VAQUEJADA
Tem
festa no interiorpor LUIZ CLAUDIO
FERREIRA
Prepare a
calça jeans, as botas de couro e
o chapéu. Seja ele ou ela,
estará prontíssimo para
acompanhar a vaquejada. Uma
verdadeira festa que está
movimentando cada vez mais
dinheiro e fazendo crescer o
turismo em várias cidades do
interior do Nordeste. A fórmula
do sucesso é aparentemente
simples: tradição, competição
e muito forró. Por isso mesmo,
esteja em dia com a disposição
física, mesmo que não vá subir
no cavalo para derrubar o boi.
Durante os
três dias que, normalmente,
compreendem o evento, você vai
acabar elegendo uma dupla de
vaqueiros para torcer. Mesmo
sabendo que assistir às
competições termina se
transformando num motivo
coadjuvante para boa parte dos
freqüentadores. Naquele clima
rural, o parque de vaquejada
torna-se principalmente um
território amplo para paqueras,
um campo ao ar livre, que faz uma
massa de jovens não pensar duas
vezes em trocar a praia, os bares
e as boates para gritar
"valeu boi", a
vibração de gol da vaquejada.
Foi com essa
intenção de
"diversificar" que um
grupo de dez universitários,
entre rapazes e moças, trocou,
no último dia 21, o calor que
fazia no Recife para viajar 100
quilômetros até o município de
Bezerros, onde aconteceu a 7ª
Etapa do Circuito Pernambucano de
Vaquejada. Metidos em agasalhos e
embalados por misturas de vodka
com refrigerante (na maior parte
do tempo a temperatura ficava
abaixo dos 20 graus
centígrados), os jovens
entendiam muito pouco da disputa
entre os vaqueiros. Mas não viam
programa melhor para o final de
semana, como deixava bem claro o
mais velho, Luciano Almeida, 23
anos: "Não perdemos uma
vaquejada. Temos a grande chance
de sairmos todos noivos
daqui".
A turma que
corre desesperadamente atrás da
flecha do Cupido é apenas mais
uma entre as tantas que chegam no
começo da festa e passam dias
inteiros no vai-e-vem das
arquibancadas. Enquanto o sol
não vai embora, é o momento de
acompanhar as disputas que se
desenrolam no campo de areia,
escutando muito forró no carro
de som. Esse é, também, o
momento de marcar encontros para
logo mais à noite. "Não se
pode perder tempo. Durante o dia
ainda é possível conversar
direito. À noite, a
concorrência é muito
maior", explica Ivana
Bradley, 22 anos.
Ela tem razão.
Aproveite a manhã e a tarde para
andar tranqüilamente sem
precisar pedir licença a cada
passo. Porque quando a noite
chega, as bandas começam a
tocar, a vaquejada continua com
as "brigas" mais
acirradas, e todos os ambientes
lotam. É uma espécie de
Carnaval em Olinda, sem ladeiras,
e em chão de terra batida.
Além dos
jovens, os que já passaram dos
40 também marcam presença. Por
outros motivos. O pecuarista Abel
Vasconcelos, de 52, é
"fascinado pelas corridas,
desde criança". "No
interior, o recém-nascido é
logo levado a uma vaquejada. É
sinal de que crescerá forte e
será apaixonado pela melhor
festa do mundo".
Lá pelas duas
horas da manhã, há um intervalo
nas eliminatórias da vaquejada,
mas a farra continua. Você só
vai perceber que é hora de ir
embora quando o sol aparecer. A
música vai parar, alguns
vaqueiros já estarão chegando
para mais um dia de
competições, e só então será
permitido pronunciar a palavra
proibida nessa festa: cansaço.