-- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998


PEOPLE NET
Sandra Carvalho

Mundo digital solitário

Você se sente sozinho, aí olha o computador e lembra que pode fazer vários novos amigos por meio dos canais de Chat. Na primeira semana, tudo é euforia. Gente de diferentes países, diferentes culturas trocando mensagens como se velhos conhecidos fossem. A segunda reação é pensar duas vezes antes de sair para um bar com os amigos reais. Você se sente mais próximo dos amigos virtuais, eles o entendem melhor. Troca fotografias e cartões-postais pela rede, mas os amigos virtuais vivem tão distante que é impossível receber um abraço numa ocasião realmente especial. Resultado: depressão.

Pelo menos é assim que alguns psicólogos descrevem o processo de amizades estabelecidas pela rede. O mais novo estudo divulgado pela Universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, levanta mais uma vez a discussão sobre o isolamento social causado pelos computadores. A imprensa americana botou lenha na fogueira. O jornal New York Times enfatizou a pesquisa com a manchete "Mundo triste e solitário no cyberespaco". Já o Washington Post titulou "Internet causa depressão". O estudo mostrou que os internautas tendem a estabelecer laços afetivos frágeis pela rede e muitos se dão conta de que perderam boa parte do seu tempo trocando confidências com estranhos que eles nuncam vão encontrar.

Os psicólogos acreditam que dois anos é o prazo para a pessoa se perguntar se realmente está enriquecendo seu tempo conversando pela rede ou simplesmente jogando minutos preciosos na lata do lixo. Mas muitos estudiosos questionam o método utilizado na pesquisa. Eles perguntam: é a Internet que deixa as pessoas deprimidas ou as pessoas que já estão deprimidas procuram a Internet? Até agora nenhuma pesquisa foi realmente definitiva sobre o assunto. No entanto, todos estão de acordo que a rede tem ajudado a estreitar os laços familiares, já que muitos parentes utilizam o e-mail (ao invés do telefone) para trocar correspondência rápida quando estão vivendo em cidades distantes.

Pornografia infantil

Entidades que lutam contra a pornografia infantil estarão reunidas em janeiro, no quartel-general da Unesco, em Paris, para coordenar uma ofensiva mundial contra a pedofilia promovida na Internet. Depois da Interpol anunciar a prisão de pelo menos 100 pessoas em 12 países por trataresm de pornografia infantil pela rede, a Unesco achou mesmo que o assunto é serio. "Muitas organizações governamentais espalhadas pelo planeta ainda não se deram conta da gravidade da promoção deste tipo de coisa na Web. Mas é hora de despertar para o assunto", ressaltou o diretor-geral da Unesco Frederico Mayor. No encontro, polícia de diversos países, pesquisadores em prostituição infantil e grupos de defesa dos direitos humanos vão discutir estatégias para impedir a divulgação de material pornográfico incluindo crianças no ciberespaço. Há diversos clubes de pedófilos na Web que utilizam fotografias de sexo peverso com crianças de até dois anos de idade. A maior parte do material vem dos Estados Unidos e Europa.

Com medo

Enquanto o comércio eletrônico cresce em extrema velocidade em todo o mundo, prometendo chegar à faixa dos US$ 500 bilhões no ano 2002, um estudo da Andersen Consulting revela que ainda há hesitação por boa parte dos empresários europeus em abraçar este novo mercado. Cerca de 82% dos executivos pesquisados acreditam que o comércio eletrônico terá mesmo um forte impacto sobre a economia do futuro. Trinta e nove porcento se mostram cautelosos em relação ao assunto e apenas 19% realmente encaram o mercado digital como estratégia competitiva de imediato. Os motivos do receio dos executivos: eles ainda não confiam muito na segurança do tráfego de dados pela rede, principalmente para efetuar transações financeiras online; a comunidade virtual ainda não está totalmente familiarizada com as compras virtuais. Mais de 80% dos pesquisados acham que o mercado digital vai mesmo decolar somente a partir da colaboração mais intensiva dos governos neste campo.

China

Vista pelos olhos mundiais como um potencial mercado, especialmente no comércio digital, a China está mesmo empenhada em fazer jus às expectativas. O país lançou dois novos websites voltados para exportação de tecnologia: o "Online Technology Export Fair of China" e o "China Market Export Site". Para o chefe do Ministério do Mercado Exterior chinês, Shi Guangsheng, "esta é mais uma oportunidade para os institutos de pesquisas venderem seu know-how e trocarem tecnologia com empresas estrangeiras". Além de produtos e serviços high-tech, os sites vão também prover às companhias estrangeiras a oportunidade de realizar parcerias com as empresas chinesas. Por falar em negócios da China, a fabricante americana de PCs Dell Computer's acaba de lançar um site para venda de equipamentos em nove cidades chinesas, via telefone e Internet. A companhia acredita que em cinco anos a China será o segundo mercado do planeta.

Preocupados

Os "spams" (e-mails enganadores e não-autorizados) não são tão temidos pelos usuários norte-americanos como se pensava. O que mais assusta os internautas é a perda da privacidade online. Uma pesquisa feita com mil adultos, em abril, pelas empresas Privacy & America Business e Louis Harris & Associates mostra que 81% dos entrevistados temem mesmo é que seus dados pessoais trafeguem pelo universo virtual. Cerca de 25% estão mais temerosos ao comprar pela rede ou efetuar alguma transação financeira.

E-mail

sandramega@hotmail.com

 
 

 

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