RÚSSIA
Mercado
de ações russo fecha em quedaMOSCOU - O temor
de que as finanças russas
estejam efetivamente saindo de
controle e a continuidade das
quedas na Ásia provocaram outra
forte queda do mercado acionário
e dos eurobônus refererenciais
russos. O índice RTS da Bolsa de
Moscou fechou ontem com queda de
8,99%, a 120,91 pontos, seu
nível mais baixo desde 22 de
maio de 1996, auge da disputa
pela reeleição do presidente
Boris Yeltsin. Além da queda nas
ações, os bônus globais
vincendos em 2001 caíram pelo
sexto dia consecutivo e fecharam
ontem oferecendo uma
remuneração de 26,058%, alta de
592 pontos básicos (centésimos
de ponto porcentual) ante a
sexta-feira.
Os títulos
públicos denominados em rublos
também subiram: a remuneração
dos papéis de dez meses avançou
para 99% ao ano. A alta dos juros
foi tão abrupta que o governo
russo cancelou o leilão semanal
de títulos públicos marcado
para amanhã. A meta era leiloar
até seis bilhões de rublos (US$
960 milhões) para cobrir os 5,3
bilhões de rublos vincendos
nesta semana.
Incapaz de
convencer os investidores que
suas finanças estão sob
controle, o governo optou por uma
solução interna para a rolagem
de sua dívida. O banco central
russo e o banco estatal Sberbank,
a instituição financeira que
concentra a maior parcela da
poupança nacional, vão atuar
fortemente nos leilões de
títulos públicos e deverão
adquirir um total de 71 bilhões
de rublos (US$ 11,4 bilhões)
até o fim do ano, cerca de
metade do total necessário para
a rolagem da dívida.
A turbulência
no mercado afetou as cotações
do dólar, que subiu de 6,285
rublos na sexta-feira para 6,287
rublos ontem. Os contratos
futuros de rublo com vencimento
em setembro negociados na bolsa
de Chicago caíram pelo quarto
dia consecutivo e fecharam a
15,18 centavos de dólar por
rublo, nível mais baixo desde 13
de julho.
O banco central
russo deve elevar os juros em
breve para proteger a moeda,
disseram analistas. Se
confirmada, essa seria a terceira
alta em três meses. Ontem, os
juros referenciais russos estão
em 60% ao ano, abaixo dos 80%
vigentes até 24 de julho, quando
o governo reduziu as taxas para
estimular a economia.
A necessidade
de dinheiro do governo russo
poderá afetar a líder na
produção de gás, a Gazprom. O
governo poderá obrigar a empresa
a permitir que outras companhias
utilizem seus gasodutos, para
cumprir as exigências do Banco
Mundial (Bird) de abrir seu
mercado de gás natural à
concorrência. A abertura dos
gasodutos é uma das condições
para a concessão do empréstimo
de US$ 1,5 bilhão do Bird ao
governo russo.