PRIVATIZAÇÃO DO BANDEPE II
Perdas
transformam banco em saco sem
fundopor JAMILDO MELO
Subeditor de Economia
Agora não dá
mais para esconder. Os números
oficiais apresentados ontem na
audiência pública de
esclarecimento do processo de
venda do Bandepe, exigida por
lei, para dar uma transparência
mínima a privatização, mostra
as elevadas perdas que o banco
registrou nos anos recentes. Só
no ano passado, o banco fechou o
exercício com um prejuízo de R$
82,017 milhões. No final do
exercício de 1996, o banco
chegou a registrar um prejuízo
de R$ 259,8 milhões.
Os balanços do
banco dos dois últimos dois anos
ainda não foram divulgados
oficialmente, porque obrigariam o
BC liquidar a instituição, com
o registro de um patrimônio
líquido negativo, de R$ 315
milhões, agora em março
último. O presidente Wanderley
Benjamim sempre alegou quebra de
sigilo bancário para não
divulgar a situação financeira
do banco. Na verdade, temia a
perda de clientela e mais abalo
em sua já prejudicada imagem
institucional.
A análise dos
números mostra que o agravamento
das perdas ocorre por conta do
próprio garroteamento dos
créditos que o banco concedia.
Sem operar, ou emprestando menos
recursos, o banco tem um retorno
menor. As receitas com
intermediação financeira, que
em 1996 chegaram a somar R$ 137,8
milhões, por exemplo, chegaram a
cair para R$ 110,2 milhões, em
1997. O rigor com a concessão de
créditos é confirmada pelas
provisões para crédito de
liquidação duvidosa. Em 1996, o
banco reservou R$ 66,9 milhões
para perdas. Em 1997, só foi
necessário reservar R$ 14,1
milhões. O banco até segurou as
despesas operacionais, mas sem
mais operações de crédito não
deteve o desequilíbrio. O
problema é que o banco vive um
dilema. Se emprestar e não
receber, amplia seus prejuízos
da mesma forma.