PASSEIOS HISTÓRICOS-CULTURAIS II
Estudantes
entram no clima da viagemAcompanhar uma viagem
com um grupo de alunos de 7ª e
8ª série (cuja faixa etária
anuncia muita farra e paquera)
tem o gosto de uma aventura
arriscada para quem vai a
trabalho, como dois repórteres.
Mesmo assim, a equipe do Jornal
do Commercio aceitou o convite e
resolveu encarar o desafio.
O destino
principal está localizado a 37
quilômetros da cidade de Campina
Grande, no estado da Paraíba.
Ali situa-se uma das maiores
salas de aula de História de que
se tem conhecimento no país. A
Pedra do Ingá - como é
conhecida a impressionante rocha
de 20 metros de largura e três
de altura onde estão encravadas
diversas inscrições deixadas
por nossos ancestrais - é um dos
locais preferidos pelos
organizadores das chamadas
excursões pedagógicas.
Antes da
partida, na condição de alunos
de um colégio de orientação
religiosa como o Marista, o grupo
fez oração na capela,
juntamente com os guias. Só Deus
sabe o que cada um dos 52 alunos
pede aos céus para terem a
chance de aprontar nessa viagem,
mas a julgar pela ansiedade
deles, a previsão é de muito
trabalho para guias e, também,
para jornalistas.
COMPORTAMENTO
- A saída é incrivelmente
pontual. E basta o ônibus dar
partida para o guia entrar em
cena e tentar criar o clima que
se pretende instalar na
excursão: o de uma verdadeira
sala de aula. Nada chato, no
entanto. Em vez de prova oral,
gincanas com direito a
distribuição de brindes. As
perguntas passam por "qual o
bairro mais populoso do
Recife", quando se cruza
Casa Amarela, até "qual a
espécie mais cultivada na Zona
da Mata", quando o ônibus
margeia algum canavial.
O clima de aula
vigora durante todo o percurso.
Depois de quase duas horas de
lições de história e
geografia, pausa para o
"recreio". É nessa
hora que a turma vai à forra,
acredita-se. A farra, entretanto,
começa com um lanche acompanhado
de uma trilha sonora mais
animada... e não passa disso. No
máximo, uma sessão de karaokê
com o microfone do guia.
A verdade é
que os alunos, na constatação
dos próprios guias e donos das
agências pedagógicas, não
ultrapassam o comportamento
tolerável e esperado de um grupo
de adolescentes em viagem. Talvez
pelo aspecto de viagem escolar,
não se registra nada de trotes
mais sérios com os colegas ou
aquela velha
"brincadeira" de
esvaziar os extintores
encontrados nos corredores dos
hotéis.
A disciplina
surpreende a cada parada numa
nova atração. Ao contrário da
maioria dos turistas, os
estudantes dão uma aula de
respeito ao patrimônio, dando
bronca no colega que tenta
ultrapassar a corda que impede os
visitantes de se aproximar das
inscrições pré-históricas. A
fila se forma antes mesmo que o
guia precise pedir. E é assim
até a volta para casa, depois de
muita diversão e aprendizado. (S.R.L.)