ÁSIA III
Governo
chinês tenta segura a cotação
do yuanO governo chinês
interveio novamente no mercado
para sustentar o valor de sua
moeda, o yuan. Foi a terceira
intervenção desde o começo de
agosto. O Banco Central da China
vendeu dólares e comprou a moeda
local dentro do restrito mercado
de câmbio do país. A economia
chinesa tem sido vítima de
ataques especulativos muito
particulares. Como o yuan não é
plenamente conversível (não
pode ser trocado livremente por
moedas estrangeiras), sua
desvalorização ocorre
principalmente no mercado negro,
onde um dólar valia 9.200 yuans
na semana passada.
Com a
intervenção de ontem, o governo
conseguiu segurar o valor do yuan
no mercado paralelo a 8.800. A
compra de dólares no mercado
negro não representa diretamente
um ataque especulativo
tradicional. Ao menos em tese
não afeta as reservas do país -
no entanto, há rumores de que
exportações e importações com
valores adulterados são usadas
para aquisição de dólares do
governo chinês.
De qualquer
maneira, o aumento do mercado
negro reflete o pânico entre os
investidores, que temem cada vez
mais uma possível
desvalorização da moeda num
futuro próximo. Uma possível
desvalorização do yuan é uma
ameaça que paira sobre as
economias asiáticas desde o
início da crise na região, no
ano passado. Ela supostamente
melhoraria o desempenho das
exportações chinesas
(prejudicando as de seus
vizinhos), brecando um processo
de desaquecimento da economia do
país. Mas há divergências.
Alguns
economistas lembram que a
economia chinesa depende muito de
importações, que ficariam mais
caras com a desvalorização do
yuan. Eles dizem ainda que,
apesar de gigantescas, as
exportações chinesas respondem
apenas por um quinto do PIB
(Produto Interno Bruto) do país.
O verdadeiro motor da economia da
China seria a demanda interna.
Muitos lembram ainda o resultado
positivo da balança comercial
chinesa, que tornaria
desnecessária a
desvalorização. Ontem, Pequim
divulgou que a China teve um
superávit comercial de US$ 26,7
bilhões nos primeiros sete meses
de 1998.
Trata-se de um
número surpreendente para
alguns, mas não há consenso. Os
pessimistas prevêem fuga maciça
de capital do país. "Apesar
desse superávit, a China
provavelmente terá déficit em
sua balança de pagamentos no
primeiro semestre do ano que
vem", disse Daryl Lo,
economista-chefe da corretora
Jardine Flemming, em Hong Kong.
Lo acha que uma desvalorização
do yuan virá em 1999.