TELECOMUNICAÇÃO II
Privatização
chega com promessa de Net velozpor BENIRA MAIA
benira@jc.com.br
A ebulição
financeira, tecnológica e de
mercado provocada pela
privatização do Sistema
Telebrás, ocorrida há
exatamente uma semana, deverá
garantir aos internautas
brasileiros uma conexão mais
rápida e mais barata com a rede
mundial de computadores. Essa é
a expectativa geral de quem lida
no país com a comunicação de
dados. O otimismo se baseia não
só na privatização em si, mas
também na exigência de
implantação de milhares de
linhas e, principalmente, na
concorrência de mercado, com a
entrada das empresas-espelhos.
"A
privatização vai melhorar a
velocidade e a qualidade de
acesso", acredita o
presidente nacional da Sociedade
dos Usuários de Informática e
Telecomunicações (Sucesu) e
secretário-executivo do Comitê
Gestor Internet-Brasil, Raphael
Mandarino Júnior. O tom
confiante de Mandarino pode ser
notado nas operadoras - como a
Embratel e a Telpe, inserida na
holding Tele Norte Leste - e
também entre os diretores dos
provedores de acesso. A única
mudança no discurso é o prazo.
Os mais otimistas crêem que a
melhoria no acesso acontecerá
logo. Outros, mais crédulos e
conscientes da necessidade de
investimentos altos, apostam em
alterações somente a médio e
longo prazos.
A expectativa
de uma conexão mais rápida
chega diante do plano de metas
que os consórcios vencedores do
leilão das holdingas deverão
cumprir. O plano foi traçado
pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel),
formada por cinco conselheiros
escolhidos pelo presidente da
República e sancionados pelo
Senado. Uma das exigências da
Anatel é a implantação de 329
mil novas linhas telefônicas
fixas em Pernambuco nos próximos
três anos. O consórcio liderado
pela Andrade Gutierrez - que
passa a controlar a Tele Norte
Leste - terá que colocar no
Estado 80 mil linhas no próximo
ano; 120 mil em 2000; e 129 mil
linhas em 2001.
O total de 329
mil novas linhas não atende o
mercado - a Telpe estima uma
demanda reprimida de 800 mil -,
mas serve como garantia de que
haverá investimentos no setor.
"A privatização dá uma
agregação de investimento na
área, onde a estatal não tinha
mais condições de
investir", analisa o diretor
de Engenharia da Telpe, Carlos
Alberto Nunes.
TRÁFEGO -
A criação de novas linhas
deverá desafogar um pouco o
tráfego para a Internet,
principalmente no caminho do PC
do usuário para o provedor, onde
há o trãnsito mais pesado.
Atualmente o Brasil soma 1,8
milhão de internautas e
Pernambuco tem 4% desse total -
seriam 72 mil pessoas no Estado
com acesso à rede mundial de
computadores.
O plano de
metas inicial é uma espécie de
ponta de iceberg - a previsão é
de investimentos maciços no
setor de telecomunicações do
país. A parte maior deve vir com
a entrada das empresas-espelhos,
que farão concorrência direta
com os vencedores do leilão das
teles. Ainda na semana passada, o
governo federal anunciou que vai
estar iniciando, este mês, o
processo de licitação para
essas empresas. Num paralelo com
a telefonia móvel celular, as
empresas-espelhos serão uma
espécie de banda B, atuando no
setor e na região específicos
de cada uma das vencedoras do
leilão.
"Quanto
mais concorrência melhor",
sentencia o presidente da Sucesu
pernambucana, Adolfo Ledebour. O
tom de animação com a abertura
de mercado das telecomunicações
é coro no setor. A expectativa
é de redução dos preços de
uma forma geral e maior poder de
fogo tecnológico. "A
competitividade vai aumentar e os
investimentos vão
melhorar", diz Anderson
Gomes, diretor de Pesquisa do
Itep, órgão do governo estadual
responsável pela backbone da
Rede Nacional de Pesquisa em
Pernambuco e estados vizinhos.