TERROR
Suspeitos
de atentado na África já estão
detidos na TanzâniaNAIRÓBI -
Vários suspeitos foram detidos
no âmbito da investigação
sobre o atentado contra a
embaixada dos Estados Unidos de
Dar Es-Salaam, na Tanzânia,
enquanto o FBI analisava
minuciosamente os escombros da
outra sede diplomática americana
atacada, em Nairóbi.
A detenção
dos suspeitos foi confirmada pela
subsecretária de Estado
americana para Assuntos
Africanos, Susan Rice, que
declarou em Washington que as
autoridades tanzanianas prenderam
"três grupos de
suspeitos".
Segundo a
polícia, que não deu detalhes
sobre os nomes, nacionalidades ou
o número de pessoas detidas, um
deles foi preso perto da
fronteira entre a Tanzânia e o
Quênia depois do atentado.
A pista de um
atentado islâmico antiamericano
continua sendo privilegiada pelos
investigadores. O milionário
Ussama Ben Laden, despojado de
sua nacionalidade saudita por
vínculos com o terrorismo em
1994, foi apontado como
organizador dos atentados de
Nairóbi e Dar es-Salaam por
vários especialistas de
movimentos islâmicos.
Em Nairóbi,
agentes do FBI e militares
americanos, cercados por um
perímetro de alta segurança,
inspecionavam minunciosamente a
carcaça dos carros destruídos e
os restos de vidro buscando
qualquer pista que levasse aos
autores do atentado.
Um responsável
americano disse ontem que os
guardas quenianos que trabalhavam
em frente à embaixada dos
Estados Unidos em Nairóbi
impediram que os terroristas
entrassem com o carro-bomba
dentro da embaixada.
Segundo os
primeiros elementos da
investigação informados por
Rice, os terroristas, então,
conduziram o veículo para a
entrada de serviço do edifício,
dando ordem para que a grade
fosse aberta. Diante da negativa
dos guardas quenianos, os
ocupantes do carro lançaram um
"artefato explosivo".
A embaixada
americana em Nairóbi estava
equipada com uma câmera de
segurança na parte traseira do
edifício, disse o seu porta-voz,
mas os investigadores ainda não
sabem se a fita se salvou da
explosão.
Em Dar
es-Salaam, onde outra bomba
explodiu em frente à embaixada
americana quase ao mesmo tempo,
matando dez pessoas, uma câmera
de segurança situada no teto do
edifício pode ter filmado o
atentado, segundo a Rádio
Tanzânia (oficial), citando um
diplomata americano.
Enquanto isso,
o balanço dos dois ataques
continua se agravando, passando
para 194 mortos na tarde de
ontem, 184 deles em Nairóbi,
onde as esperanças de encontrar
mais sobreviventes entre os
escombros é mínima, estimou o
presidente queniano Daniel Arap
Moi, após uma visita ao local.
Mas, segundo o
responsável por um pequeno grupo
de resgate francês, coronel
Charlie Pastarolli, este balanço
ainda é provisório e cerca de
quarenta pessoas, provavelmente
mortas, ainda devem estar presas
nos escombros do prédio vizinho
à embaixada de Nairóbi.
Segundo a mesma
fonte, 542 pessoas continuam
hospitalizadas na capital
queniana, 24 delas em estado
crítico. Na embaixada americana,
Prudence Bushnell, que ficou
levemente ferida na explosão,
depositou flores no local antes
da retirada dos caixões de 11
das 12 vítimas americanas para a
Alemanha, de onde partirão
depois de amanhã para os Estados
Unidos.
As autoridades
quenianas, por sua vez, continuam
enfrentando o problema da
identificação das muitas
vítimas do atentado de Nairóbi,
que deixou, além dos 184 mortos,
mais de 4 mil feridos.