SEGURANÇA
Como
pagar as despesas no exteriorSuponha que você faça
um tour pela América do Norte e
pretenda gastar por lá cerca de
US$ 3 mil. Qual é o melhor lugar
para colocar esse dinheiro: bem
escondido dentro dos quartos de
hotéis em que se hospedar ou em
cintos e bolsas que leve com
você para todo lugar? As duas
opções são totalmente
desaconselháveis. Perda ou roubo
já renderam intermináveis dores
de cabeça em viagens que
deveriam ser inesquecíveis pelo
lado positivo - e não o
contrário. Todos os que
trabalham com turismo e troca
monetária condenam que se
embarque com uma
"dinheirama" em
espécie.
Eles afirmam
que grande parte dos recursos
para as despesas deve ficar em
algum banco reconhecido no Brasil
ou em casas autorizadas a
realizar o câmbio. Assim, quando
o turista estiver longe do país
poderá utilizar outros tipos de
moeda que são também aceitas em
qualquer lugar do mundo - o
cartão de crédito e o
traveller's check. As vantagens
principais dos dois são a
segurança e a praticidade.
A tendência,
segundo especialistas, é que com
o tempo ninguém mais leve
cédulas de dinheiro para uma
viagem internacional. Enquanto
isso, a dica das operadoras de
viagem é se leve, em espécie,
apenas os dólares suficientes
para as despesas iniciais e
isoladas - o táxi, o
refrigerante, o souvenir, a
gorjeta. Para todos os outros
pagamentos, "o melhor mesmo
é o cartão de crédito.
Principalmente porque a pessoa
só pagará de verdade um mês
depois", afirma o gerente da
agência Luck Turismo, Marcelo
Waked.
O inconveniente
do cartão de crédito
internacional é que existe a
cobrança de 2% referente ao
Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) em cada compra
realizada fora do país. O
gerente da agência, no entanto,
considera a tarifa
"pequena".
O Instituto ADM
& Tec no Recife, membro da
Organização Mundial de Turismo,
aconselha, além do uso do
cartão de crédito, a
utilização dos traveller's
checks (cheques de viagem). O
presidente do instituto, Sérgio
Kano, garante que esse
instrumento de troca é aceito em
todos os países do mundo e na
maioria absoluta dos
estabelecimentos de vendas de
produtos e de prestação de
serviços. "O traveller
check há mais de cem anos, mas
agora está sendo muito mais
popularizado. Principalmente
porque a taxa de compra sai
normalmente até mais em conta do
que na compra de dólar",
garante. O fato foi constatado.
Numa pesquisa com alguns bancos e
agências de turismo, o cheque
fica até dois centavos mais
barato.
A desvantagem
do traveller check em relação
ao cartão de crédito é que o
primeiro precisa ser comprado nos
bancos antes da viagem. O turista
desembolsa o dinheiro muito tempo
antes de gastá-lo em outro lugar
do mundo. No que se refere à
segurança, porém, as duas
modalidades empatam. Em caso de
perda ou roubo, basta um
telefonema para o banco ou
empresa em que está sendo feita
a operação para que o cartão
vire um plástico qualquer e o
cheque, um papel sem valor.
REGRAS -
É o Banco Central quem determina
os procedimentos e as leis de
câmbio, bem como a saída com
dinheiro do país. Pode-se, por
exemplo, comprar sem limites
qualquer moeda estrangeira -
acima de US$ 10 mil é preciso
dar satisfações na alfândega.
Deve-se tão somente procurar um
banco ou agência autorizada
(veja quadro abaixo) para fazer a
troca da moeda com identidade e
CPF. O cliente deve exigir um
recibo da operação.
Os traveller's
checks podem ser comprados em
dinheiro, até R$ 3 mil. Acima
disso, só por débito em conta.
Assim o Banco Central diminui a
possibilidade de
"lavagem" de dinheiro
através do turismo. Também
nesse caso, é preciso conferir
quais estabelecimentos estão
credenciados para a venda, e
além de apresentar os
documentos, é necessário
informar a provável data da
viagem. Se o comprador for menor
de idade, precisa da assinatura
do responsável.
Representantes
do setor de câmbio de vários
bancos consultados garantiram
que, em caso de extravio, os
portadores de cartão de crédito
ou traveller's checks são
ressarcidos rapidamente. "A
segurança é absoluta e o banco
deixa disponível em menos de 24
horas o cartão ou o cheque
perdidos", afirma a gerente
do Banco do Brasil, Reusa
Anderson.
Essa segurança
foi sentida na pele pela
professora universitária Iris
Nogueira. Ela perdeu no começo
do ano a carteira, em Roma, com
documentos, mais de 300 dólares
e todos os cartões de crédito.
Informou os bancos e recebeu em
um dia novos cartões. Quanto ao
dinheiro, a única coisa a ser
feita foi prestar uma queixa na
delegacia local. (L.C.F.)