kong e Macau. Dos quatro policiais feridos na explosão, dois eram oficiais.

Macau, um paraíso de jogatina, deve voltar à soberania chinesa em dezembro de 1999 depois de 400 anos de administração portuguesa. Mas tem sido abalada nos últimos anos por uma luta pelo poder protagonizada por gangues que disputam o controle dos lucrativos negócios legais e ilegais vinculados ao jogo.


 
 

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