- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

EMPREGO
Desemprego tem queda de 1,3% no Recife

Em junho, 320 mil pessoas estavam desempregadas no Grande Recife. Os resultados demonstram uma queda de 1,3% no nível de desemprego em comparação com o mês anterior, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem.

No entanto, o declínio foi causado pela saída de 5 mil pessoas da População Economicamente Ativa (PEA), e não por um crescimento no número de postos de trabalho. Dessa forma, sem essas pessoas pressionando o mercado e com as taxas de ocupação apresentando o mesmo nível do mês anterior, ocorreu a redução do desemprego. No acumulado do ano, o desemprego cresceu 17,9%, com a entrada de 57 mil na lista dos desempregados.

Do total de 1,427 milhão pessoas que compõem a PEA, 22,4% estavam desempregadas em junho, enquanto em maio, essa taxa era de 22,7%. Só no Recife, o percentual de desempregados era de 20,6% da PEA local. Nos demais municípios do Grande Recife, essa participação foi de 23,9%. Os setores da indústria, serviços e no item "outros setores" eliminaram mil vagas, cada um. Por outro lado, o comércio criou três mil novos postos, o que estabilizou a taxa.

Segundo o coordenador da PED, Francisco Oliveira, a informalidade é um dos fatores de peso para a manutenção desses níveis de ocupação. O fato pode ser explicado pelo desempenho do comércio. Enquanto a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) apresentou a eliminação de dois mil postos formais de trabalho no mês de junho, a PED indica a criação de três mil ligados ao setor informal. "São, por exemplo, aquelas pessoas que passaram o mês vendendo produtos para a Copa do Mundo como bandeiras, fogos, camisas, entre outras", aponta o presidente do Instituto de Planejamento de Pernambuco (Condepe), José Ailton de Lima.

Francisco Oliveira explica que a redução do desemprego segue uma tendência, antes verificada através da diminuição no ritmo do seu crescimento. Mas, esse quadro tem caráter sazonal e, caso não ocorra nenhuma mudança brusca na economia nos próximos meses, essa tendência irá se manter. "Já é comum que a População Economicamente Ativa passe por uma redução nessa época do ano. Esse fato se agrava quando não existem muitas chances de se encontrar uma colocação", informa.

São considerados inativos, ou seja, fora da PEA, quem não está disposto a arrumar um emprego. Já aqueles que procuraram emprego nos últimos 12 meses, não o fizeram nos últimos 30 dias porque estão desanimados com o mercado, mas continuam dispostos a trabalhar são chamados de desempregados ocultos por desalentos.


     

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