PASSEIOS HISTÓRICOS-CULTURAIS
Agências
especializam-se no turismo
pedagógicopor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
Quem já não
fez aquelas excursões de escola
que significavam esquecer os
livros e fazer farra até com os
professores? As viagens com os
companheiros de sala ainda fazem
parte do cotidiano dos alunos e a
idéia ainda é se divertir. No
entanto, na era da
globalização, estudante que se
preza tem preocupações a mais
do que simplesmente voltar com
aquele bronzeado ou com fotos e
histórias divertidas. A
intenção é aliar lazer a
cultura. É a vez do turismo
pedagógico, segmento que, nos
últimos anos, vem se destacando
no estado.
A primeira
agência desse ramo em Pernambuco
foi a Espaço Pedagógico,
fundada há seis anos. A idéia,
segundo o proprietário, o
ex-professor de matemática
Carlos Tiburcio Cavalcanti,
partiu da experiência de tentar
organizar excursões para suas
turmas de alunos. "Ou nós,
professores, perdíamos muito
tempo cuidando dos detalhes de
cada viagem ou contratávamos uma
agência de turismo convencional
e o resultado não era exatamente
o que esperávamos", afirma.
Segundo Carlos,
a maior vantagem de uma agência
especializada nas excursões
escolares é justamente a de
fazer roteiros adaptados aos
alunos, de acordo com a idade e
as matérias que se quer abordar.
Entram em cena roteiros
diferenciados, em destinos para
onde jamais se pensou em levar
estudantes (a maioria entre 10 e
17 anos) numa viagem convencional
- como a região da usina
hidrelétrica de Xingó (BA) e a
Serra da Barriga (AL).
Em cada lugar,
uma oportunidade de
"estudar" uma ou mais
matérias. No caso de Xingó,
dicas de biologia, física e
geografia. Já as lições de
História do Brasil ficam mais
interessantes quando a sala de
aula é na Serra da Barriga, no
município de União dos
Palmares, em Alagoas. Foi ali
onde o líder negro Zumbi colocou
em prática a maior resistência
contra a escravidão de que se
tem notícia.
Já a
pré-história é enfocada no
município de Ingá do Bacamarte,
na Paraíba, um dos locais mais
procurados para conhecer mais
sobre este período. Ali estão
inscrições feitas há milhares
de anos pelo homem, num grande
rochedo conhecido como Pedra do
Ingá (veja matéria abaixo).
Às vezes, o
destino é até mais conhecido
(como no velho e concorrido
passeio a Fortaleza), mas a
diferença é que, no meio do
caminho, há paradas que antes
não faziam parte da
programação. Um dos pontos de
visitação é o Porto de Amaro,
local de maior produção de
petróleo do Rio Grande do Norte,
onde um técnico da Petrobras faz
o papel do professor. Conhecer
uma salina, em passeio guiado por
um químico, é outra
oportunidade para aprender um
pouco mais sobre o que os livros
de química só falam, mas não
mostram, antes de se chegar à
capital cearense e se esbaldar no
Beach Park e em outros pontos
badalados.
FORMAÇÃO -
Nessas viagens, os guias não
são apenas acompanhantes ou
animadores das viagens. Eles se
tornam professores fora da sala
de aula. Por isso, a preparação
deles é essencial para uma
agência que segue o ramo
pedagógico. A partir da
solicitação do proprietário da
Espaço Pedagógico, o Senac
criou um curso de
especialização para guias que
trabalham com esse tipo de
viagem. Dez dos guias da agência
participaram do treinamento, a
fim atender aos clientes da
empresa (95% formados por
escolas).
A Dora Turismo,
outra agência que oferece
excursões pedagógicas,
capacitou seus guias através de
cursos dados pelos alunos e
professores do Mestrado em
História da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE). "Essa
preparação é primordial",
diz a proprietária da empresa,
Auxiliadora Oliveira.
Outra companhia
que passou a lidar com excursões
escolares foi a Ostra Turismo,
que tem dez anos de
funcionamento. Há cinco, surgiu
um novo segmento da agência
especializado em turismo
pedagógico, a Ostra Pedagógica.
Só este ano, 3.200
alunos-turistas, do maternalzinho
ao 3º ano do segundo grau, já
participaram de passeios
promovidos pela agência, desde
um city tour de uma tarde em
Olinda até uma viagem de cinco
dias a Xingó.
Apesar de o
turismo pedagógico não
responder pela maior parte do
movimento da agência (40% dos
pacotes), três dos cinco
funcionários da empresa
trabalham exclusivamente com o
braço pedagógico da Ostra.
"Esse é um setor que está
em crescimento", constata um
dos proprietórios da Ostra
Turismo, Ricardo Vieira.
A vantagem para
a empresa que lida tanto com o
turismo pedagógico como com o
convencional, a exemplo da Ostra,
é que não existe baixa
estação. Quando acaba o ano
letivo, começa o período de
férias escolares e é a vez dos
estudantes e dos pais
aproveitarem as viagens
tradicionais.
Mas mesmo as
agências que concentram todo o
movimento nos estudantes têm
trabalho o ano inteiro.
"Além dos meses de aulas
corresponderem à maior parte do
ano, há sempre turmas de
formandos da 8ª série e do 3º
ano que decidem comemorar a
formatura viajando nas
férias", diz Carlos
Cavalcanti, da Espaço
Pedagógico.