PEOPLE
NET
Sandra
Carvalho
Mundo
digital solitário
Você se sente
sozinho, aí olha o computador e
lembra que pode fazer vários
novos amigos por meio dos canais
de Chat. Na primeira semana, tudo
é euforia. Gente de diferentes
países, diferentes culturas
trocando mensagens como se velhos
conhecidos fossem. A segunda
reação é pensar duas vezes
antes de sair para um bar com os
amigos reais. Você se sente mais
próximo dos amigos virtuais,
eles o entendem melhor. Troca
fotografias e cartões-postais
pela rede, mas os amigos virtuais
vivem tão distante que é
impossível receber um abraço
numa ocasião realmente especial.
Resultado: depressão.
Pelo menos é
assim que alguns psicólogos
descrevem o processo de amizades
estabelecidas pela rede. O mais
novo estudo divulgado pela
Universidade de Carnegie Mellon,
nos Estados Unidos, levanta mais
uma vez a discussão sobre o
isolamento social causado pelos
computadores. A imprensa
americana botou lenha na
fogueira. O jornal New York Times
enfatizou a pesquisa com a
manchete "Mundo triste e
solitário no cyberespaco".
Já o Washington Post titulou
"Internet causa
depressão". O estudo
mostrou que os internautas tendem
a estabelecer laços afetivos
frágeis pela rede e muitos se
dão conta de que perderam boa
parte do seu tempo trocando
confidências com estranhos que
eles nuncam vão encontrar.
Os psicólogos
acreditam que dois anos é o
prazo para a pessoa se perguntar
se realmente está enriquecendo
seu tempo conversando pela rede
ou simplesmente jogando minutos
preciosos na lata do lixo. Mas
muitos estudiosos questionam o
método utilizado na pesquisa.
Eles perguntam: é a Internet que
deixa as pessoas deprimidas ou as
pessoas que já estão deprimidas
procuram a Internet? Até agora
nenhuma pesquisa foi realmente
definitiva sobre o assunto. No
entanto, todos estão de acordo
que a rede tem ajudado a
estreitar os laços familiares,
já que muitos parentes utilizam
o e-mail (ao invés do telefone)
para trocar correspondência
rápida quando estão vivendo em
cidades distantes.
Pornografia
infantil
Entidades que
lutam contra a pornografia
infantil estarão reunidas em
janeiro, no quartel-general da
Unesco, em Paris, para coordenar
uma ofensiva mundial contra a
pedofilia promovida na Internet.
Depois da Interpol anunciar a
prisão de pelo menos 100 pessoas
em 12 países por trataresm de
pornografia infantil pela rede, a
Unesco achou mesmo que o assunto
é serio. "Muitas
organizações governamentais
espalhadas pelo planeta ainda
não se deram conta da gravidade
da promoção deste tipo de coisa
na Web. Mas é hora de despertar
para o assunto", ressaltou o
diretor-geral da Unesco Frederico
Mayor. No encontro, polícia de
diversos países, pesquisadores
em prostituição infantil e
grupos de defesa dos direitos
humanos vão discutir estatégias
para impedir a divulgação de
material pornográfico incluindo
crianças no ciberespaço. Há
diversos clubes de pedófilos na
Web que utilizam fotografias de
sexo peverso com crianças de
até dois anos de idade. A maior
parte do material vem dos Estados
Unidos e Europa.
Com
medo
Enquanto o
comércio eletrônico cresce em
extrema velocidade em todo o
mundo, prometendo chegar à faixa
dos US$ 500 bilhões no ano 2002,
um estudo da Andersen Consulting
revela que ainda há hesitação
por boa parte dos empresários
europeus em abraçar este novo
mercado. Cerca de 82% dos
executivos pesquisados acreditam
que o comércio eletrônico terá
mesmo um forte impacto sobre a
economia do futuro. Trinta e nove
porcento se mostram cautelosos em
relação ao assunto e apenas 19%
realmente encaram o mercado
digital como estratégia
competitiva de imediato. Os
motivos do receio dos executivos:
eles ainda não confiam muito na
segurança do tráfego de dados
pela rede, principalmente para
efetuar transações financeiras
online; a comunidade virtual
ainda não está totalmente
familiarizada com as compras
virtuais. Mais de 80% dos
pesquisados acham que o mercado
digital vai mesmo decolar somente
a partir da colaboração mais
intensiva dos governos neste
campo.
China
Vista pelos
olhos mundiais como um potencial
mercado, especialmente no
comércio digital, a China está
mesmo empenhada em fazer jus às
expectativas. O país lançou
dois novos websites voltados para
exportação de tecnologia: o
"Online Technology Export
Fair of China" e o
"China Market Export
Site". Para o chefe do
Ministério do Mercado Exterior
chinês, Shi Guangsheng,
"esta é mais uma
oportunidade para os institutos
de pesquisas venderem seu
know-how e trocarem tecnologia
com empresas estrangeiras".
Além de produtos e serviços
high-tech, os sites vão também
prover às companhias
estrangeiras a oportunidade de
realizar parcerias com as
empresas chinesas. Por falar em
negócios da China, a fabricante
americana de PCs Dell Computer's
acaba de lançar um site para
venda de equipamentos em nove
cidades chinesas, via telefone e
Internet. A companhia acredita
que em cinco anos a China será o
segundo mercado do planeta.
Preocupados
Os
"spams" (e-mails
enganadores e não-autorizados)
não são tão temidos pelos
usuários norte-americanos como
se pensava. O que mais assusta os
internautas é a perda da
privacidade online. Uma pesquisa
feita com mil adultos, em abril,
pelas empresas Privacy &
America Business e Louis Harris
& Associates mostra que 81%
dos entrevistados temem mesmo é
que seus dados pessoais trafeguem
pelo universo virtual. Cerca de
25% estão mais temerosos ao
comprar pela rede ou efetuar
alguma transação financeira.
E-mail
sandramega@hotmail.com
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