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JOELMIR
BETTING
Piso da
cidadania
Parlamentares,
pesquisadores e economistas de
uma dezena de países passam a
discutir, hoje e amanhã, as
experiências bem-sucedidas dos
programas de renda mínima.
Instala-se no auditório
Petrônio Portela, do Senado
Federal, a Conferência
Internacional sobre Renda
Mínima. Iniciativa da Comissão
de Assuntos Econômicos do
Senado, da Comissão de
Tributação e Finanças da
Câmara e do Grupo Parlamentar
Interamericano sobre População
e Desenvolvimento. Com apoio do
Fundo de População da ONU.
A garantia da
renda mínima para a família
excluída é uma prática já
consagrada em países ricos,
pobres e remediados. Entre nós,
ela tem na catequese do senador
Eduardo Suplicy (PT-SP) a
principal referência técnica. O
senador coordena o encontro de
dois dias em Brasília. Ele diz
que o programa brasileiro ainda
não empolgou a opinião pública
porque carece de mobilização
política e de cobertura pela
mídia. O que não tem faltado é
o efeito-demonstração de
experiências vitoriosas em mais
de uma dezena de municípios
pioneiros.
Parlamentares
de Portugal, Espanha, África do
Sul, Argentina, Venezuela e
Estados Unidos participam do
encontro de Brasília. Nos
Estados Unidos, o programa de
renda mínima (minimum income)
foi adotado por governos
estaduais e prefeituras
municipais. Também chamado de
imposto de renda negativo (ao
invés de pagar o imposto, o
pobre sem rendimento recebe uma
renda mínima mensal), o programa
tem um Prêmio Nobel de Economia
como cabo eleitoral: o professor
Milton Friedman. Ele desenvolveu
ensaios acadêmicos sobre o
significado e as implicações
econômicas e sociais do
"minimum income" por
decreto.
Entre os
expositores e debatedores da
Conferência Internacional, a
presença, em Brasília, de Guy
Standing, presidente do Centro de
Estudos da Rede Européia de
Renda Mínima. Dos Estados
Unidos, o enviado especial Robert
Greenstein, presidente do Centro
de Estudos Orçamentários e de
Políticas Públicas, de
Washington. Os presidentes da
Câmara Federal, Michel Temer, e
do Senado Federal, Antônio
Carlos Magalhães, presidirão,
respectivamente, as solenidades
de abertura e encerramento da
Conferência. O ministro Pedro
Malan participará dos debates.
O senador
Eduardo Suplicy destaca a
apresentação dos estudos do
caso da renda mínima no País.
Haverá relatos dos governadores
Christovam Buarque (DF) e
Amazonino Mendes (AM) e dos
prefeitos de Paracatu (MG),
Catanduva (SP), Belo Horizonte
(MG), Belém (PA), Ribeirão
Preto (SP), Recife (PE),
Presidente Prudente (SP),
Campinas (SP), Osasco (SP), Santo
André (SP), Ourinhos (SP) e
Piracicaba (SP).
Amanhã, em
três painéis, serão
discutidos, sob o
"focus" da renda
mínima, o combate ao desemprego,
o trabalho feminino, o trabalho
infantil e a erradicação da
pobreza.
Desemprego
1
Ainda na linha
do minorar os efeitos, na
impossibilidade de extirpar as
causas, o ministro Edward Amadeo
discutiu, ontem, no Rio de
Janeiro, as políticas de
amaciamento do desemprego.
Mudanças na legislação
trabalhista foram debatidas com
empresários e sindicalistas.
Desemprego
2
Para variar, a
invenção da carga semanal de 25
horas, medida transitória
baixada por medida provisória,
já está sendo espancada na
categoria de
inconstitucionalidade. De fato, a
Constituição engessou o
contrato de trabalho. De tal
ordem, que o emprego informal
disparou de 42% para 57% da
força de trabalho.
Desemprego
3
E deu no que
deu. No Brasil cor de anil, ou se
contrata com todos os direitos ou
se emprega sem direito algum.
Pois a flexibilização do
contrato de trabalho é que faz a
diferença entre o desemprego na
faixa de 4% nos Estados Unidos
versus desemprego de 12% na
União Européia.
Desemprego
4
Certo. O
desemprego parece irreversível,
mas o diploma trabalhista é
imexível. Por conta dessa
percepção coletiva, a maioria
escandaliza-se com qualquer
mexida no contrato de trabalho.
Num Brasil que, sem grilo, já
violou e destruiu o contrato da
família.
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