- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

PASSEIOS HISTÓRICOS-CULTURAIS III
Pedra do Ingá reúne inscrições rupestres

Impressionante para os leigos e instigante para os historiadores, a Pedra do Ingá é uma atração e tanto para os que querem conhecer um pouco da história do homem pré-histórico no Nordeste. Conhecer, nesse caso, é um força de expressão, já que nem mesmo os arqueólogos sabem o significado nem as condições em que foram feitos as inscrições rupestres encontradas na sua superfície - que, ao longo dos anos, serviram mais para a criação de "causos" contados pelos moradores da região.

A Pedra do Ingá é classificada pelos cientistas como da tradição itaquatiara (pedras pintadas, em tupi, embora sejam esculpidas em baixo relevo e não realmente pintadas). Inscrições desse tipo estão espalhadas desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, quase sempre próximas a curso d'água, como o riacho de Ingá do Bacamarte, onde está a Pedra do Ingá.

E é justamente por conta desse detalhe que a ciência não consegue ter maiores detalhes dessas inscrições. "Para termos ao menos uma idéia da data em que foram feitas essas gravuras, por exemplo, precisaríamos encontrar vestígios dos homens que as fizeram, como restos de fogueira ou instrumentos que eles usaram para fazê-las. Mas qualquer traço desse tipo foi apagado pela água do próprio riacho ou da chuva", lamenta a arqueóloga Ana Nascimento, do núcleo de estudos arqueológicos da Universidade Federal de Pernambuco. "Quem der uma noção da época em que ela foi feita estará chutando".

Da mesma maneira que não se tem noção da idade em que as inscrições da tradição Itaquatiara foram realizadas, fica praticamente impossível também dar qualquer interpretação aos desenhos em forma de animais, estrelas, astros e outras figuras identificadas ou ainda desconhecidas, feitas na pedra e no chão rochoso próximo. Segundo a arqueóloga, por isso se escutam tantas "elucubrações" a respeito de Ingá, como de que se trata da história da arca de Noé ou de que são indicações de contato com discos voadores.

E assim como outros vestígios históricos do Brasil, os da Paraíba não ficaram livres do desrespeito dos visitantes. Os guias de turismo lembram-se, por exemplo, de ver turistas dançando forró sobre as gravuras. Hoje, na constatação do responsável pela manutenção do parque há nove anos, Renato Alves da Silva, de 70 anos, as autoridades públicas estão menos omissas quanto à preservação do local. (S.R.L.)


     

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