ÁSIA
Iene
sofre mais uma desvalorizaçãoTÓQUIO - A moeda
japonesa sofreu ontem nova
desvalorização, fechando o dia
num patamar próximo ao de junho
passado, quando os EUA e o Japão
intervieram no mercado de
câmbio. Desanimados com o novo
governo japonês e amedrontados
com a possibilidade de uma
desvalorização do yuan, a moeda
chinesa, investidores continuam
vendendo ienes e comprando
dólares e títulos do governo
norte-americano. O iene chegou a
146,6 por dólar durante o dia,
fechando a 146,5. Em 17 de junho,
pouco antes da intervenção, ele
valia 146,7, o valor mais baixo
em oito anos.
A
desvalorização vem ocorrendo
quase que constantemente desde
que o novo primeiro-ministro
japonês, Keizo Obuchi, assumiu o
cargo. Embora tenha encaminhado
projetos para resolver o problema
dos bancos japoneses, prometido
fazer cortes permanentes de
impostos e jogar mais dinheiro na
economia, na forma de projetos de
infra-estrutura, os investidores
esperam por fatos como
intervenções em instituições
financeiras ou aumento no
consumo. Ontem, Obuchi foi
sabatinado pela primeira vez pelo
parlamento.
O que disse
não encorajou muito o mercado.
"A economia japonesa está
em queda prolongada e nossa
situação é severa",
afirmou, em resposta a uma
pergunta sobre a situação da
economia japonesa. Embora os
investidores estejam pessimistas,
a queda do iene não parece tão
acelerada quanto a de junho. Eles
temem que uma nova intervenção
no mercado traga prejuízo aos
que têm vendido ienes. A grande
questão é saber se os EUA
participarão novamente de uma
operação junto com o Japão,
já que, em junho, Washington
havia afirmado que os Estados
Unidos estavam abrindo apenas uma
janela de oportunidades para o
Japão tomar as medidas adequadas
para consertar sua economia.
Os dois
governos reconhecem que uma
intervenção só é eficaz se
for feita entre pelo menos dois
países integrantes do grupo dos
mais industrializados do mundo.
Alguns dizem que, como o Japão
trocou de primeiro-ministro de
lá para cá, pode ser que os EUA
dêem nova chance ao governo do
novo primeiro-ministro Obuchi.
Outros dizem que o governo
japonês talvez não esteja
interessado em resolver o
problema rapidamente, já que o
iene desvalorizado torna suas
exportações mais competitivas.
As autoridades
japonesas afirmam estar atentas
para o problema e não descartam
intervenções, embora não sejam
muito claras em suas
declarações. Questionado em que
momento o governo japonês
interviria no mercado, o
vice-ministro de Finanças, Koji
Tanami, desconversou. "Não
devemos comentar valores
específicos. De qualquer
maneira, agiremos adequadamente e
no momento certo", disse.
Contribuiu também para a queda
do iene a notícia da concordata
da indústria de copiadoras Mita,
tradicional no Japão.
Enquanto o
governo japonês tem dificuldades
para engrenar seu plano
econômico, as oposições,
fortalecidas nas últimas
eleições, também não parecem
oferecer muito perigo. Uma
reunião que deveria ter sido
realizada ontem entre o maior
partido oposicionista, o Partido
Democrático do Japão, e outras
duas legendas, foi cancelada.