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CRENÇA
Anglicanos crêem em extraterrestres

por EDUARDO BORGONOVI
AE

SÃO PAULO - O jornal inglês "The Sunday Times" acaba de publicar os resultados de uma pesquisa feita com bispos anglicanos britânicos. Resultado: 95% deles (de uma base de 45 pesquisados) acreditam na possibilidade de vida em outros mundos e 74% afirmam acreditar que essa vida possa ser inteligente. A maioria dos bispos pesquisados, segundo o "Sunday Times", concorda em que a descoberta de vida alienígena irá exigir reestudos das doutrinas mais tradicionais.

Além desses resultados significativos, a pesquisa revela opiniões muito interessantes de alguns bispos a respeito do assunto. Henry Richmond, por exemplo, bispo de Repton, diz: "Formas de vida alienígena podem realmente existir. Eu gostaria de acreditar que os ETs são semelhantes aos humanos, mas precisamos adaptar nossas idéias e reconhecer que os pequenos homens verdes são uma outra forma de vida inteligente e que não a devemos temer".

Michael Turnbull, bispo de Durham, considera a descoberta de vida em outros mundos uma "força positiva", embora ele coloque em discussão o dogma de que o homem é único no cosmos: "Deus criou toda a vida. Se for possível entrar em contato com vida em outros planetas, isso abriria nossas próprias vidas para as grandes maravilhas da criação de Deus".

Em resposta à pergunta se Deus poderia ter visitado pessoalmente outros mundos, Mark Green, bispo assistente de Chichester respondeu: "Eu não ficaria chocado se isso tiver acontecido. Se ele tem crianças em diferente planetas, ele as deve ter visitado, do mesmo modo que um pai visitaria seus filhos em diferentes partes do país".

Lindsay Urwin, bispo de Horsham, afirmou: "A religião nunca olhou simplesmente para a Terra para ensinar a respeito de Deus. A Bíblia diz que o céu proclama a glória de Deus e eu diria que tudo o que existe lá em cima proclama a glória de Deus". Já o bispo de Knaresborough, Frank Weston, afirmou: "Estou feliz com um universo em expansão e alegre com a idéia de outros universos além do nosso. Deus é um criador Todo-Poderoso e nós não podemos limitar sua criatividade. É preciso existir vida sob outras formas. Estou bastante excitado com essa idéia".

VATICANO - O interesse do Vaticano com a ufologia e a vida extraterrestre começou a chamar a atenção a partir do dia 18 janeiro de 1997, quando a revista oficial da Conferência dos Bispos da Itália publicou uma entrevista com o padre Piero Coda, um dos mais importantes teólogos do Vaticano. Na entrevista, padre Coda afirmou que "criados por Deus e tendo suas falhas, eles (os extraterrestres) precisam de redenção através das palavras salvadoras de Jesus Cristo". Meses antes da entrevista do padre Coda, outros teólogos do Vaticano declararam ao respeitado jornal "Corriere Della Sera" que os extraterrestres também devem ser considerados "filhos de Deus".

Em outubro do ano passado, ao divulgar a mais recente edição do Dicionário do Vaticano, a Santa Sé admitiu ter incluído a expressão "objeto voador não identificado" que é chamada, em latim, de "res inexplicata volans", "coisa voadora inexplicada". No mesmo mês, o "Sunday Times" (que vem se interessando bastante pelo assunto extraterrestres) informou que o Vaticano começará a construir um dos maiores observatórios astronômicos do planeta, no deserto do Arizona, Estados Unidos, que contribuirá na busca de outros planetas com condições de sustentar a vida. Terá dois possantes telescópios, capazes de identificar gases e poeira cósmica em torno de estrelas e sistemas planetários com condições propícias para o aparecimento e evolução da vida, ao menos dentro dos parâmetros conhecidos.

"Procurem as digitais de Deus", disse o papa João Paulo II aos 20 padres-astrônomos que estarão trabalhando no projeto e a toda a equipe que o está desenvolvendo. Aparentemente complementando as declarações do papa, o diretor do observatório, frei George Coyne, comentou no dia seguinte que "acreditamos que a Igreja tem de se juntar a esse esforço científico, a graça trazida pela encarnação de Cristo estende-se a todos os campos da atividade humana".

"Mas o projeto do novo observatório traz consigo alguns riscos teológicos", comentou na época o "Sunday Times", ao divulgar a notícia. "Um dos maiores deles seria a descoberta de formas de vida extraterrestres, principalmente se dotadas de inteligência. A Igreja enfrentaria a delicada questão de definir se a crucificação de Jesus, a que a crença católica atribui um sentido de redenção dos pecados de toda a humanidade, redimiu também seres de outros planetas".

"Uma maneira de contornar o problema seria converter os extraterrestres, uma idéia que já é considerada pelos astrônomos do Papa. "Se for possível encontrar civilizações em outros planetas, e se for factível comunicar-se com eles, deveríamos tentar enviar missionários para salvá-los, como fizemos no passado quando novas terras foram descobertas", afirmou na ocasião frei George Coyne, o jesuíta inglês nomeado pelo Papa diretor do observatório do Arizona.

 




   

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