- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

RÚSSIA
Mercado de ações russo fecha em queda

MOSCOU - O temor de que as finanças russas estejam efetivamente saindo de controle e a continuidade das quedas na Ásia provocaram outra forte queda do mercado acionário e dos eurobônus refererenciais russos. O índice RTS da Bolsa de Moscou fechou ontem com queda de 8,99%, a 120,91 pontos, seu nível mais baixo desde 22 de maio de 1996, auge da disputa pela reeleição do presidente Boris Yeltsin. Além da queda nas ações, os bônus globais vincendos em 2001 caíram pelo sexto dia consecutivo e fecharam ontem oferecendo uma remuneração de 26,058%, alta de 592 pontos básicos (centésimos de ponto porcentual) ante a sexta-feira.

Os títulos públicos denominados em rublos também subiram: a remuneração dos papéis de dez meses avançou para 99% ao ano. A alta dos juros foi tão abrupta que o governo russo cancelou o leilão semanal de títulos públicos marcado para amanhã. A meta era leiloar até seis bilhões de rublos (US$ 960 milhões) para cobrir os 5,3 bilhões de rublos vincendos nesta semana.

Incapaz de convencer os investidores que suas finanças estão sob controle, o governo optou por uma solução interna para a rolagem de sua dívida. O banco central russo e o banco estatal Sberbank, a instituição financeira que concentra a maior parcela da poupança nacional, vão atuar fortemente nos leilões de títulos públicos e deverão adquirir um total de 71 bilhões de rublos (US$ 11,4 bilhões) até o fim do ano, cerca de metade do total necessário para a rolagem da dívida.

A turbulência no mercado afetou as cotações do dólar, que subiu de 6,285 rublos na sexta-feira para 6,287 rublos ontem. Os contratos futuros de rublo com vencimento em setembro negociados na bolsa de Chicago caíram pelo quarto dia consecutivo e fecharam a 15,18 centavos de dólar por rublo, nível mais baixo desde 13 de julho.

O banco central russo deve elevar os juros em breve para proteger a moeda, disseram analistas. Se confirmada, essa seria a terceira alta em três meses. Ontem, os juros referenciais russos estão em 60% ao ano, abaixo dos 80% vigentes até 24 de julho, quando o governo reduziu as taxas para estimular a economia.

A necessidade de dinheiro do governo russo poderá afetar a líder na produção de gás, a Gazprom. O governo poderá obrigar a empresa a permitir que outras companhias utilizem seus gasodutos, para cumprir as exigências do Banco Mundial (Bird) de abrir seu mercado de gás natural à concorrência. A abertura dos gasodutos é uma das condições para a concessão do empréstimo de US$ 1,5 bilhão do Bird ao governo russo.


     

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