DIA
DOS PAIS II
Psicólogos
apostam no novo modeloDepois de se verem
sufocados com tantas negações e
terem decretado que é proibido
proibir, os jovens que pediam
"paz e amor" finalmente
tiveram a chance de formar uma
geração embasada nas idéias de
liberdade que tanto pregaram.
Nesse processo, a auto-exigência
de nunca dizer "não"
para os filhos esbarrou na
necessidade de lhes impor
limites. Chegou a inevitável
dúvida: afinal, até que ponto
um pai pode ser liberal com seus
filhos?
Psicólogos
explicam que existe uma
diferença entre liberal e
permissivo. Este último é
aquele que acaba permitindo a
quebra do respeito e da
hierarquia entre pai e filho.
"Hoje tudo pode ser normal,
com a ressalva de que as atitudes
sejam norteadas por certos
limites", afirma a
psicóloga Guiomar de Carvalho.
Segundo ela, essas normas
dependem de cada família. Assim,
um pai que fuma maconha com o
consentimento dos filhos, ou até
com a participação deles, não
deve ser encarado como
permissivo, desde que sejam dadas
advertências sobre o risco de o
hábito levá-los para drogas
mais pesadas. "Tudo deve ser
feito com orientação",
garante.
A psicóloga
clínica Norma Barreto afirma que
possui alguns pacientes que não
souberam "puxar as
rédeas" dos filhos na hora
certa. "Hoje, por terem sido
permissivos, não conseguem
sequer uma conversa com o
jovem", comenta. Ela
argumenta que o pai liberal é
aquele que acompanhou os
acontecimentos sociais.
"Esse modelo de pai não tem
vergonha de dialogar porque sabe
que não pode ser omisso. Quando
ele demonstra que oferece
liberdade, mas também mostra
preocupação, ganha a amizade do
filho".
AMIGÃO -
Um ponto que deve ser
esclarecido, segundo Guiomar
Carvalho, é que, por mais que
seja aberto com os filhos, um pai
sempre se impõe quando
necessário. "Não existe o
tempo todo o "amigão"
no lugar do pai. Na hora H, ele
assume a posição de pai",
diz. E nesses momentos, não se
trata de ser arbitrário, mas sim
de ter autoridade.
Para os que
acham impossível encontrar esse
meio termo, elas garantem que
não é tão difícil assim.
"Pelo menos 80% dos
problemas de uma família não
existiriam se houvesse
diálogo", diz Carvalho. Por
falta de tempo, paciência ou
jeito, as psicólogas dizem que
muitos jovens acabam caindo num
vazio existencial que conduz aos
dramas de crianças, adolescentes
e até de adultos.
"Ao
contrário desses permissivos, o
pai liberal é aquele que
participa também da vida do
filho, seja na reunião do
colégio ou se interessando por
sua vida sentimental,
proporcionando aos filhos a
liberdade que vários deles não
tiveram quando tinham a mesma
idade. "Isso não está
errado. Sinal de consciência das
novas realidades", afirma
Norma Barreto.