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NA GRANDE
ÁREA
Armando
Nogueira
Brisa e
tornado
O mar é a
grande aventura do irmãos Grael,
Lars e Torben. Eles navegam com
precisão e amor. Coirmãos dos
ventos, cujos caprichos conhecem,
desde criança. Como conhecem a
manha das águas. Como conhecem o
direito e o avesso dos ventos.
Brisa e tornado.
Velas túmidas
de glórias olímpicas, o barco
de Lars Grael não conhecia a
truculência da máquina, que
golpeia e dilacera, que desfaz a
água em sangue, na serena
inocência do veleiro.
Amado veleiro,
na dor de Lars Grael, eu te
dedico os versos memoráveis de
Fernando Pessoa: "Veleiros -
ai de mim! / Já escasseiam os
barcos veleiros nas águas do mar
/ Quisera ter outra vez, ante
meus olhos, / Só veleiros e
barcos de madeira / Não saber de
mais vida marítima / Que da vida
antiga dos mares."
MEIO DE
MORTE - Pedrinho é mais um
joelho avariado que entra na
aritmética hedionda do carrinho.
Ninguém dirá, em sã
consciência, que o beque do
Cruzeiro quisesse aleijar o
atacante do Vasco. Mas não há
dúvida de que a jogada foi
imprudente. O carrinho é um
gesto deplorável justamente por
implicar alto risco à
integridade física. É
imprudência e, como tal,
culposa.
Jean não foi
castigado pelo árbitro. Nem o
será pelos tribunais esportivos.
Pensando bem, o próprio Jean
acaba sendo tão vítima quanto
sua vítima. Pois a verdade é
que a tal competição de alto
nível está levando o esporte,
seja qual for, a desfigurar a
alma humana. Vive-se a lei do
triunfo a qualquer preço. Os
joelhos que se danem. Mais
importante que o corpo é a
performance. Mais importante que
a vida é a vitória. Mais
importante que a vitória é o
lucro.
É só correr
os olhos pelas quadras, pelos
campos, pelas pistas e o leitor
verá a cena constrangedora das
tantas pernas atadas em peças
ortopédicas com que se pretende
minorar o sofrimento físico de
atletas estropiados na guerra sem
quartel do esporte-negócio. Quem
não está assustado com a ruína
orgânica provocada pelo flagelo
do doping? A farmácia do esporte
está mandando pro espaço a
divisa olímpica.
O carrinho que
estraçalhou o jovem joelho de
Pedrinho é apenas um sinal dos
tempos impiedosos que vive o
esporte. Meio de vida convertido
em meio de morte.
ENTRE O PISO
E O SISO - Guga, meu bom
Guga, diz você que vai abandonar
a quadra rápida e voltar a se
dedicar ao tênis de quadra
lenta. Do cimento pro saibro.
Pense bem: será que seu problema
é mesmo o piso? Siga com titio
Larry, mas recorra a um
psicólogo, que é o que faz
qualquer atleta em crise de
auto-confiança. Você sabe
melhor que ninguém: no tênis de
alto nível raro é o jogador que
não tem um psicólogo de
plantão pra lhe segurar a
cabeça na hora do aperto.
Antes de trocar
de piso, pense em mudar de siso.
UNIVERSIDADE
DO ESPORTE - Estive em
Curitiba, semana passada. Fui
conhecer a Universidade do
Esporte, que é uma das coisas
mais bem boladas que conheço no
campo esportivo. Pode anotar,
leitor: o Paraná vai formar uma
elite de profissionais
científicamente habilitados a
dialogar sobre esporte-negócio
com as águias do mundo
financeiro que estão chegando
cheios de gás. Minhas
felicitações ao governador
Jaime Lerner e ao presidente Sig,
da Fundepar. Em tempo: já pedi
matrícula, como ouvinte, na
Universidade do Esporte.
RÁPIDAS E
RASTEIRAS - Com o intuito de
realçar a obra prima que eram o
Expresso e o Expressinho do
Vasco, na década de 40, acabei
por trocar as bolas, misturando
campeonato carioca e torneio
municipal. Levei um bom catrapo
de gente bem mais atenta que eu.
Perdão, amigos, que a memória
fraquejou feio. / / / / / O
realce do vôlei, no
fim-de-semana, foi, sem dúvida,
o triunfo da equipe da
Universidade de Guarulhos, com
três estrelas de primeira
grandeza, em domingo de gala: Ana
Moser, Marcia Fu e Vera Mossa. As
calouras da equipe não podiam
desejar melhor companhia que
essas três jogadoras.
Esplêndidas criaturas do vôlei
brasileiro. Graça a elas, foi-se
a invencibilidade da equipe do
Leites Nestlé: 3 sets a 1. / / /
/ / Recebo a revista da
"Brasmotor" e fico
sabendo que a empresa investe na
Oficina de Jornalismo Científico
do Observatório da Imprensa. O
observatório é coisa séria.
Basta ver quem é que toca esse
belo barco: Alberto Dines, sempre
de clava em punho, vigilante,
defendendo a ética do
jornalismo, sem esmorecer,
jamais. Bola pra frente, mestre
Dines. / / / / / Sepp Blatter,
aos poucos, vai atualizando a
Fifa: agora, no Mundial, quando
houver prorrogação, a equipe
pode fazer mais duas
substituições, além das três
já de lei. Um dia, a moda se
espalha pra qualquer jogo. Quanto
maior a cota de substituições,
melhor pro espetáculo. É como
no basquete, no vôlei, no
futebol americano. / / / / / Um
belo dia, o cidadão acorda,
decidido: hoje, eu vou comprar
todos os produtos de banho,
shampus, sabonetes, tudo que é
cheiro e todas as roupas e todos
os sapatos de grifes anunciadas
por Michael Jordan, como
garoto-propaganda. Um, de cada.
Sabe quanto vai gastar o
distinto? Um milhão e sessenta
dólares. A conta foi feita pelo
jornal americano Indianápolis
Star. / / / / / Um truque de Pete
Sampras, pra mim, o tenista mais
perfeito da atualidade: nos
hotéis em que se hospeda, ele
quer uma geladeira no
apartamento. É pra conservar as
raquetes durante a noite. Fora da
geladeira, o calor arrebenta
todas as cordas, tamanha a
pressão que ele usa na raquete.
/ / / / / Jô Soares está
escrevendo um novo romance. A
paixão por futebol levou Jô a
criar um personagem, um
anarquista, que chega ao Brasil e
vai torcer pelo Flamengo. É nos
bons tempos de Domingos da Guia e
Leônidas da Silva, no campeonato
de 37. Por sinal, ano de mais um
título de campeão do
Fluminense, clube de Jô.
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