- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

VAQUEJADA
Tem festa no interior

por LUIZ CLAUDIO FERREIRA

Prepare a calça jeans, as botas de couro e o chapéu. Seja ele ou ela, estará prontíssimo para acompanhar a vaquejada. Uma verdadeira festa que está movimentando cada vez mais dinheiro e fazendo crescer o turismo em várias cidades do interior do Nordeste. A fórmula do sucesso é aparentemente simples: tradição, competição e muito forró. Por isso mesmo, esteja em dia com a disposição física, mesmo que não vá subir no cavalo para derrubar o boi.

Durante os três dias que, normalmente, compreendem o evento, você vai acabar elegendo uma dupla de vaqueiros para torcer. Mesmo sabendo que assistir às competições termina se transformando num motivo coadjuvante para boa parte dos freqüentadores. Naquele clima rural, o parque de vaquejada torna-se principalmente um território amplo para paqueras, um campo ao ar livre, que faz uma massa de jovens não pensar duas vezes em trocar a praia, os bares e as boates para gritar "valeu boi", a vibração de gol da vaquejada.

Foi com essa intenção de "diversificar" que um grupo de dez universitários, entre rapazes e moças, trocou, no último dia 21, o calor que fazia no Recife para viajar 100 quilômetros até o município de Bezerros, onde aconteceu a 7ª Etapa do Circuito Pernambucano de Vaquejada. Metidos em agasalhos e embalados por misturas de vodka com refrigerante (na maior parte do tempo a temperatura ficava abaixo dos 20 graus centígrados), os jovens entendiam muito pouco da disputa entre os vaqueiros. Mas não viam programa melhor para o final de semana, como deixava bem claro o mais velho, Luciano Almeida, 23 anos: "Não perdemos uma vaquejada. Temos a grande chance de sairmos todos noivos daqui".

A turma que corre desesperadamente atrás da flecha do Cupido é apenas mais uma entre as tantas que chegam no começo da festa e passam dias inteiros no vai-e-vem das arquibancadas. Enquanto o sol não vai embora, é o momento de acompanhar as disputas que se desenrolam no campo de areia, escutando muito forró no carro de som. Esse é, também, o momento de marcar encontros para logo mais à noite. "Não se pode perder tempo. Durante o dia ainda é possível conversar direito. À noite, a concorrência é muito maior", explica Ivana Bradley, 22 anos.

Ela tem razão. Aproveite a manhã e a tarde para andar tranqüilamente sem precisar pedir licença a cada passo. Porque quando a noite chega, as bandas começam a tocar, a vaquejada continua com as "brigas" mais acirradas, e todos os ambientes lotam. É uma espécie de Carnaval em Olinda, sem ladeiras, e em chão de terra batida.

Além dos jovens, os que já passaram dos 40 também marcam presença. Por outros motivos. O pecuarista Abel Vasconcelos, de 52, é "fascinado pelas corridas, desde criança". "No interior, o recém-nascido é logo levado a uma vaquejada. É sinal de que crescerá forte e será apaixonado pela melhor festa do mundo".

Lá pelas duas horas da manhã, há um intervalo nas eliminatórias da vaquejada, mas a farra continua. Você só vai perceber que é hora de ir embora quando o sol aparecer. A música vai parar, alguns vaqueiros já estarão chegando para mais um dia de competições, e só então será permitido pronunciar a palavra proibida nessa festa: cansaço.


     

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