- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

ÁGUA
Milhares de desabrigados na China

WUHAN, China - Na tentativa de escapar das inundações que castigam o país há semanas, dezenas de milhares de chineses buscaram refúgio nos diques do rio Yangtsé, onde vivem, alguns deles há várias semanas, em condições de vida extremamente precárias.

"É impressionante, é como um imenso campo de refugiados com mais de 30 kms", indicou Marcel Roux, membro da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), depois de uma visita realizada ontem à localidade de Jianli (centro), situada 150 kms rio acima da grande cidade industrial de Wuhan.

No total, 50.000 pessoas foram evacuadas dessa localidade, particularmente exposta às águas, que foi parcialmente inundada de forma deliberada a fim de fazer baixar o nível do rio. Delas, 20.000 encontraram refúgio no dique principal de Yangtsé, uma construção em terra, de 15 metros de altura e cinco de largura na parte superior.

Os refugiados, que sofrem também com as conseqüências do impressionante calor, improvisaram cabanas, com pedaços de madeira, bambu e sacolas de plástico.

"Em algumas partes, a água só está a alguns centímetros de altura do dique e, por isso, é preciso colocar constantemente novos sacos de areia e outros materiais", expliciou Roux.

Os refugiados, cuja subsistência depende da distribuição de cereais realizada pelo governo, sofrem principalmente de diarréias, febres e conjutivite, segundo o Médicos Sem Fronteiras. O fornecimento de água é outro dos principais problemas, já que estas pessoas dispõem da água do rio e a distribuição de pastilhas de cloro para torná-la potável só acontece de maneira esporádica.

Para cozinhar os poucos alimentos com que contam, os refugiados juntam três pedras e alguns pedaços de madeira para fazer fogueira. A maioria destas pessoas preferem permanecer sobre o dique até o último momento, antes de irem para escolas e outros prédios administrativos que as autoridades provinciais colocarm a sua disposição nas zonas protegidas.

A agência Nova China reconheceu ontem que alguns habitantes da localidade se opuseram à uma transferência e que seria necessário "certo tempo" para que os responsáveis locais os convençam a fazê-lo.

As inundações que se produzem na China, há algumas semanas, deixaram um balanço de pelo menos 2.000 mortos.


 
 

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