VAQUEJADA II
Evento
requer altos investimentosOs empresários
envolvidos com as vaquejadas
costumam dizer que o esporte é a
"Fórmula 1 do Brasil".
A cada prova, novas estruturas. E
novos investimentos. A
coordenadora de infra-estrutura
do circuito pernambucano,
Catarina Rodrigues, diz que o
gasto para organizar um evento
desse tipo fica na média de R$
150 mil. Os prêmios são
normalmente carros de valores
acima de R$ 50 mil, motos e
dinheiro.
Quem participa
também paga caro. Grande parte
dos que participam são
fazendeiros ou pessoas que têm
patrocínio de empresas. "As
despesas são gigantescas",
afirma o empresário e vaqueiro
José Flávio Piagentino, de
Caruaru, campeão de algumas
provas de circuitos no
Norte/Nordeste. Para se ter uma
idéia, na etapa de Bezerros
(realizada em agosto), competiram
292 duplas de todo o país, que
gastaram R$ 500,00, cada, apenas
com a inscrição.
Sem falar nos
cuidados com os animais. "Um
cavalo é uma nova casa para
abastecer", compara José
Flávio. Não é exagero. Em cada
etapa ele calcula que gasta R$ 2
mil com o cavalo. O tratamento é
de alto nível. O animal que
corre com ele é conduzido em
veículos exclusivos e come
apenas legumes. Nada de produtos
gordurosos. "Podem deixá-lo
estressado e é muito importante
que ele esteja disposto e
calmo", explica. A
aparência também exige uma
atenção especial. O animal tem
direito a shampoo, condicionador
e escova especial.
TRADIÇÃO -
Além de vencer, os vaqueiros
têm uma preocupação muito
grande em fazer com que a
tradição não se acabe. Levam
filhos, às vezes de colo, para a
competição. Por isso, quando
você for a uma vaquejada, não
estranhe quando vir crianças de
5, 6 anos desfilando pelo parque
montadas no cavalo. "Essa
molecada é criada no lombo do
animal", diz José Flávio,
junto à filha de dois anos. Uma
das "feras" da nova
geração é Thiago Alves, de 12
anos. "Já sou experiente.
Corro na categoria mirim há 7
anos", conta. Ele diz que
todos na sua família, até as
mulheres, participam de
vaquejadas.
Para provar que
a competição não está
limitada aos homens, três irmãs
participaram juntas da 7ª etapa
do circuito pernambucano,
realizada em Bezerros. Suelem (16
anos), Cristina (16 anos) e
Sandra Siqueira (15 anos) não
perdem a oportunidade de correr
uma etapa. "Não é um
esporte apenas para homem, mas
para gente de coragem",
dizem. Elas garantem que não
existe nenhum impedimento para a
participação de
"vaqueiras".
"Basta saber montar e puxar
com firmeza o rabo do boi",
afirmam. Elas são filhas de
fazendeiro, patrocinadas pelo
"paizão".
FARRA -
Se o vaqueiro precisa ter grandes
recursos, quem vai simplesmente
assistir às competições e aos
shows não paga mais que R$ 10,00
pelo ingresso. O que permite que
os parques onde acontecem os
eventos fiquem lotados sempre que
há vaquejadas.
Ganham as
lanchonetes, os vendedores de
bugigangas e ambulantes que
ocupam o espaço. Vários deles
sobrevivem exclusivamente do
evento. O vendedor de chapéu
Juarez Tavarez, por exemplo, sai
de Caicó (RN) e segue a trilha
das vaquejadas para ganhar até
R$ 150,00 por cada evento. (L.C.F.)