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JC NAS
RUAS
Luce
Pereira
Segunda
no Bairro do Recife
Não existe
nada mais relaxante do que andar
pelo Bairro do Recife e depois
escolher um cantinho de onde se
possa admirar os milagres da
revitalização. O problema é se
o programa for feito numa
segunda-feira. Esqueçamos aquela
coxinha com cara de sobra de
aniversário de bisavó e servida
sem muita simpatia em certa
lanchonete do bairro. Foi um
lapso, digamos assim. Então, o
visitante se aboleta num bar,
certo de que vai ser uma ilha
cercada de petiscos, chopps e boa
conversa por todos os lados. Ledo
engano. Em minutos se vê diante
dos meninos de rua que atingiram
o status de bola nas mãos da PCR
e do Estado. Vão chegando,
narram dores e espicham tanto os
olhos para a comida, que o
apetite do freguês fica a zero.
Continua o suplício: ainda morto
de culpa, tenta se recompor, mas
é surpreendido por uma dupla de
cantadores. Já abatido,
consegue, enfim, dispensá-los.
Ergue o copo, porém nem chega a
sentir o sabor da bebida - um
poeta ataca com versos
fresquinhos, de gosto duvidoso.
É demais. Paga a conta e promete
só voltar quando estiver mais
paciente. Até para ouvir a voz
das prostitutas que, nas mesas,
acertam com os gringos o preço
da noitada.
Telefones
cortados
A decadência
da Fundação Nacional do Índio
(Funai) está descambando para o
ridículo. Não bastasse a foto
do ex-presidente João
Figueiredo, teimando em
substituir a de FHC, no posto de
Pesqueira, os telefones da sede
ficaram mudos. Foram cortados por
falta de pagamento. Que fiasco.
Folclore
puro
E como o
assunto é índio, os Fulni-ô
foram convidados pela PCR para
apresentações no Sítio da
Trindade. Vão, novamente,
dançar por um prato de comida,
em nome da Semana do Folclore,
que é folclore puro. Diante de
tanta miséria, não faz a menor
diferença que os telefones da
Funai não funcionem.
Sem lei
Ninguém
acredita que há fiscalização
na Caxangá, porque os motoristas
pintam e bordam. Nem a leitora
Celina Juliana. De tão
indignada, ela se deu ao trabalho
de fotografar os infratores e
enviar o material para a coluna.
Quer, como cidadã, que a lei lhe
dê ouvidos.
Sufoco
Passageiros da
linha Caetés III, da empresa
Itamaracá, têm pelo menos dois
motivos para botar a boca no
mundo: a espera por um ônibus
dura 40 minutos e os horários
não são cumpridos.
Pneus
Cada vez que
máquinas usadas na limpeza do
Canal de Setúbal erguem uma
montanha de pneus é que se vê
que o povo não colabora. Quando
a chuva faz estragos, a culpa
nunca sobra para quem suja.
Novidade
A cartilha da
Secretaria de Justiça, com
noções de cidadania, vai sair
em CD-ROM a partir de setembro.
Se o material também tiver como
endereço as associações
comunitárias, o secretário
Franca precisa mandar junto o
computador.
Provita
Aliás, no
balanço da Secretaria de
Justiça pesa de maneira bem
positiva o Programa de Proteção
a Testemunhas (Provita), tocado
pelo Gajope. Em dois anos e meio
de funcionamento foram
beneficiadas 59 pessoas.
Câncer
Está na
revista Manchete: o taxol, que
chegou ao mercado americano,
aumenta as chances de cura do
câncer de mama em 26%, quando
associado à quimioterapia. A
notícia soou como música para
médicos daqui.
Concurso
Como emprego
está difíci, um lembrete:
terminam amanhã as inscrições
para o concurso da SSP. São 1,2
mil vagas e um salário de R$
502,61, mas só para quem for
chamado, claro. É que, em
concurso público, passar não
basta.
E-mail
luce@jc.com.br
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