RESSACA
Vítimas
da maré alta reerguem casasDepois do clima de
apreensão e alerta, causado
pelas marés do último final de
semana, que chegaram a 2,4
metros, os moradores e
comerciantes do bairro do Janga,
em Paulista, começaram a
reerguer os bares e residências
destruídos pela força das
águas. Já em Brasília Teimosa,
no Recife, seis famílias
residentes em palafitas que
desabaram ou ficaram com a
estrutura comprometida,
permanecem alojadas no conselho
municipal da comunidade.
Num trecho de
aproximadamente cem metros na
praia do Janga, o clima é de
tristeza e revolta entre os
barraqueiros que tiveram seus
bares destruídos pela maré.
Mesmo sabendo que o mar vai
derrubar tudo novamente, os
comerciantes insistem na
reconstrução do patrimônio. Os
barraqueiros João Bosco e Jorge
da Silva passaram a manhã de
ontem tentando levantar o que a
maré de sábado pôs a baixo.
"A situação da gente
piorou depois que inventaram de
construir esses diques e não
terminaram a obra, prejudicando
quem mora neste trecho da
praia", protestaram.
A dona de casa
Maria Edilane da Silva, 29 anos,
está morando no prédio do
Conselho Municipal de Brasília
Teimosa, desde o último sábado,
quando o piso da palafita que
divide com a mãe, o filho e o
irmão desabou. "Só deu
para salvar o armário, um
colchão e o sofá. Perdi meu
fogão e outros objetos. Agora, o
jeito é esperar as marés
baixarem e pedir auxílio a
Codecir para tentar reconstruir
meu barraco", afirmou a dona
de casa.
Para o
presidente do Conselho Municipal
de Brasília Teimosa, Moacir
Gomes, a tragédia poderia ter
sido pior por causa do grande
número de barracos que foram
construídos, na beira da praia,
nos últimos meses. "Pelo
menos 50 famílias, de olho na
promessa de que os favelados
seriam relocados para casas
populares, feitas pela
prefeitura, construíram
palafitas quase dentro do
mar", denunciou o líder
comunitário.