- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 03 de setembro de 1998

SEGURANÇA
Como pagar as despesas no exterior

Suponha que você faça um tour pela América do Norte e pretenda gastar por lá cerca de US$ 3 mil. Qual é o melhor lugar para colocar esse dinheiro: bem escondido dentro dos quartos de hotéis em que se hospedar ou em cintos e bolsas que leve com você para todo lugar? As duas opções são totalmente desaconselháveis. Perda ou roubo já renderam intermináveis dores de cabeça em viagens que deveriam ser inesquecíveis pelo lado positivo - e não o contrário. Todos os que trabalham com turismo e troca monetária condenam que se embarque com uma "dinheirama" em espécie.

Eles afirmam que grande parte dos recursos para as despesas deve ficar em algum banco reconhecido no Brasil ou em casas autorizadas a realizar o câmbio. Assim, quando o turista estiver longe do país poderá utilizar outros tipos de moeda que são também aceitas em qualquer lugar do mundo - o cartão de crédito e o traveller's check. As vantagens principais dos dois são a segurança e a praticidade.

A tendência, segundo especialistas, é que com o tempo ninguém mais leve cédulas de dinheiro para uma viagem internacional. Enquanto isso, a dica das operadoras de viagem é se leve, em espécie, apenas os dólares suficientes para as despesas iniciais e isoladas - o táxi, o refrigerante, o souvenir, a gorjeta. Para todos os outros pagamentos, "o melhor mesmo é o cartão de crédito. Principalmente porque a pessoa só pagará de verdade um mês depois", afirma o gerente da agência Luck Turismo, Marcelo Waked.

O inconveniente do cartão de crédito internacional é que existe a cobrança de 2% referente ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em cada compra realizada fora do país. O gerente da agência, no entanto, considera a tarifa "pequena".

O Instituto ADM & Tec no Recife, membro da Organização Mundial de Turismo, aconselha, além do uso do cartão de crédito, a utilização dos traveller's checks (cheques de viagem). O presidente do instituto, Sérgio Kano, garante que esse instrumento de troca é aceito em todos os países do mundo e na maioria absoluta dos estabelecimentos de vendas de produtos e de prestação de serviços. "O traveller check há mais de cem anos, mas agora está sendo muito mais popularizado. Principalmente porque a taxa de compra sai normalmente até mais em conta do que na compra de dólar", garante. O fato foi constatado. Numa pesquisa com alguns bancos e agências de turismo, o cheque fica até dois centavos mais barato.

A desvantagem do traveller check em relação ao cartão de crédito é que o primeiro precisa ser comprado nos bancos antes da viagem. O turista desembolsa o dinheiro muito tempo antes de gastá-lo em outro lugar do mundo. No que se refere à segurança, porém, as duas modalidades empatam. Em caso de perda ou roubo, basta um telefonema para o banco ou empresa em que está sendo feita a operação para que o cartão vire um plástico qualquer e o cheque, um papel sem valor.

REGRAS - É o Banco Central quem determina os procedimentos e as leis de câmbio, bem como a saída com dinheiro do país. Pode-se, por exemplo, comprar sem limites qualquer moeda estrangeira - acima de US$ 10 mil é preciso dar satisfações na alfândega. Deve-se tão somente procurar um banco ou agência autorizada (veja quadro abaixo) para fazer a troca da moeda com identidade e CPF. O cliente deve exigir um recibo da operação.

Os traveller's checks podem ser comprados em dinheiro, até R$ 3 mil. Acima disso, só por débito em conta. Assim o Banco Central diminui a possibilidade de "lavagem" de dinheiro através do turismo. Também nesse caso, é preciso conferir quais estabelecimentos estão credenciados para a venda, e além de apresentar os documentos, é necessário informar a provável data da viagem. Se o comprador for menor de idade, precisa da assinatura do responsável.

Representantes do setor de câmbio de vários bancos consultados garantiram que, em caso de extravio, os portadores de cartão de crédito ou traveller's checks são ressarcidos rapidamente. "A segurança é absoluta e o banco deixa disponível em menos de 24 horas o cartão ou o cheque perdidos", afirma a gerente do Banco do Brasil, Reusa Anderson.

Essa segurança foi sentida na pele pela professora universitária Iris Nogueira. Ela perdeu no começo do ano a carteira, em Roma, com documentos, mais de 300 dólares e todos os cartões de crédito. Informou os bancos e recebeu em um dia novos cartões. Quanto ao dinheiro, a única coisa a ser feita foi prestar uma queixa na delegacia local. (L.C.F.)


     

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