- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998


JC NAS RUAS
Luce Pereira

Segunda no Bairro do Recife

Não existe nada mais relaxante do que andar pelo Bairro do Recife e depois escolher um cantinho de onde se possa admirar os milagres da revitalização. O problema é se o programa for feito numa segunda-feira. Esqueçamos aquela coxinha com cara de sobra de aniversário de bisavó e servida sem muita simpatia em certa lanchonete do bairro. Foi um lapso, digamos assim. Então, o visitante se aboleta num bar, certo de que vai ser uma ilha cercada de petiscos, chopps e boa conversa por todos os lados. Ledo engano. Em minutos se vê diante dos meninos de rua que atingiram o status de bola nas mãos da PCR e do Estado. Vão chegando, narram dores e espicham tanto os olhos para a comida, que o apetite do freguês fica a zero. Continua o suplício: ainda morto de culpa, tenta se recompor, mas é surpreendido por uma dupla de cantadores. Já abatido, consegue, enfim, dispensá-los. Ergue o copo, porém nem chega a sentir o sabor da bebida - um poeta ataca com versos fresquinhos, de gosto duvidoso. É demais. Paga a conta e promete só voltar quando estiver mais paciente. Até para ouvir a voz das prostitutas que, nas mesas, acertam com os gringos o preço da noitada.

Telefones cortados

A decadência da Fundação Nacional do Índio (Funai) está descambando para o ridículo. Não bastasse a foto do ex-presidente João Figueiredo, teimando em substituir a de FHC, no posto de Pesqueira, os telefones da sede ficaram mudos. Foram cortados por falta de pagamento. Que fiasco.

Folclore puro

E como o assunto é índio, os Fulni-ô foram convidados pela PCR para apresentações no Sítio da Trindade. Vão, novamente, dançar por um prato de comida, em nome da Semana do Folclore, que é folclore puro. Diante de tanta miséria, não faz a menor diferença que os telefones da Funai não funcionem.

Sem lei

Ninguém acredita que há fiscalização na Caxangá, porque os motoristas pintam e bordam. Nem a leitora Celina Juliana. De tão indignada, ela se deu ao trabalho de fotografar os infratores e enviar o material para a coluna. Quer, como cidadã, que a lei lhe dê ouvidos.

Sufoco

Passageiros da linha Caetés III, da empresa Itamaracá, têm pelo menos dois motivos para botar a boca no mundo: a espera por um ônibus dura 40 minutos e os horários não são cumpridos.

Pneus

Cada vez que máquinas usadas na limpeza do Canal de Setúbal erguem uma montanha de pneus é que se vê que o povo não colabora. Quando a chuva faz estragos, a culpa nunca sobra para quem suja.

Novidade

A cartilha da Secretaria de Justiça, com noções de cidadania, vai sair em CD-ROM a partir de setembro. Se o material também tiver como endereço as associações comunitárias, o secretário Franca precisa mandar junto o computador.

Provita

Aliás, no balanço da Secretaria de Justiça pesa de maneira bem positiva o Programa de Proteção a Testemunhas (Provita), tocado pelo Gajope. Em dois anos e meio de funcionamento foram beneficiadas 59 pessoas.

Câncer

Está na revista Manchete: o taxol, que chegou ao mercado americano, aumenta as chances de cura do câncer de mama em 26%, quando associado à quimioterapia. A notícia soou como música para médicos daqui.

Concurso

Como emprego está difíci, um lembrete: terminam amanhã as inscrições para o concurso da SSP. São 1,2 mil vagas e um salário de R$ 502,61, mas só para quem for chamado, claro. É que, em concurso público, passar não basta.

E-mail

luce@jc.com.br

 
 

 

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