ÁGUA
Milhares
de desabrigados na ChinaWUHAN, China - Na
tentativa de escapar das
inundações que castigam o país
há semanas, dezenas de milhares
de chineses buscaram refúgio nos
diques do rio Yangtsé, onde
vivem, alguns deles há várias
semanas, em condições de vida
extremamente precárias.
"É
impressionante, é como um imenso
campo de refugiados com mais de
30 kms", indicou Marcel
Roux, membro da organização
humanitária Médicos Sem
Fronteiras (MSF), depois de uma
visita realizada ontem à
localidade de Jianli (centro),
situada 150 kms rio acima da
grande cidade industrial de
Wuhan.
No total,
50.000 pessoas foram evacuadas
dessa localidade, particularmente
exposta às águas, que foi
parcialmente inundada de forma
deliberada a fim de fazer baixar
o nível do rio. Delas, 20.000
encontraram refúgio no dique
principal de Yangtsé, uma
construção em terra, de 15
metros de altura e cinco de
largura na parte superior.
Os refugiados,
que sofrem também com as
conseqüências do impressionante
calor, improvisaram cabanas, com
pedaços de madeira, bambu e
sacolas de plástico.
"Em
algumas partes, a água só está
a alguns centímetros de altura
do dique e, por isso, é preciso
colocar constantemente novos
sacos de areia e outros
materiais", expliciou Roux.
Os refugiados,
cuja subsistência depende da
distribuição de cereais
realizada pelo governo, sofrem
principalmente de diarréias,
febres e conjutivite, segundo o
Médicos Sem Fronteiras. O
fornecimento de água é outro
dos principais problemas, já que
estas pessoas dispõem da água
do rio e a distribuição de
pastilhas de cloro para torná-la
potável só acontece de maneira
esporádica.
Para cozinhar
os poucos alimentos com que
contam, os refugiados juntam
três pedras e alguns pedaços de
madeira para fazer fogueira. A
maioria destas pessoas preferem
permanecer sobre o dique até o
último momento, antes de irem
para escolas e outros prédios
administrativos que as
autoridades provinciais colocarm
a sua disposição nas zonas
protegidas.
A agência Nova
China reconheceu ontem que alguns
habitantes da localidade se
opuseram à uma transferência e
que seria necessário "certo
tempo" para que os
responsáveis locais os
convençam a fazê-lo.
As inundações
que se produzem na China, há
algumas semanas, deixaram um
balanço de pelo menos 2.000
mortos.