- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

TELECOMUNICAÇÃO II
Privatização chega com promessa de Net veloz

por BENIRA MAIA
benira@jc.com.br

A ebulição financeira, tecnológica e de mercado provocada pela privatização do Sistema Telebrás, ocorrida há exatamente uma semana, deverá garantir aos internautas brasileiros uma conexão mais rápida e mais barata com a rede mundial de computadores. Essa é a expectativa geral de quem lida no país com a comunicação de dados. O otimismo se baseia não só na privatização em si, mas também na exigência de implantação de milhares de linhas e, principalmente, na concorrência de mercado, com a entrada das empresas-espelhos.

"A privatização vai melhorar a velocidade e a qualidade de acesso", acredita o presidente nacional da Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu) e secretário-executivo do Comitê Gestor Internet-Brasil, Raphael Mandarino Júnior. O tom confiante de Mandarino pode ser notado nas operadoras - como a Embratel e a Telpe, inserida na holding Tele Norte Leste - e também entre os diretores dos provedores de acesso. A única mudança no discurso é o prazo. Os mais otimistas crêem que a melhoria no acesso acontecerá logo. Outros, mais crédulos e conscientes da necessidade de investimentos altos, apostam em alterações somente a médio e longo prazos.

A expectativa de uma conexão mais rápida chega diante do plano de metas que os consórcios vencedores do leilão das holdingas deverão cumprir. O plano foi traçado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), formada por cinco conselheiros escolhidos pelo presidente da República e sancionados pelo Senado. Uma das exigências da Anatel é a implantação de 329 mil novas linhas telefônicas fixas em Pernambuco nos próximos três anos. O consórcio liderado pela Andrade Gutierrez - que passa a controlar a Tele Norte Leste - terá que colocar no Estado 80 mil linhas no próximo ano; 120 mil em 2000; e 129 mil linhas em 2001.

O total de 329 mil novas linhas não atende o mercado - a Telpe estima uma demanda reprimida de 800 mil -, mas serve como garantia de que haverá investimentos no setor. "A privatização dá uma agregação de investimento na área, onde a estatal não tinha mais condições de investir", analisa o diretor de Engenharia da Telpe, Carlos Alberto Nunes.

TRÁFEGO - A criação de novas linhas deverá desafogar um pouco o tráfego para a Internet, principalmente no caminho do PC do usuário para o provedor, onde há o trãnsito mais pesado. Atualmente o Brasil soma 1,8 milhão de internautas e Pernambuco tem 4% desse total - seriam 72 mil pessoas no Estado com acesso à rede mundial de computadores.

O plano de metas inicial é uma espécie de ponta de iceberg - a previsão é de investimentos maciços no setor de telecomunicações do país. A parte maior deve vir com a entrada das empresas-espelhos, que farão concorrência direta com os vencedores do leilão das teles. Ainda na semana passada, o governo federal anunciou que vai estar iniciando, este mês, o processo de licitação para essas empresas. Num paralelo com a telefonia móvel celular, as empresas-espelhos serão uma espécie de banda B, atuando no setor e na região específicos de cada uma das vencedoras do leilão.

"Quanto mais concorrência melhor", sentencia o presidente da Sucesu pernambucana, Adolfo Ledebour. O tom de animação com a abertura de mercado das telecomunicações é coro no setor. A expectativa é de redução dos preços de uma forma geral e maior poder de fogo tecnológico. "A competitividade vai aumentar e os investimentos vão melhorar", diz Anderson Gomes, diretor de Pesquisa do Itep, órgão do governo estadual responsável pela backbone da Rede Nacional de Pesquisa em Pernambuco e estados vizinhos.


 

 

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