ENTREVISTA / José Maria de
Almeida
"Queremos
mudar a correlação de forças
do País"José Maria de
Almeida, 40 anos, metalúrgico de
Santa Albertina, interior de São
Paulo, é o candidato do PSTU à
Presidência da República. Ele
dispõe de apenas 38 segundos no
guia eleitoral mas,
proporcionalmente, é o
adversário que mais vem
incomodando FHC. Até agora, o
presidente já usou duas vezes o
direito de resposta no horário
do PSTU e o TSE examina mais
três pedidos de réplica aos
ataques radicais. "Estamos
incomodando muito Fernando
Henrique Cardoso. Não é sem
razão que ele bate tanto no
PSTU. Nossa estratégia está
sendo atingida e não queremos
contemporizar: vamos intensificar
ainda mais nossa ofensiva radical
e nossa campanha junto aos
movimentos sociais, aos
sindicatos, à juventude
socialista, no campo. Vamos
colocar os trabalhadores nas
ruas, mostrar nossa cara e o
nosso objetivo, que é mudar o
País", disse José Maria,
em rápida entrevista ao JC por
telefone, em um intervalo de sua
maratona de campanha.
Jornal do
Commercio - O PSTU sequer aparece
nas pesquisas de opinião
realizadas nesta campanha. Figura
apenas no percentual de 1% (da
última pesquisa do Ibope)
referente a outros candidatos,
enquanto o presidente Fernando
Henrique Cardoso mantém uma
dianteira que hoje lhe garantiria
vitória já no primeiro turno.
Qual é o objetivo do PSTU ao
participar de uma campanha
presidencial?
José Maria -
O nosso objetivo é mudar o
Brasil. Como? Mudando a
mentalidade das pessoas e com
isso a correlação de forças
existente no País atualmente.
JC - Como
isso seria possível,
objetivamente falando, a essa
altura do campeonato?
JM -
Não é fácil mas não é
impossível, também. Podemos
canalizar os votos daqueles que
estão descontentes com o Governo
FHC. E isso pode perfeitamente
acontecer com o agravamento da
crise financeira internacional.
Ela vai obrigar o Governo, que
vive subordinado aos
especuladores internacionais, a
adotar medidas semelhantes
àquelas do pacote de novembro de
97. Uma delas foi o aumento das
taxas de juros que provocaram o
maior índice de desemprego de
nossa história. Temos que
mostrar para a população que a
preocupação de FHC é garantir
o fluxo de capital externo, mesmo
o de curto prazo, para pagar a
monumental dívida que ele
próprio criou e que já está
estimada em aproximadamente 110
bilhões de dólares.
JC - Mas
todo mundo sabe que o Governo
terá que adotar medidas para se
defender da crise financeira
internacional.
JM -
Claro. Mas o que queremos mostrar
é a vulnerabilidade do Plano
Real. Isso ficará explícito com
o novo pacote econômico. Neste
momento vai cair a máscara da
fantasia do Brasil que só os
marqueteiros de FHC acreditam. O
presidente-candidato anuncia, por
exemplo, a criação de 7,8
milhões de empregos. Mas não é
preciso ser nenhum gênio para
saber que juros altos impedem o
crescimento econômico e que, sem
crescimento não há emprego.
JC- Como o
PSTU, que nasceu de uma
dissidência do PT, vê o PT na
campanha?
JM - Com
muita tristeza. O PT, que tem
muito mais estrutura e
representação deveria estar
conosco nessa luta, denunciando
as manobras do Governo. Mas
preferiu se acomodar, não usar
seu potencial de mobilização,
que é enorme, na expectativa de
receber uma migalha de apoio dos
empresários. Mas nós do PSTU
vamos resgatar todas as bandeiras
que o PT abandonou.