- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998


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Regina Pitóscia

Mercado não se anima com medidas

O mercado não reagiu com entusiasmo às medidas adotadas pelo governo para enfrentar a fuga de capitais. A Bolsa de São Paulo exibiu uma valorização de até 5,02% na primeira hora de pregão, mas reverteu a alta, que coincidiu com o anúncio de corte de gastos públicos pelo ministro Pedro Malan, da Fazenda, e fechou com ligeira baixa de 0,33%.

A rodada de medidas para tentar estancar a revoada de capitais teve início na sexta-feira à noite com a elevação das taxas de juros, pela suspensão temporária da Taxa Básica do Banco Central (TBC) de 19%, que cede lugar à Taxa de Assistência aos Bancos (TBAN), de 29,75%, até 1º de outubro, e teve continuidade ontem, com o compromisso do governo de cortar os gastos públicos. Embora não tenha definido em que setores as despesas serão contidas, a promessa é de um superávit primário, descontados juros e correções monetária e cambial, de R$ 4 bilhões ainda na execução do orçamento deste ano.

A Bolsa de São Paulo esboçou uma reação na parte da tarde, depois de recuar mais de 2%, atribuída por alguns operadores às compras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O fato, porém, é que nem a forte aceleração da Bolsa de Nova York deu sustentação ao mercado doméstico. Animada cada vez mais com possível redução das taxas de juros nos títulos do Tesouro norte-americano, por iniciativa do Federal Reserve Board (Fed, o banco central dos EUA), a Bolsa nova-iorquina fechou o pregão com alta de 4,98% ou avanço de 380,53 pontos, recorde de valorização em número de pontos da história dessa Bolsa. Pela primeira vez desde agosto, a Bolsa de Nova York voltou acima de 8 mil pontos, para 8.020,78 pontos, pouco acima do nível de 7.908 pontos da virada do ano.

Ainda que a previsão de corte nos juros norte-americanos se materialize, parece improvável que ela ocorra antes do dia 29, quando o assunto deve ser analisado pela reunião do Fed. De todo modo, a idéia de redução dos juros, que já havia influenciado positivamente os mercados de ações europeus na segunda-feira, voltou a estimular as Bolsas de Frankfurt, com alta de 3,66%, e de Paris, com avanço de 2,93%, ontem. A de Paris fechou com baixa residual de 0,10%. A maioria das Bolsas asiáticas também apurou alta nos pregões de ontem.

As taxas de juros domésticas avançaram forte tanto nos negócios à vista com nos contratos futuros. A frustração e a desconfiança com as medidas adotas pelo governo até agora ficaram estampadas também nos resultados do leilão de títulos públicos pelo Banco Central (BC) ontem.

Ouro
Fechamento: R$ 11,00
Variação: baixa de 3,51%

O ouro movimentado na BM&F fechou com desvalorização de 3,51%, cotado por R$ 11,00 o grama. O volume negociado foi de apenas 86 kg. No mercado de Nova York, na Comex, a onça-troy de ouro (31,104 gramas) foi cotada por US$ 286,90 nos contratos para vencimento em outubro.

Dólar
Fechamento: R$ 1,290
Variação: alta de 1,57%

A valorização de 1,57% no dia empurrou a cotação de compra para R$ 1,270 e a de venda para R$ 1,290. Embora o câmbio comercial tenha apurado um saldo negativo, ou saída de dólares superior à entrada, de aproximadamente US$ 185 milhões, os preços fecharam em queda de 0,12%, com o dólar cotado por R$ 1,1762 na compra e R$ 1,1770 na venda.

 
 

 

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