PASSEIOS HISTÓRICOS-CULTURAIS
III
Pedra
do Ingá reúne inscrições
rupestresImpressionante para os
leigos e instigante para os
historiadores, a Pedra do Ingá
é uma atração e tanto para os
que querem conhecer um pouco da
história do homem
pré-histórico no Nordeste.
Conhecer, nesse caso, é um
força de expressão, já que nem
mesmo os arqueólogos sabem o
significado nem as condições em
que foram feitos as inscrições
rupestres encontradas na sua
superfície - que, ao longo dos
anos, serviram mais para a
criação de "causos"
contados pelos moradores da
região.
A Pedra do
Ingá é classificada pelos
cientistas como da tradição
itaquatiara (pedras pintadas, em
tupi, embora sejam esculpidas em
baixo relevo e não realmente
pintadas). Inscrições desse
tipo estão espalhadas desde o
Amazonas ao Rio Grande do Sul,
quase sempre próximas a curso
d'água, como o riacho de Ingá
do Bacamarte, onde está a Pedra
do Ingá.
E é justamente
por conta desse detalhe que a
ciência não consegue ter
maiores detalhes dessas
inscrições. "Para termos
ao menos uma idéia da data em
que foram feitas essas gravuras,
por exemplo, precisaríamos
encontrar vestígios dos homens
que as fizeram, como restos de
fogueira ou instrumentos que eles
usaram para fazê-las. Mas
qualquer traço desse tipo foi
apagado pela água do próprio
riacho ou da chuva", lamenta
a arqueóloga Ana Nascimento, do
núcleo de estudos arqueológicos
da Universidade Federal de
Pernambuco. "Quem der uma
noção da época em que ela foi
feita estará chutando".
Da mesma
maneira que não se tem noção
da idade em que as inscrições
da tradição Itaquatiara foram
realizadas, fica praticamente
impossível também dar qualquer
interpretação aos desenhos em
forma de animais, estrelas,
astros e outras figuras
identificadas ou ainda
desconhecidas, feitas na pedra e
no chão rochoso próximo.
Segundo a arqueóloga, por isso
se escutam tantas
"elucubrações" a
respeito de Ingá, como de que se
trata da história da arca de
Noé ou de que são indicações
de contato com discos voadores.
E assim como
outros vestígios históricos do
Brasil, os da Paraíba não
ficaram livres do desrespeito dos
visitantes. Os guias de turismo
lembram-se, por exemplo, de ver
turistas dançando forró sobre
as gravuras. Hoje, na
constatação do responsável
pela manutenção do parque há
nove anos, Renato Alves da Silva,
de 70 anos, as autoridades
públicas estão menos omissas
quanto à preservação do local.
(S.R.L.)