- - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

SANGUE
Pesquisa avalia a precisão de testes que detectam vírus HTLV

Com o objetivo de identificar a forma mais completa e segura para realização de testes sangüíneos na detecção do HTLV - retrovírus que infecta células de defesa do organismo e provoca algumas doenças, entre as quais a leucemia T do adulto - a Fundação Hemope está em fase final de desenvolvimento da pesquisa Comparação dos Testes de Elisa Utilizados em Triagem Sorológica. No estudo, os vários kits disponíveis no mercado para detectar a presença do vírus estão sendo comparados, para verificar o que tem maior precisão.

De acordo com a biomédica e idealizadora da pesquisa, Ana Cristina Bezerra, a identificação do kit ideal será responsável pela redução de custos na realização dos testes, maior segurança nos resultados e diminuição da perda de doadores. Por mês, um percentual aproximado de 0,25% dos testes feitos no Hemope (de um total de seis mil bolsas de sangue) apresenta resultados inconclusivos. Com isso, ressaltou Ana Cristina, cerca de 360 possíveis doadores ao ano são descartados por falta de certeza nos diagnósticos.

Na pesquisa, iniciada em julho do ano passado, já foram comparados três kits diferentes na detecção da presença do HTLV em cinco mil amostras de sangue. O método utilizado nos testes é o Elisa, que se baseia na presença de anticorpos que o organismo produz frente ao agressor.

Os resultados parciais indicam o kit cujo princípio é o lisado viral associado a uma proteína recombinante como o mais seguro para ser aplicado numa população de doadores. Os outros kits, segundo a pesquisadora, não são tão eficientes. Um não consegue detectar a presença do HTLV II e o outro não tem apresentado sensibilidade suficiente.

Ana Cristina Bezerra acrescentou que a idéia é, a partir da identificação do teste que apresente o melhor resultado, padronizar os kits aplicados no país. Atualmente, não há um consenso entre os hemocentros brasileiros no que diz respeito a isso. "Com a padronização dos kits, podemos evitar desperdícios com a aquisição de materiais caros e ineficientes, além de contarmos com mais segurança", exemplificou.

A previsão é de que a pesquisa, inédita no Brasil, esteja concluída até o final do ano. Para isso, será realizado um estudo molecular nas amostras analisadas, para comprovar os resultados. O estudo consiste em procurar o DNA do vírus inserido no DNA da célula humana, o qual é utilizado para a comprovação da presença do vírus em resultados inconclusivos. De posse dos resultados finais, a pesquisadora pretende difundir a pesquisa no país, visando a uma futura padronização dos kits.


     

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