RUMO AO PLANALTO
Bolsa-escola
é disputado por FHC e LulaBRASÍLIA - O
lançamento do Programa de
Garantia de Renda Mínima ontem,
em Brasília, se transformou em
um debate acalorado sobre a
paternidade dos programas de
bolsa-escola. O ministro da
Educação, Paulo Renato Souza,
responsável pela implantação
do programa federal, fez questão
de dizer durante o lançamento
que a idéia original havia sido
do PSDB e não do PT.
"Estão dizendo que estamos
copiando o programa do PT. Isso
não é verdade. Se quiserem
podemos fazer um exame de DNA .
Quem primeiro implantou o
bolsa-escola foi o ex-prefeito de
Campinas José Roberto Magalhães
Teixeira, do PSDB", afirmou
o ministro.
De acordo com o
ministro, o programa de Campinas
teria sido aprovado no fim de
1994, e os primeiros benefícios,
pagos em março de 1995. Na
verdade, Campinas e Brasília
lançaram seus respectivos
programas na mesma época
(janeiro de 1995), com apenas
cinco dias de diferença. A lei
de Campinas foi aprovada na
Câmara Municipal em 6 de janeiro
de 1995 e regulamentada em 18 de
abril, quando os primeiros
benefícios começaram a ser
pagos. Em Brasília, o decreto
foi assinado em 11 de janeiro de
1995 e os primeiros benefícios
também começaram a ser pagos em
maio.
Paulo Renato
também negou que o lançamento
da campanha hoje tivesse
objetivos eleitoreiros e que
tenha sido feito às pressas para
concorrer com o seminário sobre
renda mínima que o PT faz hoje e
amanhã em Brasília.
O episódio de
ontem levou a equipe de
divulgação do comitê de
reeleição de FHC a trabalhar
com a hipótese que o principal
adversário de FHC, Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), está mudando
a sua estratégia de campanha. A
avaliação é a de que se trata
de uma estratégia do PT para
forçar um debate com o
presidente sobre as suas
propostas de governo. A
orientação é evitar ao máximo
responder ao PT. Como reação, o
conselho político da reeleição
decidiu acelerar a campanha em
razão da falta de votos
consolidados para garantir a
vitória de FHC no primeiro
turno.