- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

ÁSIA III
Governo chinês tenta segura a cotação do yuan

O governo chinês interveio novamente no mercado para sustentar o valor de sua moeda, o yuan. Foi a terceira intervenção desde o começo de agosto. O Banco Central da China vendeu dólares e comprou a moeda local dentro do restrito mercado de câmbio do país. A economia chinesa tem sido vítima de ataques especulativos muito particulares. Como o yuan não é plenamente conversível (não pode ser trocado livremente por moedas estrangeiras), sua desvalorização ocorre principalmente no mercado negro, onde um dólar valia 9.200 yuans na semana passada.

Com a intervenção de ontem, o governo conseguiu segurar o valor do yuan no mercado paralelo a 8.800. A compra de dólares no mercado negro não representa diretamente um ataque especulativo tradicional. Ao menos em tese não afeta as reservas do país - no entanto, há rumores de que exportações e importações com valores adulterados são usadas para aquisição de dólares do governo chinês.

De qualquer maneira, o aumento do mercado negro reflete o pânico entre os investidores, que temem cada vez mais uma possível desvalorização da moeda num futuro próximo. Uma possível desvalorização do yuan é uma ameaça que paira sobre as economias asiáticas desde o início da crise na região, no ano passado. Ela supostamente melhoraria o desempenho das exportações chinesas (prejudicando as de seus vizinhos), brecando um processo de desaquecimento da economia do país. Mas há divergências.

Alguns economistas lembram que a economia chinesa depende muito de importações, que ficariam mais caras com a desvalorização do yuan. Eles dizem ainda que, apesar de gigantescas, as exportações chinesas respondem apenas por um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) do país. O verdadeiro motor da economia da China seria a demanda interna. Muitos lembram ainda o resultado positivo da balança comercial chinesa, que tornaria desnecessária a desvalorização. Ontem, Pequim divulgou que a China teve um superávit comercial de US$ 26,7 bilhões nos primeiros sete meses de 1998.

Trata-se de um número surpreendente para alguns, mas não há consenso. Os pessimistas prevêem fuga maciça de capital do país. "Apesar desse superávit, a China provavelmente terá déficit em sua balança de pagamentos no primeiro semestre do ano que vem", disse Daryl Lo, economista-chefe da corretora Jardine Flemming, em Hong Kong. Lo acha que uma desvalorização do yuan virá em 1999.


     

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