- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

RUMO AO PLANALTO II
Partido dos Trabalhadores diz que as medidas são "tiro no pé"

SÃO PAULO - Foi um "tiro no pé". Assim o PT definiu as medidas anunciadas ontem pelo Governo. Para a oposição, o ajuste não vai estancar a fuga de dólares, o "ponto crucial da crise financeira". "É perfumaria, pacote eleitoreiro. Duvido que o mercado financeiro aceite essa encenação", disse Guido Mantega, porta-voz da equipe de economistas da coligação das esquerdas e assessor de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os oposicionistas voltaram a defender o controle cambial, para regular a saída de divisas de forma emergencial e temporária. A única medida considerada positiva pelas oposições é o incentivo às exportações, ainda que tímido, porque o Governo não tenciona, segundo o PT, em reduzir as importações.

Mantega suspeita que, para evitar impopularidade a 24 dias do pleito, não foram anunciadas "todas as medidas que rezam a própria cartilha do Governo" e que "FHC gostaria de tomar". Uma delas, segundo Mantega, é o aumento dos impostos, o que ele prevê para depois das eleições. Mantega sustenta que o aumento de 50% dos juros (definido na última sexta-feira pelo governo) vai criar uma despesa muito superior à economia que será gerada pelo corte de R$ 4 bilhões do orçamento de 1998 deflagrado ontem.

Em caminhada ontem pelas ruas do centro de São Paulo, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, chamou o presidente FHC de "cínico". A afirmação foi uma referência à propaganda de televisão de FHC, na qual o presidente sustenta que o País não pode dar marcha a ré. "É muito importante dar marcha a ré quando o caminho que estamos seguindo não presta e é cheio de turbulências e de buracos", disse Lula. Ao se referir à crise dos mercados internacionais, o candidato classificou o Governo FHC e sua equipe econômica de covardes.

O ex-governador Leonel Brizola, candidato a vice-presidente na chapa de Lula, disse ontem que as medidas anunciadas pelo Governo são "medidas Sloper". "São quinquilharias, artigo principal daquela loja", disse Brizola, referindo-se a um estabelecimento comercial do Rio. "São medidas para inglês ver, para mostrar para os gringos, só aparência."


     

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