- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998


TOQUES
José Teles

Cena musical volta a esquentar

Depois do pique inicial, a cena musical recifense passou por uma morgação natural, e agora voltou a esquentar com fogo pra todos os gostos. Em discos há muitos anos que não se viam tanto lançamento de artistas locais. Do professor Ariano Suassuna, que lançou seu Poesia Viva, ontem, no Sesc, ao anárquico Paulo Francis Vai Pro Céu, com Sacha (se Marlene Matos toma conhecimento vai dar rolo). O Cascabulho lança oficialmente hoje, com um café da manhã bem nordestino, num restaurante em Casa Forte, seu Fome Dá Dor De Cabeça. Sexta que vem, no Sesi, em Paratibe, é vez de lançamento do CD, Pastoril Folião, uma coletânea de frevos, interpretadas por Silvério Pessoa (do supracitado Cascabulho), Maciel Melo, Walmir Chagas, Kelly Benevides, Dalva Torres e mais uma porção de gente. E o legal é que toda esta efervescência não tem nada a ver com música de baixo nível, nem com o modismo circunstancial do forró.

O Aerosmith, quem diria?

Um quarto de século atrás o Aerosmith era destratado pela crítica como xerox dos Rolling Stones. Agora a banda chega aos 25 anos com status de ícone. A Billboard, a revista que dá as cartas no show business, desta quinzena, traz nada menos de 31 páginas com Steve Tyler e cia. Nada como um dia atrás do outro, etc e tal.

Parceria

Lula Cortes e Ortinho (Querosene Jacaré) compondo juntos músicas para um CD que já tem até título: Sangue de Barata.

É pau

Sábado, o Maluco Beleza, vibra literalmente com decibéis saindo pelo ladrão. É o Super Sat Rock, que traz Ratos de Porão, Câmbio Negro, Caiçara, Serpente Negra e Solução de Bateria.

Os desconhecidos

Quem gosta da história da música pop importe o livro Unknown Legends of Rock'n Roll: Psychodelics Unknowns, Mad Genius, Punk Pioneers, Lo-Fi Mavericks & More, de Richie Unterberger (Millie Freeman Books, 422 páginas, $19,95). Unterberger conta a história do rock pela ótica dos vencidos, ou quase. Artistas influentes mas em sua maioria esquecidos. Alguns: Skip Spencer, guitarrista do Moby Grape, que depois de um show, viajou em LSD, achou que estava possuído pelo demo tentou matar, com um machado, Don Stevenson, o baterista da banda. Spencer nunca mais se recuperou; Larry Collins, que foi o pioneiro da guitarra de dois braços, pelo menos 15 anos antes de Jimmy Page; Graham Bond, líder da Graham Bond Organization (ele mais Jack Bruce e Ginger Baker), que virou drogonauta, e atirou-se debaixo de um trem, em Londres, em 1974; Eddie Phillips da ótima banda inglesa Creation, primeirão no uso do uso de arco de violino pra tocar guitarra (prática que se atribui a Jimmy Page). Leitura divertida e ainda vem com um CD de lambugem, com a música dos desconhecidos.

 
 

 

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