RUMO AO PLANALTO II
Partido
dos Trabalhadores diz que as
medidas são "tiro no
pé"SÃO PAULO - Foi
um "tiro no pé". Assim
o PT definiu as medidas
anunciadas ontem pelo Governo.
Para a oposição, o ajuste não
vai estancar a fuga de dólares,
o "ponto crucial da crise
financeira". "É
perfumaria, pacote eleitoreiro.
Duvido que o mercado financeiro
aceite essa encenação",
disse Guido Mantega, porta-voz da
equipe de economistas da
coligação das esquerdas e
assessor de Luiz Inácio Lula da
Silva.
Os
oposicionistas voltaram a
defender o controle cambial, para
regular a saída de divisas de
forma emergencial e temporária.
A única medida considerada
positiva pelas oposições é o
incentivo às exportações,
ainda que tímido, porque o
Governo não tenciona, segundo o
PT, em reduzir as importações.
Mantega
suspeita que, para evitar
impopularidade a 24 dias do
pleito, não foram anunciadas
"todas as medidas que rezam
a própria cartilha do
Governo" e que "FHC
gostaria de tomar". Uma
delas, segundo Mantega, é o
aumento dos impostos, o que ele
prevê para depois das
eleições. Mantega sustenta que
o aumento de 50% dos juros
(definido na última sexta-feira
pelo governo) vai criar uma
despesa muito superior à
economia que será gerada pelo
corte de R$ 4 bilhões do
orçamento de 1998 deflagrado
ontem.
Em caminhada
ontem pelas ruas do centro de
São Paulo, o candidato do PT à
Presidência, Luiz Inácio Lula
da Silva, chamou o presidente FHC
de "cínico". A
afirmação foi uma referência
à propaganda de televisão de
FHC, na qual o presidente
sustenta que o País não pode
dar marcha a ré. "É muito
importante dar marcha a ré
quando o caminho que estamos
seguindo não presta e é cheio
de turbulências e de
buracos", disse Lula. Ao se
referir à crise dos mercados
internacionais, o candidato
classificou o Governo FHC e sua
equipe econômica de covardes.
O ex-governador
Leonel Brizola, candidato a
vice-presidente na chapa de Lula,
disse ontem que as medidas
anunciadas pelo Governo são
"medidas Sloper".
"São quinquilharias, artigo
principal daquela loja",
disse Brizola, referindo-se a um
estabelecimento comercial do Rio.
"São medidas para inglês
ver, para mostrar para os
gringos, só aparência."