SANGUE
Pesquisa
avalia a precisão de testes que
detectam vírus HTLV Com o objetivo de
identificar a forma mais completa
e segura para realização de
testes sangüíneos na detecção
do HTLV - retrovírus que infecta
células de defesa do organismo e
provoca algumas doenças, entre
as quais a leucemia T do adulto -
a Fundação Hemope está em fase
final de desenvolvimento da
pesquisa Comparação dos Testes
de Elisa Utilizados em Triagem
Sorológica. No estudo, os
vários kits disponíveis no
mercado para detectar a presença
do vírus estão sendo
comparados, para verificar o que
tem maior precisão.
De acordo com a
biomédica e idealizadora da
pesquisa, Ana Cristina Bezerra, a
identificação do kit ideal
será responsável pela redução
de custos na realização dos
testes, maior segurança nos
resultados e diminuição da
perda de doadores. Por mês, um
percentual aproximado de 0,25%
dos testes feitos no Hemope (de
um total de seis mil bolsas de
sangue) apresenta resultados
inconclusivos. Com isso,
ressaltou Ana Cristina, cerca de
360 possíveis doadores ao ano
são descartados por falta de
certeza nos diagnósticos.
Na pesquisa,
iniciada em julho do ano passado,
já foram comparados três kits
diferentes na detecção da
presença do HTLV em cinco mil
amostras de sangue. O método
utilizado nos testes é o Elisa,
que se baseia na presença de
anticorpos que o organismo produz
frente ao agressor.
Os resultados
parciais indicam o kit cujo
princípio é o lisado viral
associado a uma proteína
recombinante como o mais seguro
para ser aplicado numa
população de doadores. Os
outros kits, segundo a
pesquisadora, não são tão
eficientes. Um não consegue
detectar a presença do HTLV II e
o outro não tem apresentado
sensibilidade suficiente.
Ana Cristina
Bezerra acrescentou que a idéia
é, a partir da identificação
do teste que apresente o melhor
resultado, padronizar os kits
aplicados no país. Atualmente,
não há um consenso entre os
hemocentros brasileiros no que
diz respeito a isso. "Com a
padronização dos kits, podemos
evitar desperdícios com a
aquisição de materiais caros e
ineficientes, além de contarmos
com mais segurança",
exemplificou.
A previsão é
de que a pesquisa, inédita no
Brasil, esteja concluída até o
final do ano. Para isso, será
realizado um estudo molecular nas
amostras analisadas, para
comprovar os resultados. O estudo
consiste em procurar o DNA do
vírus inserido no DNA da célula
humana, o qual é utilizado para
a comprovação da presença do
vírus em resultados
inconclusivos. De posse dos
resultados finais, a pesquisadora
pretende difundir a pesquisa no
país, visando a uma futura
padronização dos kits.