- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

TELECOMUNICAÇÕES
Telemar recua e cumprirá metas da Anatel

BRASÍLIA - A holding Telemar (Tele Norte Leste) recuou das críticas à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e anunciou ontem que irá cumprir as metas de expansão determinadas pelo órgão regulador do setor de telecomunicações. "Com a Anatel, é paz e amor. Manda quem pode e obedece quem tem juízo", disse ontem o presidente da holding, Carlos Francisco Jereissati. Na semana passada, a Anatel divulgou as metas de expansão que devem ser cumpridas pelas "teles" estaduais até dezembro de 1999.

No caso da Telemar, que reúne 16 empresas (do Rio de Janeiro ao Amazonas, onde está incluída a Telpe fixa), foi determinada uma expansão de 29,49% na planta de telefones fixos (residenciais e não-residenciais). Isso significa a instalação de 2.361.761 novos terminais. Ao recusar as metas da Anatel, a Telemar alegou que estava comprometida com as previsões que estavam nos "data rooms" da Telebrás e que determinariam a instalação de 1,7 milhão de novos telefones fixos (661 mil a menos que as metas da Anatel).

Ontem, Jereissati reconheceu que as críticas da Telemar estavam equivocadas. "Estamos absolutamente de acordo com as metas impostas pela Anatel. Foi um mal-entendido", disse. O consórcio Telemar, que adquiriu a Tele Norte Leste por R$ 3,434 bilhões, foi criticado pelo governo por não ter uma operadora de telefonia como parceira no negócio. Para financiar a metade da entrada de 40% que o consórcio pagou na semana passada, o BNDES assumiu 25% das ações vendidas no leilão.

Jereissati não quis dizer quanto tempo irá durar a presença do BNDES na Telemar. "Essa é uma informação que só o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, pode dar. Ele não é o dono da empresa, mas é uma autoridade pela qual devemos nos pautar". O empresário confirmou que o assessor especial do ministro, Ércio Zilli, ocupará um cargo de diretoria na Telemar. "O ministro falou, tá (sic) falado".

RECUSA - O grupo espanhol Telefónica de España divulgou ontem nota nos jornais gaúchos dizendo que não pretende deixar de participar da CRT (Companhia Rio-grandense de Telecomunicações), estatal adquirida junto com a RBS. As duas empresas são sócias desde dezembro de 1996, quando compraram 35% do capital da CRT. Houve um rompimento no leilão da Telebrás. A RBS pretendia comprar a Tele Centro Sul, empresa de telefonia fixa que cobre os Estados de Santa Catarina, Paraná e todo o Centro-Oeste. A Telefónica, contrariando os gaúchos, apresentou proposta de R$ 5,783 bilhões pela Telesp. Com isso, o consórcio ficou impossibilitado de continuar na disputa pela Tele Centro Sul.


     

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