- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

ÁSIA
Iene sofre mais uma desvalorização

TÓQUIO - A moeda japonesa sofreu ontem nova desvalorização, fechando o dia num patamar próximo ao de junho passado, quando os EUA e o Japão intervieram no mercado de câmbio. Desanimados com o novo governo japonês e amedrontados com a possibilidade de uma desvalorização do yuan, a moeda chinesa, investidores continuam vendendo ienes e comprando dólares e títulos do governo norte-americano. O iene chegou a 146,6 por dólar durante o dia, fechando a 146,5. Em 17 de junho, pouco antes da intervenção, ele valia 146,7, o valor mais baixo em oito anos.

A desvalorização vem ocorrendo quase que constantemente desde que o novo primeiro-ministro japonês, Keizo Obuchi, assumiu o cargo. Embora tenha encaminhado projetos para resolver o problema dos bancos japoneses, prometido fazer cortes permanentes de impostos e jogar mais dinheiro na economia, na forma de projetos de infra-estrutura, os investidores esperam por fatos como intervenções em instituições financeiras ou aumento no consumo. Ontem, Obuchi foi sabatinado pela primeira vez pelo parlamento.

O que disse não encorajou muito o mercado. "A economia japonesa está em queda prolongada e nossa situação é severa", afirmou, em resposta a uma pergunta sobre a situação da economia japonesa. Embora os investidores estejam pessimistas, a queda do iene não parece tão acelerada quanto a de junho. Eles temem que uma nova intervenção no mercado traga prejuízo aos que têm vendido ienes. A grande questão é saber se os EUA participarão novamente de uma operação junto com o Japão, já que, em junho, Washington havia afirmado que os Estados Unidos estavam abrindo apenas uma janela de oportunidades para o Japão tomar as medidas adequadas para consertar sua economia.

Os dois governos reconhecem que uma intervenção só é eficaz se for feita entre pelo menos dois países integrantes do grupo dos mais industrializados do mundo. Alguns dizem que, como o Japão trocou de primeiro-ministro de lá para cá, pode ser que os EUA dêem nova chance ao governo do novo primeiro-ministro Obuchi. Outros dizem que o governo japonês talvez não esteja interessado em resolver o problema rapidamente, já que o iene desvalorizado torna suas exportações mais competitivas.

As autoridades japonesas afirmam estar atentas para o problema e não descartam intervenções, embora não sejam muito claras em suas declarações. Questionado em que momento o governo japonês interviria no mercado, o vice-ministro de Finanças, Koji Tanami, desconversou. "Não devemos comentar valores específicos. De qualquer maneira, agiremos adequadamente e no momento certo", disse. Contribuiu também para a queda do iene a notícia da concordata da indústria de copiadoras Mita, tradicional no Japão.

Enquanto o governo japonês tem dificuldades para engrenar seu plano econômico, as oposições, fortalecidas nas últimas eleições, também não parecem oferecer muito perigo. Uma reunião que deveria ter sido realizada ontem entre o maior partido oposicionista, o Partido Democrático do Japão, e outras duas legendas, foi cancelada.


     

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