- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

VAQUEJADA II
Evento requer altos investimentos

Os empresários envolvidos com as vaquejadas costumam dizer que o esporte é a "Fórmula 1 do Brasil". A cada prova, novas estruturas. E novos investimentos. A coordenadora de infra-estrutura do circuito pernambucano, Catarina Rodrigues, diz que o gasto para organizar um evento desse tipo fica na média de R$ 150 mil. Os prêmios são normalmente carros de valores acima de R$ 50 mil, motos e dinheiro.

Quem participa também paga caro. Grande parte dos que participam são fazendeiros ou pessoas que têm patrocínio de empresas. "As despesas são gigantescas", afirma o empresário e vaqueiro José Flávio Piagentino, de Caruaru, campeão de algumas provas de circuitos no Norte/Nordeste. Para se ter uma idéia, na etapa de Bezerros (realizada em agosto), competiram 292 duplas de todo o país, que gastaram R$ 500,00, cada, apenas com a inscrição.

Sem falar nos cuidados com os animais. "Um cavalo é uma nova casa para abastecer", compara José Flávio. Não é exagero. Em cada etapa ele calcula que gasta R$ 2 mil com o cavalo. O tratamento é de alto nível. O animal que corre com ele é conduzido em veículos exclusivos e come apenas legumes. Nada de produtos gordurosos. "Podem deixá-lo estressado e é muito importante que ele esteja disposto e calmo", explica. A aparência também exige uma atenção especial. O animal tem direito a shampoo, condicionador e escova especial.

TRADIÇÃO - Além de vencer, os vaqueiros têm uma preocupação muito grande em fazer com que a tradição não se acabe. Levam filhos, às vezes de colo, para a competição. Por isso, quando você for a uma vaquejada, não estranhe quando vir crianças de 5, 6 anos desfilando pelo parque montadas no cavalo. "Essa molecada é criada no lombo do animal", diz José Flávio, junto à filha de dois anos. Uma das "feras" da nova geração é Thiago Alves, de 12 anos. "Já sou experiente. Corro na categoria mirim há 7 anos", conta. Ele diz que todos na sua família, até as mulheres, participam de vaquejadas.

Para provar que a competição não está limitada aos homens, três irmãs participaram juntas da 7ª etapa do circuito pernambucano, realizada em Bezerros. Suelem (16 anos), Cristina (16 anos) e Sandra Siqueira (15 anos) não perdem a oportunidade de correr uma etapa. "Não é um esporte apenas para homem, mas para gente de coragem", dizem. Elas garantem que não existe nenhum impedimento para a participação de "vaqueiras". "Basta saber montar e puxar com firmeza o rabo do boi", afirmam. Elas são filhas de fazendeiro, patrocinadas pelo "paizão".

FARRA - Se o vaqueiro precisa ter grandes recursos, quem vai simplesmente assistir às competições e aos shows não paga mais que R$ 10,00 pelo ingresso. O que permite que os parques onde acontecem os eventos fiquem lotados sempre que há vaquejadas.

Ganham as lanchonetes, os vendedores de bugigangas e ambulantes que ocupam o espaço. Vários deles sobrevivem exclusivamente do evento. O vendedor de chapéu Juarez Tavarez, por exemplo, sai de Caicó (RN) e segue a trilha das vaquejadas para ganhar até R$ 150,00 por cada evento. (L.C.F.)


     

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