- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

PASSEIOS HISTÓRICOS-CULTURAIS II
Estudantes entram no clima da viagem

Acompanhar uma viagem com um grupo de alunos de 7ª e 8ª série (cuja faixa etária anuncia muita farra e paquera) tem o gosto de uma aventura arriscada para quem vai a trabalho, como dois repórteres. Mesmo assim, a equipe do Jornal do Commercio aceitou o convite e resolveu encarar o desafio.

O destino principal está localizado a 37 quilômetros da cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba. Ali situa-se uma das maiores salas de aula de História de que se tem conhecimento no país. A Pedra do Ingá - como é conhecida a impressionante rocha de 20 metros de largura e três de altura onde estão encravadas diversas inscrições deixadas por nossos ancestrais - é um dos locais preferidos pelos organizadores das chamadas excursões pedagógicas.

Antes da partida, na condição de alunos de um colégio de orientação religiosa como o Marista, o grupo fez oração na capela, juntamente com os guias. Só Deus sabe o que cada um dos 52 alunos pede aos céus para terem a chance de aprontar nessa viagem, mas a julgar pela ansiedade deles, a previsão é de muito trabalho para guias e, também, para jornalistas.

COMPORTAMENTO - A saída é incrivelmente pontual. E basta o ônibus dar partida para o guia entrar em cena e tentar criar o clima que se pretende instalar na excursão: o de uma verdadeira sala de aula. Nada chato, no entanto. Em vez de prova oral, gincanas com direito a distribuição de brindes. As perguntas passam por "qual o bairro mais populoso do Recife", quando se cruza Casa Amarela, até "qual a espécie mais cultivada na Zona da Mata", quando o ônibus margeia algum canavial.

O clima de aula vigora durante todo o percurso. Depois de quase duas horas de lições de história e geografia, pausa para o "recreio". É nessa hora que a turma vai à forra, acredita-se. A farra, entretanto, começa com um lanche acompanhado de uma trilha sonora mais animada... e não passa disso. No máximo, uma sessão de karaokê com o microfone do guia.

A verdade é que os alunos, na constatação dos próprios guias e donos das agências pedagógicas, não ultrapassam o comportamento tolerável e esperado de um grupo de adolescentes em viagem. Talvez pelo aspecto de viagem escolar, não se registra nada de trotes mais sérios com os colegas ou aquela velha "brincadeira" de esvaziar os extintores encontrados nos corredores dos hotéis.

A disciplina surpreende a cada parada numa nova atração. Ao contrário da maioria dos turistas, os estudantes dão uma aula de respeito ao patrimônio, dando bronca no colega que tenta ultrapassar a corda que impede os visitantes de se aproximar das inscrições pré-históricas. A fila se forma antes mesmo que o guia precise pedir. E é assim até a volta para casa, depois de muita diversão e aprendizado. (S.R.L.)


     

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