- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

LIVROS
A sabedoria paradoxal de Lao Tse

Pode um livro redigido há 2500 anos interessar ao leitor atual? Pode, ser for o Tao Te King. Escrito pelo sábio chinês Lao Tse, contemporâneo de Buda e Confúcio (em aproximadamente 500 AC), O Livro do Caminho Perfeito (tradução do título) traz 81 capítulos que fascinam pela linguagem poética e pelos paradoxos que exprimem.

Para a mente ocidental, analítica e particularizante, é difícil apreender o que, para a mente oriental, sintética e totalizante, é óbvio. Na nossa mentalidade, baseada na lógica aristotélica, os contrários se excluem. Na deles, não. Dentro do Tao convivem o positivo e o negativo, o masculino e o feminino, o ser e o não ser. Os extremos opostos se completam e conduzem à harmonia.

Para o gaúcho Paulo Condini, que assina esta nova versão do livro de Lao Tse (uma bonita edição da Lemos Editorial, com 102 páginas), o melhor é se aproximar do Tao Te King sem procurar respostas formais e imediatas. Deixar a razão de lado e seguir a intuição. Como se entra num jardim: com todos os sentidos em prontidão para fruir o cheiro da terra e das flores, a ordenação dos espaços, a sombra que refresca, o sol que abrasa a pele, os rumores das fontes, pássaros e insetos. Ou seja: em união e harmonia consigo mesmo e o universo. Talvez aí esteja o tal caminho. O jardim tem mil tesouros. Mas só os encontra quem entra nele sem a preocupação de descobri-los.

 
     

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