- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

ENTREVISTA / José Maria de Almeida
"Queremos mudar a correlação de forças do País"

José Maria de Almeida, 40 anos, metalúrgico de Santa Albertina, interior de São Paulo, é o candidato do PSTU à Presidência da República. Ele dispõe de apenas 38 segundos no guia eleitoral mas, proporcionalmente, é o adversário que mais vem incomodando FHC. Até agora, o presidente já usou duas vezes o direito de resposta no horário do PSTU e o TSE examina mais três pedidos de réplica aos ataques radicais. "Estamos incomodando muito Fernando Henrique Cardoso. Não é sem razão que ele bate tanto no PSTU. Nossa estratégia está sendo atingida e não queremos contemporizar: vamos intensificar ainda mais nossa ofensiva radical e nossa campanha junto aos movimentos sociais, aos sindicatos, à juventude socialista, no campo. Vamos colocar os trabalhadores nas ruas, mostrar nossa cara e o nosso objetivo, que é mudar o País", disse José Maria, em rápida entrevista ao JC por telefone, em um intervalo de sua maratona de campanha.

Jornal do Commercio - O PSTU sequer aparece nas pesquisas de opinião realizadas nesta campanha. Figura apenas no percentual de 1% (da última pesquisa do Ibope) referente a outros candidatos, enquanto o presidente Fernando Henrique Cardoso mantém uma dianteira que hoje lhe garantiria vitória já no primeiro turno. Qual é o objetivo do PSTU ao participar de uma campanha presidencial?

José Maria - O nosso objetivo é mudar o Brasil. Como? Mudando a mentalidade das pessoas e com isso a correlação de forças existente no País atualmente.

JC - Como isso seria possível, objetivamente falando, a essa altura do campeonato?

JM - Não é fácil mas não é impossível, também. Podemos canalizar os votos daqueles que estão descontentes com o Governo FHC. E isso pode perfeitamente acontecer com o agravamento da crise financeira internacional. Ela vai obrigar o Governo, que vive subordinado aos especuladores internacionais, a adotar medidas semelhantes àquelas do pacote de novembro de 97. Uma delas foi o aumento das taxas de juros que provocaram o maior índice de desemprego de nossa história. Temos que mostrar para a população que a preocupação de FHC é garantir o fluxo de capital externo, mesmo o de curto prazo, para pagar a monumental dívida que ele próprio criou e que já está estimada em aproximadamente 110 bilhões de dólares.

JC - Mas todo mundo sabe que o Governo terá que adotar medidas para se defender da crise financeira internacional.

JM - Claro. Mas o que queremos mostrar é a vulnerabilidade do Plano Real. Isso ficará explícito com o novo pacote econômico. Neste momento vai cair a máscara da fantasia do Brasil que só os marqueteiros de FHC acreditam. O presidente-candidato anuncia, por exemplo, a criação de 7,8 milhões de empregos. Mas não é preciso ser nenhum gênio para saber que juros altos impedem o crescimento econômico e que, sem crescimento não há emprego.

JC- Como o PSTU, que nasceu de uma dissidência do PT, vê o PT na campanha?

JM - Com muita tristeza. O PT, que tem muito mais estrutura e representação deveria estar conosco nessa luta, denunciando as manobras do Governo. Mas preferiu se acomodar, não usar seu potencial de mobilização, que é enorme, na expectativa de receber uma migalha de apoio dos empresários. Mas nós do PSTU vamos resgatar todas as bandeiras que o PT abandonou.


     

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