MÚSICA II
Bandas
apostam no balanço jamaicano do
skapor JOSÉ TELES
Surgidas em
meados dos 90, quando o
caldeirão pop nacional fervia,
os paranaenses da banda Boi
Mamão e os brasilienses da
Maskavo Roots até hoje não
passam de promessas. A primeira
participou da coletânea Alface,
produzida pelo incansável Carlos
Eduardo Miranda para a Banguela,
a segunda também teve o mesmo
descobridor, lançou igualmente
disco pela Banguela, que não
aconteceu.
Boi Mamão
está agora na Paradoxx, onde
estréia com o CD de título nada
politicamente correto: Compre
Grave ou Roube!! Maskavo Roots
chegou a poderosa Sony com Se
não Guenta, Por Que Veio?.
Em Compre Grave
ou Roube a Boi Mamão mostra
competência, indo do roquão ao
ska, com influência do pessoal
da Two-Tones, Clash e nada de
mistureba de ritmos. Pena que
enquanto os caras fazem um som
adulto, as letras são tudo teen,
o que Boi Mamão acaba bandinha
para skatistas. Em Eu Amo Todas
Vocês, cantam : "As
mulheres conquistaram seu
espaço/ Isso eu não posso
negar/ Então se você pagar meu
lanche/ Eu acho que eu não vou
me importar", versos que
parecem feitos por um garoto
durante o intervalo da merenda do
colégio.
Essa música é
fichinha diante de Boneca
Inflável, ou Pare de Hipnotizar
a Minha Vó. Talvez a dos caras
seja esta mesma, pegar o público
das espinhas na cara e calos nas
mãos. Júpiter Maçã, por
exemplo, começou numa bandinha
de temas adolescentes chamada TNT
(que aliás era bem
interessante), hoje tá fazendo
um som de gente grande. Pela
perícia nos vocais e
instrumental, Boi Mamão chega
lá. Mas por enquanto, a começar
pelo título do CD, a música dos
paranaenses é indicada ao
pessoal da Sessão da Tarde.
Maskavo Roots
desde as primeiras demos mostrava
uma maturidade rara em novatos.
Seu primeiro disco pela Banguela
era bem legal, com produção
segura de Miranda e o titã Nando
Reis, mas problemas de
divulgação (principalmente. Ai
de quem depende da Warner para
tornar-se famoso) o disco não
decolou. Este Se Não Guenta, Por
Que Veio? Só não emplaca por
azar (já que a Sony não brinca
em serviço).
Maskavo Roots
é, de longe, a melhor banda de
reggae/ska nacional. Ambos os
ritmos jamaicanos são facas de
dois gumes. Aparentemente são
fáceis de dominar, mero engano.
Pode-se pegar a forma mas não o
conteúdo. Maskavo pega os dois.
Tira um som personalíssimo, com
um ótimo vocalista, e timbre de
guitarras variando a cada faixa.
Será um
mistério se este pessoal não
der uma de Skank e virar campeão
de vendagem. Todas as faixas do
CD são hits em potencial. Aliás
o próprio Samuel Rosa, do Skank,
dá uma canja em Tempestade, que
já havia sido gravada no
primeiro CD do Maskavo (e recebeu
uma versão da Pato Fu). Um dos
discos mais bem resolvidos de 98
(o seu único pecadilho é uma
versão de Qui Nem Jiló,
totalmente despropositada). Ano
por sinal muito fraquinho em
coisas boas na área do pop/rock
- Pato Fu, Dona Margarida
Pereira, Querosene Jacaré, este
agora do Maskavo, um discão.