- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

VAQUEJADA III
O que é preciso para ouvir valeu boi

Mesmo que o seu principal motivo para ir a uma vaquejada seja o de dançar forró, é bom que saiba as regras do esporte. Pode ser o início de um interessante bate-papo. Tudo é muito simples. O objetivo do jogo é fazer o "valeu boi". O locutor grita essas palavras quando a dupla de vaqueiros, montada em cavalos, consegue derrubar o boi dentro de uma área de aproximadamente 10 metros, marcada por faixas de cal. A pista toda tem um tamanho equivalente à metade de um campo de futebol.

Cada corredor da dupla tem a sua função. Um é o puxador, aquele que vai puxar o rabo do animal para que ele caia no campo de areia. O outro é o esteira. Cabe a esse último cercar o boi para que ele não fuja e também para que o puxador fique na melhor posição possível. Quando o objetivo não é conquistado, para sorte do boi, a dupla recebe o anúncio do fracasso. "É zero", diz o locutor. O que não é motivo de desânimo total. Cada dupla corre três vezes para alcançar a somatória de 27 pontos. A distribuição é feita da seguinte forma: quem faz o "valeu boi" na primeira tentativa tem 8 pontos, na segunda, 9, e na terceira, 10. Aqueles que vão conseguindo os melhores resultados se classificam para os dias seguintes.

O locutor de vaquejadas Rogeris Marcolino, que também é psicólogo, explica que a narração desse esporte não usa termos muito específicos como a do rodeio (competição em que o vaqueiro precisa ficar oito segundos sobre o boi). "Narro há nove anos a vaquejada de forma clara. Sempre tem muita gente no parque que nunca assistiu a uma vaquejada na vida", preocupa-se.

Depois de entendido o jogo, é inevitável se envolver com toda a história. Vale prestar atenção, por exemplo, nas pessoas que fazem a festa acontecer. Como o funcionário que joga cal no campo, a cada dois minutos, para fazer a marcação das faixas. José Marcionílio da Silva, de 55 anos, afirma que recebe R$ 150,00 por três dias de vaquejada, mas que faz o trabalho muito mais por prazer.

A vaquejada, esporte que hoje envolve regras e tanta gente, originou-se do trabalho solitário de vaqueiros de fazendas nordestinas. Eles eram considerados os "corajosos" que entravam pela caatinga, derrubavam o boi e traziam o animal de volta à fazenda. Os antigos coronéis estimulavam a competição entre eles. Depois de várias modificações, a prática virou esporte e ganhou caráter profissional. (L.C.F.)


     

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