- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

MÚSICA II
Bandas apostam no balanço jamaicano do ska

por JOSÉ TELES

Surgidas em meados dos 90, quando o caldeirão pop nacional fervia, os paranaenses da banda Boi Mamão e os brasilienses da Maskavo Roots até hoje não passam de promessas. A primeira participou da coletânea Alface, produzida pelo incansável Carlos Eduardo Miranda para a Banguela, a segunda também teve o mesmo descobridor, lançou igualmente disco pela Banguela, que não aconteceu.

Boi Mamão está agora na Paradoxx, onde estréia com o CD de título nada politicamente correto: Compre Grave ou Roube!! Maskavo Roots chegou a poderosa Sony com Se não Guenta, Por Que Veio?.

Em Compre Grave ou Roube a Boi Mamão mostra competência, indo do roquão ao ska, com influência do pessoal da Two-Tones, Clash e nada de mistureba de ritmos. Pena que enquanto os caras fazem um som adulto, as letras são tudo teen, o que Boi Mamão acaba bandinha para skatistas. Em Eu Amo Todas Vocês, cantam : "As mulheres conquistaram seu espaço/ Isso eu não posso negar/ Então se você pagar meu lanche/ Eu acho que eu não vou me importar", versos que parecem feitos por um garoto durante o intervalo da merenda do colégio.

Essa música é fichinha diante de Boneca Inflável, ou Pare de Hipnotizar a Minha Vó. Talvez a dos caras seja esta mesma, pegar o público das espinhas na cara e calos nas mãos. Júpiter Maçã, por exemplo, começou numa bandinha de temas adolescentes chamada TNT (que aliás era bem interessante), hoje tá fazendo um som de gente grande. Pela perícia nos vocais e instrumental, Boi Mamão chega lá. Mas por enquanto, a começar pelo título do CD, a música dos paranaenses é indicada ao pessoal da Sessão da Tarde.

Maskavo Roots desde as primeiras demos mostrava uma maturidade rara em novatos. Seu primeiro disco pela Banguela era bem legal, com produção segura de Miranda e o titã Nando Reis, mas problemas de divulgação (principalmente. Ai de quem depende da Warner para tornar-se famoso) o disco não decolou. Este Se Não Guenta, Por Que Veio? Só não emplaca por azar (já que a Sony não brinca em serviço).

Maskavo Roots é, de longe, a melhor banda de reggae/ska nacional. Ambos os ritmos jamaicanos são facas de dois gumes. Aparentemente são fáceis de dominar, mero engano. Pode-se pegar a forma mas não o conteúdo. Maskavo pega os dois. Tira um som personalíssimo, com um ótimo vocalista, e timbre de guitarras variando a cada faixa.

Será um mistério se este pessoal não der uma de Skank e virar campeão de vendagem. Todas as faixas do CD são hits em potencial. Aliás o próprio Samuel Rosa, do Skank, dá uma canja em Tempestade, que já havia sido gravada no primeiro CD do Maskavo (e recebeu uma versão da Pato Fu). Um dos discos mais bem resolvidos de 98 (o seu único pecadilho é uma versão de Qui Nem Jiló, totalmente despropositada). Ano por sinal muito fraquinho em coisas boas na área do pop/rock - Pato Fu, Dona Margarida Pereira, Querosene Jacaré, este agora do Maskavo, um discão.


     

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