VAQUEJADA III
O
que é preciso para ouvir valeu
boiMesmo que o seu
principal motivo para ir a uma
vaquejada seja o de dançar
forró, é bom que saiba as
regras do esporte. Pode ser o
início de um interessante
bate-papo. Tudo é muito simples.
O objetivo do jogo é fazer o
"valeu boi". O locutor
grita essas palavras quando a
dupla de vaqueiros, montada em
cavalos, consegue derrubar o boi
dentro de uma área de
aproximadamente 10 metros,
marcada por faixas de cal. A
pista toda tem um tamanho
equivalente à metade de um campo
de futebol.
Cada corredor
da dupla tem a sua função. Um
é o puxador, aquele que vai
puxar o rabo do animal para que
ele caia no campo de areia. O
outro é o esteira. Cabe a esse
último cercar o boi para que ele
não fuja e também para que o
puxador fique na melhor posição
possível. Quando o objetivo não
é conquistado, para sorte do
boi, a dupla recebe o anúncio do
fracasso. "É zero",
diz o locutor. O que não é
motivo de desânimo total. Cada
dupla corre três vezes para
alcançar a somatória de 27
pontos. A distribuição é feita
da seguinte forma: quem faz o
"valeu boi" na primeira
tentativa tem 8 pontos, na
segunda, 9, e na terceira, 10.
Aqueles que vão conseguindo os
melhores resultados se
classificam para os dias
seguintes.
O locutor de
vaquejadas Rogeris Marcolino, que
também é psicólogo, explica
que a narração desse esporte
não usa termos muito
específicos como a do rodeio
(competição em que o vaqueiro
precisa ficar oito segundos sobre
o boi). "Narro há nove anos
a vaquejada de forma clara.
Sempre tem muita gente no parque
que nunca assistiu a uma
vaquejada na vida",
preocupa-se.
Depois de
entendido o jogo, é inevitável
se envolver com toda a história.
Vale prestar atenção, por
exemplo, nas pessoas que fazem a
festa acontecer. Como o
funcionário que joga cal no
campo, a cada dois minutos, para
fazer a marcação das faixas.
José Marcionílio da Silva, de
55 anos, afirma que recebe R$
150,00 por três dias de
vaquejada, mas que faz o trabalho
muito mais por prazer.
A vaquejada,
esporte que hoje envolve regras e
tanta gente, originou-se do
trabalho solitário de vaqueiros
de fazendas nordestinas. Eles
eram considerados os
"corajosos" que
entravam pela caatinga,
derrubavam o boi e traziam o
animal de volta à fazenda. Os
antigos coronéis estimulavam a
competição entre eles. Depois
de várias modificações, a
prática virou esporte e ganhou
caráter profissional. (L.C.F.)