LIVROS
A
sabedoria paradoxal de Lao TsePode um livro redigido
há 2500 anos interessar ao
leitor atual? Pode, ser for o Tao
Te King. Escrito pelo sábio
chinês Lao Tse, contemporâneo
de Buda e Confúcio (em
aproximadamente 500 AC), O Livro
do Caminho Perfeito (tradução
do título) traz 81 capítulos
que fascinam pela linguagem
poética e pelos paradoxos que
exprimem.
Para a mente
ocidental, analítica e
particularizante, é difícil
apreender o que, para a mente
oriental, sintética e
totalizante, é óbvio. Na nossa
mentalidade, baseada na lógica
aristotélica, os contrários se
excluem. Na deles, não. Dentro
do Tao convivem o positivo e o
negativo, o masculino e o
feminino, o ser e o não ser. Os
extremos opostos se completam e
conduzem à harmonia.
Para o gaúcho
Paulo Condini, que assina esta
nova versão do livro de Lao Tse
(uma bonita edição da Lemos
Editorial, com 102 páginas), o
melhor é se aproximar do Tao Te
King sem procurar respostas
formais e imediatas. Deixar a
razão de lado e seguir a
intuição. Como se entra num
jardim: com todos os sentidos em
prontidão para fruir o cheiro da
terra e das flores, a ordenação
dos espaços, a sombra que
refresca, o sol que abrasa a
pele, os rumores das fontes,
pássaros e insetos. Ou seja: em
união e harmonia consigo mesmo e
o universo. Talvez aí esteja o
tal caminho. O jardim tem mil
tesouros. Mas só os encontra
quem entra nele sem a
preocupação de descobri-los.