- - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 09 de agosto de 1998

DIA DOS PAIS II
Psicólogos apostam no novo modelo

Depois de se verem sufocados com tantas negações e terem decretado que é proibido proibir, os jovens que pediam "paz e amor" finalmente tiveram a chance de formar uma geração embasada nas idéias de liberdade que tanto pregaram. Nesse processo, a auto-exigência de nunca dizer "não" para os filhos esbarrou na necessidade de lhes impor limites. Chegou a inevitável dúvida: afinal, até que ponto um pai pode ser liberal com seus filhos?

Psicólogos explicam que existe uma diferença entre liberal e permissivo. Este último é aquele que acaba permitindo a quebra do respeito e da hierarquia entre pai e filho. "Hoje tudo pode ser normal, com a ressalva de que as atitudes sejam norteadas por certos limites", afirma a psicóloga Guiomar de Carvalho. Segundo ela, essas normas dependem de cada família. Assim, um pai que fuma maconha com o consentimento dos filhos, ou até com a participação deles, não deve ser encarado como permissivo, desde que sejam dadas advertências sobre o risco de o hábito levá-los para drogas mais pesadas. "Tudo deve ser feito com orientação", garante.

A psicóloga clínica Norma Barreto afirma que possui alguns pacientes que não souberam "puxar as rédeas" dos filhos na hora certa. "Hoje, por terem sido permissivos, não conseguem sequer uma conversa com o jovem", comenta. Ela argumenta que o pai liberal é aquele que acompanhou os acontecimentos sociais. "Esse modelo de pai não tem vergonha de dialogar porque sabe que não pode ser omisso. Quando ele demonstra que oferece liberdade, mas também mostra preocupação, ganha a amizade do filho".

AMIGÃO - Um ponto que deve ser esclarecido, segundo Guiomar Carvalho, é que, por mais que seja aberto com os filhos, um pai sempre se impõe quando necessário. "Não existe o tempo todo o "amigão" no lugar do pai. Na hora H, ele assume a posição de pai", diz. E nesses momentos, não se trata de ser arbitrário, mas sim de ter autoridade.

Para os que acham impossível encontrar esse meio termo, elas garantem que não é tão difícil assim. "Pelo menos 80% dos problemas de uma família não existiriam se houvesse diálogo", diz Carvalho. Por falta de tempo, paciência ou jeito, as psicólogas dizem que muitos jovens acabam caindo num vazio existencial que conduz aos dramas de crianças, adolescentes e até de adultos.

"Ao contrário desses permissivos, o pai liberal é aquele que participa também da vida do filho, seja na reunião do colégio ou se interessando por sua vida sentimental, proporcionando aos filhos a liberdade que vários deles não tiveram quando tinham a mesma idade. "Isso não está errado. Sinal de consciência das novas realidades", afirma Norma Barreto.


     

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